Um roteiro, seja de quadrinhos ou de cinema, não é literatura. Ao contrário de um livro, ele deve ser feito para ser visto.
quinta-feira, julho 03, 2025
O que é um Bife no roteiro?
Tropa Alfa – No reino das bestas
O confronto com as bestas, saga mais
grandiosa da Tropa Alfa, teve o seu de clímax na edição 24 do título.
Na história anterior, Pássaro da Neve havia
sido obrigada a matar Sasquatch, arrancando seu coração quando ele foi domiando
por uma fera ancestral. Mas é possível trazê-lo de volta à vida resgatando seu
espírito no mumbro sombrio governado pelas bestas.
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| Byrne usa o preto e branco para caracterizar o mundo das bestas. |
Aqui entra a genialidade narrativa de John
Byrne: quando os personagens entram na outra dimensão, ele os continua fazendo
na maneira convencional, com traço limpo e cores. Mas o mundo no qual eles
chegam é representado em preto e branco, em um traço repleto de detalhes e
hachuras. É uma forma eficiente de representar visualmente que os heróis estão
em um local alienígena.
Lá eles encontram o demônio Somon, que
governa o local e impede que as feras ataquem umas às outras.
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| Os heróis descem ao poço das lamentações para resgatar a alma do amigo. |
Somon lança contra eles as bestas, e não
desiste nem mesmo depois de derrotado. Ele os envia a um tal poço da
lamentações, onde estaria a alma de Walter, mas isso acaba se revelando uma
armadilha.
O fato da história ser grandiosa não
significa que não tenha problemas. Pássaro da Neve, por exemplo, derrota com
muita facilidade Somon e a solução para resgatar Walter é quase um deus ex
machina, uma situação que surge do nada e não é muito bem explicada.
Ainda assim, é uma história empolgante,
principalmente grandas à narrativa visual de Byrme.
Novos Titãs
Lembranças da biblioteca
Na época em que eu fazia o ensino médio, um endereço certo, visitado todo dia depois das aulas, era a biblioteca do Centur, em Belém.
Eu lia uma barbaridade. Chegava a ler até mais de um livro por semana. Era meio que para tirar o atraso, pois até os 14 anos, quando descobri a biblioteca do Centur, eu só tinha lido Aventuras de Xisto (lido e relido mais de vinte vezes).
Eu ia direto à biblioteca circulante (que emprestava livros) e procurava algo interessante. Se não encontrava nada muito bom, levava um do Júlio Verne, que era diversão garantida.
Fiz amizade com as bibliotecárias e elas me indicavam livros. Uma delas me indicou Menino de Engenho, de José Lins do Rego, um clássico da literatura regional nordestina. Mas o primeiro livro que li lá foi um volume de contos de H.G. Wells. A biblioteca tinha um mural em que ficavam as resenhas dos livros escritas pelos leitores. Incentivado pela bibliotecária, fiz uma resenha do livro de Wells (confesso que não lembro qual era o título). Com certeza foi minha primeira resenha. Chegou uma época em que todas as resenhas do mural eram de minha autoria. O curioso é que muitos anos depois, fui trabalhar no Centur e a bibliotecária que me dava dicas virou minha colega de trabalho...
Comecei a trabalhar no Centur quando eles resolveram montar a gibiteca. Antes disso, eu já freqüentava o local e ajudava as servidoras, inclusive dando dicas sobre como elas poderiam classificar as revistas em quadrinhos, que eram guardadas em caixas arquivo. Sugeri que elas fossem separadas por títulos ou por personagens. Aquelas que não tinham em quantidade suficiente para montar uma caixa, nós uníamos por gênero: humor, infantil, drama, terror, aventura, ficção-científica... antes de serem catalogcadas, as revistas ficavam todas guardadas em um armário de metal e para mim era mágico abrir aquelas portas e folhear as publicações. Era como nadar em um oceano de informação.
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| Nos dias de sábado eu podia ler clássicos, como o álbum de Flash Gordon da Ebal. |
No Centur ninguém gostava de trabalhar aos sábado. Eu gostava, pois era o dia que dava menos gente e era possível sentar para ler. Era o dia em que eu aproveitava para ler os clássicos, publicados em álbuns da Ebal ou na enorme revista GIBI. Impossível ler esse material grande e grandioso nos dias de corre-corre.
Foi nessa época em que li uma das melhores e mais desconhecidas HQs: Capitão César. O título original era Wash Tubs. O desenhista trabalhava muito bem com papel reticulado, criando efeitos fantásticos. E as histórias eram envolventes. Lembro de uma em que o Capitão César, em missão na Alemanha, acaba indo parar em um campo de concentração e escapa de lá. Propaganda norte-americana do tempo de guerra, evidentemente, mas quem liga? Como diria Spielberg, os nazistas são ótimos vilões porque não aparece ninguém com cara de pau para defende-los.
quarta-feira, julho 02, 2025
Hulk contra os Vingadores
Um dos grandes momentos da revista O imortal Hulk, com roteiro de Al Ewing, foi o confronto do golias esmeralda com os Vingadores.
Essa mini-saga inicia no número 6 da revista com órgãos do governo tentando descobrir onde o Hulk se encontra. Já aqui percebemos as situações bizarras criadas por Ewing, em um estilo que lembra o cineasta David Cronemberg: as pessoas que monitoram os amigos do Hulk são mantidas de cabeça para baixo, com implantes que enviam imagens diretamente para seus olhos.
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| Lee Garbett é competente, mas seu traço nem se compara com o de Joe Bennett. |
Ao final da história, Bruce Banner está pedindo carona na estrada quando se depara com a Capitã Marvel: “O Hulk ajudou a salvar o mundo muitas vezes, Bruce. Você ganhou muitos créditos. Mas... era um conjunto diferente de Vingadores e, pra ser sincera... seus créditos acabaram”... e vemos uma imagem dos Vingadores se aproximando ameaçadoramente.
Essa primeira HQ é desenhada por Lee Garbett, que nem de longe tem a força e o impacto do traço de Joe Bennett. Só quando este assume o desenho, em The imortal Hulk 7, que a coisa engrena.
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| Com Joe Bennett a história explode em ação. |
A edição já começa matadora: um menino está brincando com bonecos da Capitã Marvel e do Homem de ferro quando o pai o pega nos braços e sai correndo: “Alerta verde significa deixa tudo para trás e corre, querida. A gente já demorou demais!”, diz ele... e na sequência a casa é destruída por um carro jogado contra o Motoqueiro Fantasma.
O Hulk está mais poderoso e violento que nunca.
O Homem de Ferro é quase morto, Thor tem o crânio partido: “Estou sugerindo, Capitão... que, em sua fúria, em sua dor, à sombra de seu armagedom... seu mundo mortal pode ter parido algo próximo de um deus... ou talvez um demônio!”, murmura ele.
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| Hulk está mais poderoso do que nunca. |
A luta se estende por páginas, numa sequência impressionante de ação.
Como medida extrema, o grupo usa o laser Helios, um raio de luz solar superconcentrado que destrói tudo ao redor.
A edição termina com uma splash page igualmente impressionante do Hulk dividido em partes guardadas em potes, numa prateleira de algum órgão secreto do governo norte-americano.
Essa imagem é um divisor de águas. Ela deixa claro que a série iria levar o personagem além de qualquer limite.
Novos Titãs – O início do pesadelo
Quando Marv Wolfman propôs para a DC sua nova versão da Turma Titã, os executivos gostaram tanto da proposta que resolveram usar uma estratégia de marketing ousada: encartar um número zero da revista na edição 26 da DC Comics Presents.
Para a estratégia dar certo, era necessário que fosse uma história fechada, não fizesse parte da cronologia (afinal, a história do grupo só iria começar de fato no número 1 a revista The New Teen Titans), mas ao mesmo tempo chamasse atenção o suficiente para fazer os leitores comprarem a nova publicação.
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| Robrin está no meio da ação quando começa o que parece uma alucinação... |
Marv Wolfman resolveu a situação de forma brilhante. A história começa com Robin na frente do prédio de um laboratório, onde terroristas ameaçam explodir um reator solar.
Quando vai entrar no prédio para resolver a situação, o garoto prodígio começa a ter flashs do que parecem delírios, mas na verdade são, vislumbres do futuro.
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| ... e isso vira uma desculpa para apresentar os novos membros dos Titãs. |
Ele encontra com a Moça Maravilha, entra na Torre Titã, encontra com o Rapaz-Fera, que agora se chama Mutano (“Rapaz-fera era fim de carreira! Mutano tem estilo! Ritmo! Emoção!”) e todos os outros integrantes da equipe.
Ravena avisa que uma experiência científica trouxe, inadevertidamente para a Terra, uma criatura unicelular de outra dimensão e os Titãs precisam detê-la antes que ela transforme todo o oxigênio da Terra em metano.
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| O grupo enfrenta um ser unicelular vindo de outra dimensão. |
Mas, quando o grupo vai enfrentar a criatura, Robin volta para o presente, e a história vai assim, alternando entre o presente e o flash foward.
Quem, como eu, leu essa história em Heróis em Ação 1, empolgou-se com essa trama completamente diferente do que estávamos acostumados, que brilhava não só pelo bom roteiro de Wolfman, mas também pelos desenhos incríveis de George Pérez. A mesma coisa devem ter sentido os leitores norte-americanos, tanto que quando finalmente saiu a revista do grupo, foi um sucesso absoluto.
Billy Wilder: o mestre do cinema
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| Pacto de sangue |
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| A cena final de Quanto mais quente melhor. |
Osgood: Nós podemos alterá-lo.
Daphne: Oh não faça isso! Osgood, Eu vou falar de uma vez. Não podemos nos casar de forma alguma!
Osgood: Por que não?
Daphne: Bem, em primeiro lugar, eu não sou loira de verdade.
Osgood: Não importa.
Daphne: Eu fumo! Eu fumo o tempo todo!
Osgood: Eu não ligo.
Daphne: Bem, eu tenho um péssimo passado. Faz três anos que eu moro com um saxofonista.
Osgood: Eu te perdoo.
Daphne: Nunca poderemos ter filhos!
Osgood: Podemos adotar alguns.
Daphne: Mas você não entende, Osgood! Eu sou um homem!
Osgood: Bem, ninguém é perfeito!
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| A atuação de Marilin em Quanto mais quente melhor é memorável. |
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| Inferno n. 17: filme de guerra de Wilder. |
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| Kirk Dougla interpreta um jornalista sem escrúpulos em A montanha dos sete abutres. |

























