Esta semana, no Burburinho, Gabriel Perissé escreve um texto sobre "Como vencer um debate sem precisar ter razão". Baseando-se no texto homônimo de Arthur Schopenhauer (1788-1860), Perissé apresenta diversos tipos de patifarias intelectuais.
Uma delas é particularmente odiosa. Trata-se de falar coisas completamente incompreensíveis com ar de produndidade para que o outro se sinta humilhado e, fingindo compreender, acabe aceitando o que se diz. "Então, se eu digo: "O paradigma da interação integra o jogo de inúmeras forças concêntricas que, sem privilegiar o efeito, anulam de certo modo a causa. Trata-se, na verdade, de sistemas autogênicos não-ordinários e não-cumulativos que, sem dúvida, exigem uma nova percepção do fenômeno, você concorda?" — poucas pessoas terão coragem de contradizer-me.".
Infelizmente na academia o que mais tem são professores que usam essa estratégia, inclusive como evitar perguntas de alunos...
Por mim, tenho sempre o lema: se ninguém consegue entender o que você está dizendo, é porque o que você está dizendo não tem sentido.
sexta-feira, junho 30, 2006
Ex-baixista de Bauhaus relança CD de V de Vingança
Por Thiago Augusto (29/06/06)O ex-baixista da banda britânica Bauhaus, David J, escreveu várias letras que se tornariam grandes sucessos do grupo. A mais conhecida delas é Bela Lugosi's Dead. Seu manuscrito foi leiloado por US$ 3.000 no eBay. O músico chegou a formar uma banda chamada The Sinister Ducks, que incluía em sua formação o saxofonista Alex Green e ninguém menos que Alan Moore. Assim, não é de se estranhar que entre seus projetos solos está a materialização da música tema da graphic novel V de Vingança, intitulada The Vicious Cabaret. Leia mais no Universo HQ
HQ com Albert Einstein na revista Galileu GIGA
Por Marcelo Naranjo, sobre o press release (29/06/06)Está nas bancas a revista Galileu GIGA (82 páginas, R$ 8,95), a mais nova revista da família Galileu.Voltada para o público jovem, a revista bimestral tem uma linguagem mais light que sua irmã mais velha, com matérias que exploram o lado científico das coisas que os jovens contemporâneos curtem: tatuagens, quadrinhos, esportes radicais etc. Em relação aos quadrinhos, a #1 traz uma matéria sobre o novo filme do Superman e outra sobre o último filme dos X-Men, além de uma HQ de seis páginas que conta um pouco da história de Albert Einstein. Leia mais no Universo HQ
quinta-feira, junho 29, 2006
Primeiro volume do Príncipe Valente volta em nova edição
Por Marcelo Naranjo, sobre o press release (28/06/06) Em 1974, a editora Ebal, de Adolfo Aizen, ganhou o direito de editar em álbum no Brasil as histórias de O Príncipe Valente, 37 anos depois de lançar pioneiramente o herói no país, na revista Suplemento Juvenil, somente quatro meses após sua estréia nos EUA, no New York American Journal. Leia mais
Comentário: Principe Valente é um clássico, um dos melhores quadrinhos já feitos. Leia a matéria completa no Universo HQ e aproveite para comparar em alguns desenhos a nova versão dos desenhos e a versão antiga.
Comentário: Principe Valente é um clássico, um dos melhores quadrinhos já feitos. Leia a matéria completa no Universo HQ e aproveite para comparar em alguns desenhos a nova versão dos desenhos e a versão antiga.
quarta-feira, junho 28, 2006
Ontem o Brasil ganhou de Gana, 3 a 0. Não haveria nada de preocupante nisso, não fosse o fato de que, de longe, o melhor jogador em campo fosse o goleiro Dida, inclusive deve ter sido também o jogador com maior posse de bola. Se os jogadores de Gana não tivessem a mania de chutar para cima e se nosso goleiro não fosse tão bom, ia ser goleada... para eles.
segunda-feira, junho 26, 2006
Leia matéria no Omelete sobre o cineasta Billy Wilder, talvez um dos melhores que Hollywood já produziu.
Lost
domingo, junho 25, 2006
A escola do jardim

No ano de 306 a.c. o filósofo grego Epicuro, então com 36 anos, abriu sua escola em Atenas. Epicuro comprara para tal uma casa com jardim e, ao invés de trancafiar-se em uma sala com os alunos, preferia ficar ao ar livre, conversando com seus alunos.
Observadores da época diziam que não parecia um mestre rodeado de alunos, mas sim um grupo de amigos que filosofavam juntos.
O objetivo da filosofia epicurista era descobrir como o homem podia ser mais feliz. Para Epicuro, a felicidade estava na busca do prazer. Mas prazer para ele era a ausência de sofrimento. Assim, só devemos procurar aqueles prazeres que não trazem nenhum sofrimento, nem para nós nem para os outros.
Além disso, buscar o prazer não significava ser dominado pelos desejos. Segundo Epicuro, devemos fruir o prazer de cada situação, sem nos preocuparmos com o que não temos. “Não deves corromper o bem presente com o desejo daquilo que não tens; antes deves considerar que aquilo que agora possuis se encontrava no número dos teus desejos”, dizia.
Para enriquecer um homem, não é necessário dar-lhe tesouros, mas diminuir-lhe os desejos. Quem se satisfaz com o que tem é um homem feliz.
Mas, para Epicuro só podemos apreciar o prazer através do amor e da paz de espírito.
Uma filosofia como a de Epicuro não poderia se disassociar-se de seu método de ensino. O próprio jardim era exemplo disso. Por que trancar-se em uma sala se era muito mais prazeroso dar aulas no jardim?
Na escola do Jardim as aulas não tinham hora para início ou fim. Epicuro podia ser visto a qualquer momento discutindo com seus alunos.
A amizade também era essencial. Epicuro era antes de mais nada um amigo de seus pupilos. Até os inimigos louvavam essa amizade fraternal que envolvia os epicuristas. Dizem que jamais houve brigas entre eles.
Embora dois milênios nos separem da escola do Jardim, ainda podemos aprender muito com ela.
Epicuro nos ensinou que não existe educação sem prazer. Se aprender algo não foi uma experiência prazerosa, o aluno logo esquecerá. O prazer da descoberta é sufocado por um grande número de professores e escolas, que tomam a educação como obrigação. Confesso que desde a época da faculdade fiz uma promessa para mim mesmo: jamais leria algo que não me desse prazer. Como professor, devo ler muito, mas sempre vejo nisso como uma oportunidade de prazer, não como uma obrigação. E, confesso, se um livro não está me dando prazer, vou procurar outro sobre o mesmo assunto.
Epicuro também nos ensina que a educação não deve se prender a quatro paredes, ou os 50 minutos de aula. O aprendizado pode se dar em qualquer hora, em qualquer situação. Há professores que simplesmente se negam a responder perguntas dos alunos fora da sala de aula, ou fora do horário. Esses são no máximo transmissores de conhecimento, mas nunca mestres. O verdadeiro mestre, o é 24 horas por dia, até porque muitas vezes o aluno aprende mais com uma pergunta no corredor, um bate-papo na hora do lanche, ou um texto indicado por um professor. Confesso que fico muito feliz quando um aluno diz que leu um texto meu na internet e afirma que aprendeu algo com ele.
Por fim, a amizade. Um bom professor precisa ter domínio do conteúdo, precisa dominar didática, gostar de dar aulas, mas também precisa gostar dos alunos.
Já ouvi professores dizerem que não suportam os alunos. Como ensinar algo a alguém que se odeia? Até porque o respeito é fruto muito mais da admiração, do afeto, do que da força. Todas as pessoas que tentaram impor o respeito pela força acabaram mal. Mussolini, por exemplo, foi linchado. Hitler teve de tomar veneno e deixar ordens para queimarem seu corpo para que não acontecesse o mesmo com ele. Por outro lado, pessoas como Gandhi são até hoje respeitadas justamente pelo amor que emanavam.
O professor que não é amigo dos alunos jamais desenvolverá neles a curiosidade intelectual e jamais será respeitado como mestre. Sem afetividade, a escola vira apenas uma fábrica de diplomas.
Leia mais sobre Epicuro.
Fomos assistir X-men. O terceiro filme da série, mesmo sem Brian Singer, é bom. Na verdade, para quem é fã de quadrinhos, é até melhor que os outros, pois tem mais referências aos quadrinhos. A sala do perigo, a referência à saga Dias do Futuro esquecido e o Colossus arremessando o Wolverine são exemplos de cenas que vão agradar aos fãs. O filme só tem dois problemas: 1) misturaram a saga da Fênix Nega com outra, a da cura das mutações, o que não permitiu desenvolver adequadamente as duas histórias; 2) a grande quantidade de personagens faz com que alguns muito interessantes só apareçam na tela, sem serem desenvolvidas. Mas esse segundo senão é algo realmente complicado de se trabalhar num filme dos X-men.
O coelho Osvaldo

A editora Marca de Fantasia está lançando Osvaldo, de Antônio Eder e Edgard Guimarães (Coleção Corisco, nº 5. 2006. 36p, 14x20cm. R$ 6,00). Abaixo a sinopse:
O coelho Osvaldo foi cobaia de laboratório, onde serviu de teste para vários medicamentos. Como os testes não funcionaram muito bem com ele, foi sendo deixado de lado até que fugiu do laboratório e hoje anda pelo mundo. As aventuras de Osvaldo enfocam vários assuntos de maneira crítica, científica, mas sem deixar de ser divertidas.
Saiba mais no site da Marca de Fantasia (e aproveite para comprar os meus livros Watchmen e a teoria do caos e Ciência e quadrinhos)
sexta-feira, junho 23, 2006
Na introdução do livro de contos Pesadelos e paisagens noturnas, Stephen King diz que se tornou escritor porque sempre foi crédulo demais:
"Acreditava em tudo que me contavam no pátio da escola. Engolia mentironas e mentirinhas com a mesma facilidade."
Para ele, esse "defeito" é algo essencial no trabalho de um escritor:
"Nunca dei muita bola para a realidade, pelo menos no meu trabalho escrito. Acho que mito e imaginação são, de fato, conceitos intercambiáveis e que a crença é a fonte de ambos. Ver o impossível... e depois traduzi-lo em palavras. Continua sendo fazer com que você acredite no que eu acredito, pelo menos durante algum tempo."
O conto A Casa da rua Maple é um bom exemplo disso. Nele, quatro crianças, vítimas de um padastro tirano percebem que podem se livrar dele quando descobrem que a casa está se transformando numa nave espacial. O conto foi baseado em uma figura de um livro que mostrava uma casa alçando vôo. A premissa é absurda, mas ganha relevância e credibilidade na pena de King, que, como sempre, usa sua técnica de mostrar pessoas normais se deparando com situações estranhas. O leitor vai desvendando o bizarro ao mesmo tempo que os personagens e, quando percebem, estão tão envolvidos quanto eles... aceditando piamente no que o escritor está contando.
o capítulo 13 da série Mundo Dragão, com desenhos do grande Jean Okada e texto meu, está disponível no site da Virtual Books.
Leia no Universo HQ matéria sobre os filmes fanfics de humor que satirizam os heróis Marvel. Abri o filme sobre o anivesário do Prof. Xavier e achei hilário.
quinta-feira, junho 22, 2006
A copa de 1982
O futebol no Brasil é uma espécie de obrigação nacional. Eu, embora não desdenhe do esporte, evito jogar para não provocar brigas entre amigos. É que, quando eu era criança, nas aulas de educação física, os times sempre brigavam por mim:
- Você fica com ele!
- Está doido? Prefiro ficar sem goleiro!
Logo o professor dessa emérita disciplina descobriu que a melhor forma de lidar com esse problema era me deixar no banco de reservas (às vezes eu levava um livro para passar o tempo e ficava lá, lendo, sob o olhar aliviado dos companheiros).
Então eu nunca tive muita razão para gostar de futebol, não sei data de jogos, não sei quem são os jogadores e sempre me espanto ao descobrir que o Coríntias, que estava em crise (o próprio presidente disse isso em um discurso), depois era campeão e agora está em crise de novo, num período de tempo que me parece muito pequeno. Isso, aliás, me dá a impressão de que o futebol muda mais que a ciência e a filosofia. Heráclito, para quem tudo está em constante mutação, devia ser técnico de futebol.
Mas, embora eu não goste de futebol, assisto todos os jogos da seleção brasileira na copa do mundo. Na última copa eu acordava de madrugada e ficava lá, torcendo e gritando de alegria quando um jogador marcava um gol.
Esse comportamento anômalo tem uma origem remota, na copa de 1982. Qualquer um que tenha passado pela copa de 82, por mais que não goste de futebol, bate ponto na copa do mundo.
Eu tinha apenas 11 anos na época e minha memória já não é mais a mesma, mas lembro que havia toda uma mística sobre a seleção. Dizia-se que era a melhor equipe de craques já reunida. Uma seleção de reis tendo como imperadores Sócrates e Zico. No imaginário popular, esses dois só perdiam para Pelé. Era a seleção canarinho, 120 milhões em ação. A música cantada por Júnior vendeu 600 mil cópias e era lembrado de cor por todos os garotos:
Voa, canarinho, voa
Mostra pra este povo que é rei
Voa, canarinho, voa
Mostra na Espanha o que eu já sei
Verde, amarelo, azul e branco
Formam o pavilhão do meu país
O verde toma conta do meu canto
Amarelo, azul e branco
Fazem meu povo feliz
E o meu povo
Toma conta do cenário
Faz vibrar o meu canário
Enaltece o que ele faz
Bola rolando
E o mundo se encantando
Com a galera delirando
Tô aqui e quero mais
A empolgação era tanta que, antes e depois dos jogos eu e um amigo, igualmente perna-de-pau, arriscávamos uma pelada na rua. Isso, claro, antes de começar a transmissão. Nessa hora, todo mundo grudado na TV, o coração a mil.
Na época eu não podia perceber isso, mas hoje acredito que a esperança no escrete canarinho não era só futebolística. O Brasil estava saindo, muito lentamente de uma ditadura e começava a vislumbrar uma era de liberdade e isso era de certa forma repassado para o futebol. Se a vitória na copa de 1970 servira aos militares, a copa de 1982 serviria à democracia.
E as perspectivas eram as melhores possíveis. A seleção de craques e o futebol arte de Telê Santana fez 2 a 1 na União Soviética, 4 a 1 na Escócia, 4 a 0 na Nova Zelândia e 3 a 1 na Argentina. As goleadas empolgavam a torcida e na escola não se falava em outra coisa. Era impossíveol não acreditar que o Brasil seria campeão!
O próximo adversário era a Itália, uma equipe que na primeira fase empatara todos os jogos numa chave fraca com Peru, Polônia e Camarões (estreante na copa e um país pobre, que logo angariou a simpatia dos brasileiros) e só passara para a segunda fase graças ao saldo de gols.
Seria moleza. Mas não foi. Paolo Rossi fez a diferença e três gols. O Brasil, irreconhecível, só conseguiu colocar a bola na rede duas vezes.
Para quem já se achava campeão, foi um balde de água fria. Lembro que o Jornal Nacional inteiro daquela noite foi sobre a derrota da seleção. A televisão mostrava imagens das pessoas chorando na rua e de fato, aonde eu ia, encontrava pessoas cabisbaixas, tristonhas.
A esperança na copa, que àquela época se misturava com a esperança de democracia e de dias melhores, acabara nos pés de Paolo Rossi.
A partir daí, embora eu não gostasse de futebol, continuei acompanhado religiosamente as copas do mundo. Mas, nunca, nunca uma copa foi tão emocionante quanto aquela. Como um amor que não se realiza, e por isso é o melhor de todos, a seleção de 1982 ficará eternamente marcada como a melhor de todas.
- Você fica com ele!
- Está doido? Prefiro ficar sem goleiro!
Logo o professor dessa emérita disciplina descobriu que a melhor forma de lidar com esse problema era me deixar no banco de reservas (às vezes eu levava um livro para passar o tempo e ficava lá, lendo, sob o olhar aliviado dos companheiros).
Então eu nunca tive muita razão para gostar de futebol, não sei data de jogos, não sei quem são os jogadores e sempre me espanto ao descobrir que o Coríntias, que estava em crise (o próprio presidente disse isso em um discurso), depois era campeão e agora está em crise de novo, num período de tempo que me parece muito pequeno. Isso, aliás, me dá a impressão de que o futebol muda mais que a ciência e a filosofia. Heráclito, para quem tudo está em constante mutação, devia ser técnico de futebol.
Mas, embora eu não goste de futebol, assisto todos os jogos da seleção brasileira na copa do mundo. Na última copa eu acordava de madrugada e ficava lá, torcendo e gritando de alegria quando um jogador marcava um gol.
Esse comportamento anômalo tem uma origem remota, na copa de 1982. Qualquer um que tenha passado pela copa de 82, por mais que não goste de futebol, bate ponto na copa do mundo.
Eu tinha apenas 11 anos na época e minha memória já não é mais a mesma, mas lembro que havia toda uma mística sobre a seleção. Dizia-se que era a melhor equipe de craques já reunida. Uma seleção de reis tendo como imperadores Sócrates e Zico. No imaginário popular, esses dois só perdiam para Pelé. Era a seleção canarinho, 120 milhões em ação. A música cantada por Júnior vendeu 600 mil cópias e era lembrado de cor por todos os garotos:
Voa, canarinho, voa
Mostra pra este povo que é rei
Voa, canarinho, voa
Mostra na Espanha o que eu já sei
Verde, amarelo, azul e branco
Formam o pavilhão do meu país
O verde toma conta do meu canto
Amarelo, azul e branco
Fazem meu povo feliz
E o meu povo
Toma conta do cenário
Faz vibrar o meu canário
Enaltece o que ele faz
Bola rolando
E o mundo se encantando
Com a galera delirando
Tô aqui e quero mais
A empolgação era tanta que, antes e depois dos jogos eu e um amigo, igualmente perna-de-pau, arriscávamos uma pelada na rua. Isso, claro, antes de começar a transmissão. Nessa hora, todo mundo grudado na TV, o coração a mil.
Na época eu não podia perceber isso, mas hoje acredito que a esperança no escrete canarinho não era só futebolística. O Brasil estava saindo, muito lentamente de uma ditadura e começava a vislumbrar uma era de liberdade e isso era de certa forma repassado para o futebol. Se a vitória na copa de 1970 servira aos militares, a copa de 1982 serviria à democracia.
E as perspectivas eram as melhores possíveis. A seleção de craques e o futebol arte de Telê Santana fez 2 a 1 na União Soviética, 4 a 1 na Escócia, 4 a 0 na Nova Zelândia e 3 a 1 na Argentina. As goleadas empolgavam a torcida e na escola não se falava em outra coisa. Era impossíveol não acreditar que o Brasil seria campeão!
O próximo adversário era a Itália, uma equipe que na primeira fase empatara todos os jogos numa chave fraca com Peru, Polônia e Camarões (estreante na copa e um país pobre, que logo angariou a simpatia dos brasileiros) e só passara para a segunda fase graças ao saldo de gols.
Seria moleza. Mas não foi. Paolo Rossi fez a diferença e três gols. O Brasil, irreconhecível, só conseguiu colocar a bola na rede duas vezes.
Para quem já se achava campeão, foi um balde de água fria. Lembro que o Jornal Nacional inteiro daquela noite foi sobre a derrota da seleção. A televisão mostrava imagens das pessoas chorando na rua e de fato, aonde eu ia, encontrava pessoas cabisbaixas, tristonhas.
A esperança na copa, que àquela época se misturava com a esperança de democracia e de dias melhores, acabara nos pés de Paolo Rossi.
A partir daí, embora eu não gostasse de futebol, continuei acompanhado religiosamente as copas do mundo. Mas, nunca, nunca uma copa foi tão emocionante quanto aquela. Como um amor que não se realiza, e por isso é o melhor de todos, a seleção de 1982 ficará eternamente marcada como a melhor de todas.
O site Quinto Poder tem uma matéria interessante sobre violência policial. Trecho da matéria:
Se você é um policial, lembre-se de que:
- seu dever é proteger os cidadãos, garantindo suas liberdades asseguradas na Constituição;
- não deve cometer um crime para descobrir outro;
- a violência que você cometer poderá resultar na perda de seu emprego, em pagamento de indenizações às vítimas e em sua condenação criminal;
- agindo com violência, você estará contribuindo para que a violência se perpetue. Amanhã, a vítima pode ser você ou alguém seu;
- sua arma só pode ser utilizada em casos de extrema necessidade;
- a autoridade deve se impor pelo respeito, na moral, e não pela força do arbítrio.
Se você é um policial, lembre-se de que:
- seu dever é proteger os cidadãos, garantindo suas liberdades asseguradas na Constituição;
- não deve cometer um crime para descobrir outro;
- a violência que você cometer poderá resultar na perda de seu emprego, em pagamento de indenizações às vítimas e em sua condenação criminal;
- agindo com violência, você estará contribuindo para que a violência se perpetue. Amanhã, a vítima pode ser você ou alguém seu;
- sua arma só pode ser utilizada em casos de extrema necessidade;
- a autoridade deve se impor pelo respeito, na moral, e não pela força do arbítrio.
Bate Bate Bate Na Porta do Céu
Zé Ramalho (versão original Bob Dylan)
Mamãe tire distintivo de mim
Eu não posso mas usa-lo
Está ficando escuro, escuro demais para ver
Sinto como se estivesse batendo na porta do céu
Bate-bate-bate na porta do céu
Bate-bate-bate na porta do céu
Bate-bate-bate na porta do céu
Bate-bate-bate na porta do céu
Mamãe ponha minhas armas no chão
Eu não posso mais atirar com elas
Esta longa nuvem negra descendo ao chão
Sinto como se estivesse batendo na porta do céu
Bate-bate-bate na porta do céu
Bate-bate-bate na porta do céu
Bate-bate-bate na porta do céu
Bate-bate-bate na porta do céu
Compre CDs de Zé Ramalho no Submarino.
Ontem minha esposa estava voltando para casa com o taxista que faz transporte para ela quando se depararam, no bairro do Buritizal, com uma viatura da polícia militar parada no meio da rua. Não era uma blitz. Estavam simplesmente parados no meio da rua, talvez atendendo a uma ocorrência.
Quando o taxista foi passar pela direta (já que a viatura estava no meio da via), um policial pulou na frente do carro e apontou a arma para minha mulher, ameçando atirar. Sem nenhuma razão aparente, o polícial queria que o taxi passasse à esquerda da viatura e por um simples capricho colocou em risco a vida de minha mulher.
A arma poderia ter disparado e nesse caso provavelmente os policiais colocariam uma arma ilegal nas mãos de minha esposa e alegariam que ela era uma bandida que morreu em confronto com a polícia. É surpreendente que uma polícia que gaste uma fortuna com um helicóptero não se preocupe em capacitar seus efetivos a respeito do valor de uma vida humana.
Para aquele policial, naquele momento, minha esposa não era uma pessoa. Era só uma coisa, um objeto no qual ele poderia treinar tiro ao alvo se lhe apetecesse.
O romântico Rousseau achava que o Estado existe graças a um contrato social, no qual os governantes se comprometem a fornecer determinados serviços ao cidadão, entre eles a segurança.
Mas a situação aparentemente se inverteu. Na mente daquele policial, ele não é um servidor com responsabilidade de garantir o bem estar do cidadão honesto. Na cabeça dele, ele é apenas um valentão com uma arma na mão, que pode fazer o que quiser, só porque está usando uma farda, só porque é uma autoridade... Ninguém está seguro...
Quando o taxista foi passar pela direta (já que a viatura estava no meio da via), um policial pulou na frente do carro e apontou a arma para minha mulher, ameçando atirar. Sem nenhuma razão aparente, o polícial queria que o taxi passasse à esquerda da viatura e por um simples capricho colocou em risco a vida de minha mulher.
A arma poderia ter disparado e nesse caso provavelmente os policiais colocariam uma arma ilegal nas mãos de minha esposa e alegariam que ela era uma bandida que morreu em confronto com a polícia. É surpreendente que uma polícia que gaste uma fortuna com um helicóptero não se preocupe em capacitar seus efetivos a respeito do valor de uma vida humana.
Para aquele policial, naquele momento, minha esposa não era uma pessoa. Era só uma coisa, um objeto no qual ele poderia treinar tiro ao alvo se lhe apetecesse.
O romântico Rousseau achava que o Estado existe graças a um contrato social, no qual os governantes se comprometem a fornecer determinados serviços ao cidadão, entre eles a segurança.
Mas a situação aparentemente se inverteu. Na mente daquele policial, ele não é um servidor com responsabilidade de garantir o bem estar do cidadão honesto. Na cabeça dele, ele é apenas um valentão com uma arma na mão, que pode fazer o que quiser, só porque está usando uma farda, só porque é uma autoridade... Ninguém está seguro...
Programação de cinemas
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