segunda-feira, junho 14, 2010

Censura e ditadura


            A chamada revolução de 1964, que começara sutil, envergonhada, como diz Élio Gáspari, tornou-se ditadura aberta a partir de uma sexta-feira, 13 de dezembro de 1968, quando o presidente Costa e Silva reuniu seus 23 ministros, no Palácio das Laranjeiras, para anunciar o Ato Institucional n. 5, que fechou o congresso, suspendeu o direito de habeas corpus aos acusados de crimes contra a segurança nacional. O presidente passou a ter o direito de intervir nos Estados e municípios, cassar mandatos e suspender direitos políticos.
            O A1 5 instalou a censura na imprensa e tornou oficial a tortura dos porões. Intelectuais e artista passaram a ser perseguidos. Em 1968, durante uma apresentação da peça Roda Viva, de Chico Buarque e dirigida por José Celso Martinez Corrêa, o espetáculo foi atacado pelo Comando de Caça aos Comunistas que ameaçou de morte os atores. Com a decretação do A15, Geraldo Vandré, compositor dos versos "Há soldados armados, amados ou não/quase todos perdidos de arma na mão" teve que se esconder na fazenda do escritor Guimarães Rosa antes de sair para o auto-exílio. Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos, interrogados pelos militares e gentilmente "convidados" a deixar o país. Paulo Coelho chegou a ser torturado por causa da música “Sociedade alternativa”, vista como subversiva pelos militares.
            A oficialização da censura chegou ao extremo da paranóia. Não havia lógica, apenas a opinião pessoal do censor contava.
            Uma história do Tio Patinhas foi censurada porque o tradutor adaptou a história, colocando a narrativa na cidade de Cananéia, coincidentemente o mesmo local em que havia sido desbaratado um núcleo de guerrilheiros.
            Em 1973 a censura vetou a música "Uma vida só (pare de tomar a pílula)", de Odair José, porque o governo militar patrocinava uma campanha nacional de controle de natalidade e o sucesso da música incomodava. No ano seguinte, a censura vetaria a canção "Tortura de amor", de Waldick Soriano, por entender que era uma alusão à repressão. Até os filmes de Kung fu eram proibidos por conterem conteúdo maoísta.
            Nesse contexto, os artistas usavam toda a criatividade e inteligência para driblar a truculência militar.
            Chico Buarque era um dos mestres em colocar de maneira disfarçada em suas músicas referências ao regime. Quando soube, por exemplo, que a filha do presidente Médice apreciava seu trabalho, tascou o refrão "Você não gosta de mim, mas sua filha gosta".
            Uma das estratégias mais interessantes foi usada pelo crítico literário Oto Maria Carpeaux. Em um texto sobre Sherlock Holmes, ele concluiu que o personagem só poderia ter surgido na Inglaterra. “Os juízes e a polícia ingleses têm fama de serem os mais severos do mundo. Mas o seu rigor é limitado por normas legais, não menos severas”. Assim, a Inglaterra precisava usar a inteligência de um Sherlock, já que não era possível colocar um grandalhão bem armado, que poderia extorquir uma confissão da vítima. O texto, que passou pela censura, era ferina crítica à ditadura, que só usava os músculos porque era incapaz de usar a cabeça.
            Já na década de 1980 a censura foi extinta (embora alguns saudosos tentem de tempos em tempos revivê-la), mas o mais interessante é que ninguém se lembra do nome de um censor, mas todos se lembram de grandes artistas, como Chico Buarque e todas as obras censuradas são hoje conhecidas e muitas reverenciadas como obras-de-arte.
            É o tipo de pensamento que nos ajuda a dormir à noite.

domingo, junho 13, 2010

Psicopatas: um cérebro perverso 1


         Estudos recentes demonstram que psicopatas têm mentes com características especiais.
         Uma das pistas pode estar no lobo frontal.
         O auto-controle, o planejamento, o equilíbrio das necessidades dos indivíduos versus as necessidades sociais são mediadas pela parte frontal do cérebro. O córtex frontal está associado também ao medo condicionado. Quando um rato é punido toda vez que acende uma luz em uma gaiola, ele associa a luz à punição e é essa área do cérebro que é acionada.
         Antônio e Hama Damasio, dois neurologistas da Universidade de Iowa investigaram as bases neurológicas da psicopatia. Eles demonstraram que indivíduos que haviam tido danos no córtex frontal ventromedial desenvolveram conduta social anormal. Eles tomavam decisões inadequadas e tinham pouca habilidade de planejamento a longo prazo.
         Os dois pesquisadores reconstituiram neurologicamente o primeiro caso conhecido de alteração de personalidade em decorrência de um dano cerebral.
         No século XIX, na Inglaterra, Phineas Cage, um supervisor de obras ferroviárias, perdeu uma parte do cérebro quando uma barra de ferro atravessou seu crânio após uma explosão. Ele sobreviveu muitos anos, mas se tornou abusivo e agressivo, irresponsável e mentiroso. Um conterrâneo disso dele: "Phineas não é mais o Phineas".
         Os psicopatas parecem ter dificuldade também de acionar a área do cérebro responsável pela emoção. Eles só teriam as chamadas proto-emoções - sensações de prazer, fúria e dor menos intensas que o normal, o que os leva a sempre buscar novos estímulos, seja matando uma pessoa ou arriscando tudo num golpe.
         Um psicopata entrevistado pelo psicólogo Hare disse: "Quando assaltei um banco, notei que uma caixa começou a tremer e a outra vomitou em cima do dinheiro, mas não consigo entender por quê. Na verdade, não entendo o que as pessoas querem dizer com a palavra medo".
         Em 2001, o psiquiatra Antônio Serafim colocou presos de São Paulo para assistir cenas de corpos decapitados, crianças esquálidas com moscas nos olhos, torturas com eletrochoque e gemidos desesperados. Os criminosos tiveram reações físicas de medo, como aumento das batidas do coração, intensificação da atividade cerebral e enrijecimento dos músculos. Os psicopatas não tiveram sequer variação de batimentos cardíacos.

sábado, junho 12, 2010

As melhores HQs de super-heróis

A partir de hoje, este blog começa uma série de listas com melhores em várias categorias. E vamos começar com uma lista que interessa aos fãs de quadrinhos: os melhores quadrinhos de super-heróis. Concorda? Discorda? Deixe sua opinião na caixa de comentários.


Quarteto Fantástico, de Jack Kirby e Stan Lee
O gibi que reformatou no gênero dos super-heróis, criando o chamado "método Marvel", com heróis humanos. Destaque para a saga de Galactus, um dos momentos mais emocionamentes dos quadrinhos, em que as sagas cósmicas de Kirby se uniram perfeitamente ao texto humano de Lee. O melhor momento de uma dupla que só criou obras-primas.

Homem-aranha, de Gerry Conway e Ross Andru/Gil Kane/John Romita
A morte de Gwen Stacy, namorada do herói, foi um dos momentos mais dramáticos dos quadrinhos. Mas toda a fase de Conway no título é boa, com histórias que aproveitavam muito bem o clima psicodélico dos anos 1970 e vilões bizarros, como O Gibão. Diversão garantida. 


A última caçada de Kraven 
J.M.De Matteis se juntou ao desenhista Mike Zeck para fazer uma das poucas histórias realmente muito boas da fase do uniforme negro do personagem. O texto de De Matteis é poético e profundo e a arte de Zeck elegante.

Watchmen
Como seria o mundo se os super-heróis realmente existissem? Alan Moore e Dave Gibbons respondem a essa pergunta em uma HQ que revolucionou o mercado. Watchmen tem tantas camadas que pode ser analisada do ponto de vista científico, político, social, filosófico, etc.
 

Marvels
Depois de obras como Watchmen, parece impossível criar uma história com um enfoque novo no gênero super-heróis. Mas Kurt Buziek e Alex Ross conseguiram com uma HQ que mostra o ponto de vista das pessoas normais, que convivem com os heróis. A grande obra-prima dos anos 1990.

Piada Mortal 
A história do Batman em que o Coringa é o astro e o conflito é psicólogico. Uma obra tão boa que influenciou diretamente duas versões para o cinema. 

Cavaleiro das Trevas
A obra-prima de Frank Miller ecoou em quase todos os trabalhos posteriores. Miller mostrou um Bruce Wayne velho voltando a ser herói para tentar dar um jeito na cidade, que se tornou extramente violenta. Uma HQ revolucionária em quase todos os sentidos.

A queda de Matt Murdock
Um dos mais profundos trabalhos já feitos nos quadrinhos de super-heróis. O Rei do Crime descobre a identidiade do Demolidor e resolve destruir sua vida aos poucos, fazendo-o perder tudo que tem. Transformado em mendigo, Matt Murdock precisa dar a volta por cima e proteger a Cozinha do Inferno, bairro onde nasceu. Também merece destaque a arte de David Mazzuchelli.

Batman ano 1
Depois de Cavaleiro das Trevas, qualquer HQ do Batman seria apenas mais do mesmo. Mas Miller e Mazzuchelli mostraram que ainda era possível surpreender. Numa cidade dominada pelo crime, o herói surge com sede de vingança. Acompanhamos passo a passo sua transformação no herói mascarado numa história que amarra muito bem a origem do personagem.

Starman 
James Robinson criou uma narrativa poética e bem elaborada para revonar esse personagem clássico da DC em uma história empolgante.


Super-homem - Para o homem que tem tudo e O que aconteceu com o homem de aço?
O principal personagem da DC iria ser reformulado e Alan Moore implorou para fazer pelo menos uma história com a mitologia do personagem, que seria apagada na reformulação. O resultado foram duas histórias, "Para o homem que tem tudo" (arte de Dave Gibbons) e "O que aconteceu com o homem de aço?" (arte de Curt Swan e Geoge Perez) que mostraram que nostalgia também podia ser revolucionária.

Os supremos 
A obra de Mark Millar e Brian Hitch balançou a Marvel. Era para ser só uma versão alternativa dos Vingadores, mas fez tanto sucesso que se tornou a versão oficial da Marvel no cinema. A sequência incial, do Capitão América na II Guerra é um dos momentos mais empolgantes dos quadrinhos de super-heróis.

1602
Quando Neil Gaiman foi convidado a fazer uma série com os heróis Marvel, todos sabiam que ele não faria algo convencional. De fato, o autor de Sadman bolou uma história muito interessante, com heróis como o Demolidor, Thor e Nick Fury na Inglaterra governada pela rainha Elizabeth.

X-men, de Chris Claremont e John Byrne
Essa dupla representou para a Marvel dos anos 1980 o que foi Jack Kirby e Stan Lee para os anos 1960. A saga da Fênix em especial fez com que os mutantes se tornassem os personagens mais populares das décadas seguintes.

Miracleman, de Alan Moore e vários autores
Miracleman foi uma espécie de laboratório, em que Moore experimentou vários dos conceitos e estilos que viria a adotar em obras posteriores, como Watchmen. Foi também uma obra muito imitada. Sua visão extremamente realista dos super-heróis e, ao mesmo tempo, utópica, com um herói resolvendo, de fato, mudar o mundo, marcaram os quadrinhos.

quinta-feira, junho 10, 2010

Cuca Legal

Marcos Rey, um dos meus autores prediletos, foi um dos grandes roteiristas dos anos 1970. Escreveu do Sitio do Pica-Pau Amarelo às pornochanchadas. E também novelas. O vídeo abaixo é a abertura da novela Cuca Legal, escrita por ele em 1975.

segunda-feira, junho 07, 2010

O bocejo do Zeca Camargo

Normalmente não coloco esse tipo de vídeo aqui. Mas esse realmente é muito engraçado, principalmente pela expressão dele quando percebe que está no ar.

domingo, junho 06, 2010

Benício

Para quem não sabe quem é Benício (citado por mim no post anterior, sobre o Mini Box Lunar), ele é um dos mais importantes ilustradores brasileiros. Suas imagens marcaram o cinema brasileiro nos anos 1970. Também era muito comum ver livros de bolso com arte dele. Existe um livro, de Gonçalo Júnior, sobre ele, infelizmente já esgostado. Quem achar em sebo, compre. Vale a pena. 

MiniBox Lunar no Myspace

O MiniBox Lunar me fez refletir sobre algo que me preocupa muito: o fato dos amapaenses desconhecerem a cultura amapaense e seus artistas. Muita gente se espanta, por exemplo, com o fato de eu escrever para revistas como a MAD. Da mesma forma, o MiniBox é uma banda já famosa no circuito alternativo brasileiro e é desconhecida pela maioria das pessoas em Macapá, infelizmente. Para conhecer um pouco mais da banda, aconselho visitar a página deles no Myspace. Foi de lá que tirei esse belo cartaz de um show deles (lembra Benício, não lembra?).

E-book sobre jornalismo cultural

sábado, junho 05, 2010

Mini Box Lunar

Uma banda interessante amapaense, especialmente para quem curtia o som dos anos 1970. Com vocês, o Mini Box Lunar.

Garcia Lopez: o desenhista que marcou uma época

Na década de 1970 um desenhista fez a maioria das imagens promocionais da DC Comics. Como resultado, a maioria das pessoas na época quando pensava em Super-homem ou Mulher Maravilha, visualizava seus personagens elegantes de sorriso franco. O nome desse mestre era Garcia Lopez, que posteriormente faria o ótimo Esquadrão Atari. No início da década de 1980, a editora Abril lançou um álbum de figurinhas totalmente ilustrado por ele, com alguns cromos metálicos que magnetizaram a garotada. Abaixo, algumas imagens promocionais criadas por ele.

sexta-feira, junho 04, 2010

Psicopatas: Modus operandi e assinatura


         O modus operandi é a forma como o criminoso comete o crime. É dinâmico e maleável e melhora à medida em que o infrator ganha experiência e confiança.
         Um ladrão novato pode entrar em uma casa quebrando a vidraça. Esse é o seu modus operandi. Ele pode perceber que o método anterior é arriscado, pois chama atenção e torna o roubo arriscado e apressado. Numa próxima vez, ele pode levar equipamentos que tornem o arrombamento mais garantido e silencioso, mudando assim seu modus operandi.
         Ao contrário do modus operandi, a assinatura nunca muda, pois faz parte da fantasia do psicopata e é sua forma de dizer que aquele crime é de sua responsabilidade.
         Todo psicopata sente orgulho de suas ações e sente que fez uma espécie de obra de arte. Alessandro Marques Gonçalves, que se fazia passar por médico, não escondeu a cabeça quando foi preso. Ao contrário, deixou-se filmar à vontade.
         O promotor de eventos Michael Alig era querido por todos e foi o grande responsável por difundir a cultura clubber em Nova York, organizando festas itinerantes. Em 1996 ele matou um amigo em sua casa. Quando o corpo começou a feder, ele retalhou-o em pedaços e jogou os restos no rio Hudson. Dias depois num programa de TV, o promotor simplesmente contou o que tinha feito em detalhes, orgulhoso. Os jornalistas não acreditaram, mas pouco tempo depois a polícia achou os resto do corpo no rio.
         Quando Francisco das Chagas, responsável pela morte e esmaculação de vários meninos no Pará e Maranhão, foi preso, um outro preso pediu que ele assumisse o assassinato de uma criança que ele havia matado. Chagas ficou indignado: "Eu não mato desse jeito. Não vou assumir nunca o seu crime. Você paga o seu e eu pago os meus".
         A assinatura é a expressão do orgulho que os psicopatas têm de seus crimes. Em Macapá um assaltante costumava defecar na sala das casas das vítimas. Essa era sua assinatura.
         Alguns exemplos de assinaturas são:
         - Manter atividade sexual em uma ordem específica;
         - usar repetidamente um tipo de amarração em suas vítimas;
         - Infligir a diferentes vítimas o mesmo tipo de ferimento;
         - Dispor o corpo da vítima de uma maneira peculiar e chocante;
         - torturar ou mutilar suas vítimas através de um ritual.
         No filme Seven, a assinatura do psicopata eram as mensagens relacionadas aos sete pecados capitais. Em jogos mortais, a assinatura é o fato do psicopata colocar a vítima em situação em que ela tenha que lutar por sua vida.      

terça-feira, junho 01, 2010

Dança viral

História dos quadrinhos

Guerras secretas


Em 1980, Jim Shotter, editor-chefe da Marvel, queria revolucionar o universo dos quadrinhos de super-heróis com uma história grandiosa. Para isso, ele bolou uma série em 12 partes que mostraria os principais heróis e vilões da editora se enfrentando.
Em Guerras Secretas, uma entidade super-poderosa, denominada Beyonder, cria um planeta e transporta para lá os mais importantes personagens da editora. E avisa: destruam seus inimigos e todos os seus desejos serão realizados.
Os personagens dividem-se entre heróis e vilões e começam os conflitos. Entre os heróis, há estranhamento pela presença de Magneto, um notório vilão dos X-men. Entre os vilões, começam as brigas pela liderança.
Entre os heróis havia vários medalhões da editora, como o Homem-aranha, X-men, Vingadores, Hulk, Coisa. Do lado dos vilões, peso-pesados, como Doutor Destino, Lagarto, Ultron e Galactus. A presença de Galactus no time de vilões tem causado, até hoje, controvérsias. Criado por Jack Kirby e Stan Lee em uma aventura do Quarteto Fantástico da década de 1960, ele é uma entidade cósmica super-poderosa, capaz de devorar planetas inteiros. Sua presença no time de vilões desequilibraria qualquer disputa.
Para desenhar a história foi chamado Mike Zeck, que vinha se destacando nas histórias do Mestre do Kung Fu com seu traço elegante.
A história fez grande sucesso e remodelou a vida de vários personagens da editora. O mais afetado foi o Homem-aranha, que ganhou um uniforme preto, fruto de uma simbiose com um ser alienígena. Posteriormente esse uniforme se transformaria no vilão Venon.
No Brasil a história foi lançada em 1986 para servir de divulgação para a linha de bonecos da Gulliver. Mas os heróis estavam atrasados em relação à cronologia americana e, para adequar essa inconsistência, a série foi cortada e mutilada. Até mesmo personagens, como Vampira e Capitã Marvel, foram apagados e o final da saga foi totalmente modificado para se adequar ao momento que a Marvel vivia no Brasil.

segunda-feira, maio 31, 2010

Psicopatas: fantasias assassinas


         Personalidades psicopáticas constumam se caracterizar por uma grande necessidade de fantasias. Eles fantasiam tudo que vão fazer e têm prazer especial com o planejamento de seus crimes. A fantasia deve continuar depois do crime, razão pela qual muitos guardam lembranças de suas vítimas. Partes do corpo, objetos ou fotos ajudam o psicopata a rememorar os momentos do crime.
         Jeffrey Dahmmer tirava fotos de seus assassinatos.
         Na ficção, em um dos episódios de Arquivo X, o psicopata recolhia objetos das vítimas que pretendia matar. No livro Insônia, Stephen King fala de uma espécie de psicopata fantasma, que tinha uma casa cheia de recordações de suas vítimas.
         É também muito comum em psicopatas históricos de momentos de solidão, em alguns casos por iniciativa própria, em outros uma solidão forçada, em que os psicopatas se divertiam fantasiando sobre seus futuros crimes.
         Big Ed, por exemplo, era trancado no porão por sua mãe, que temia que ele molestasse as irmãs, e passava os dias fantasiando.
         Essas fantasias geralmente são de controle. Como diz Hannibal no filme Silêncio dos Inocentes, o assassinato é só uma consequência, algo fortuito. O assassinato serve ao propósito da fantasia de controle, tanto que muitos só matam suas vítimas quando percebem que não podem mais brincar com elas seu jogo de controle. Outros matam porque não se sentem totalmente no controle enquanto o outro não estiver morto. Depois começam a se divertir.
         Psicopatas comunitários têm fantasias nas quais são grandes políticos, empresários, artistas, pessoas de sucesso, e trazem essa fantasia para a realidade, como Marcelo Nascimento da Rocha, que fingia ser policial.

domingo, maio 30, 2010

As capas francesas de Perry Rhodan

Um interessante vídeo com as primeiras capas francesas de Perry Rhodan. Achei muito bonitas e modernas. Algumas me lembraram Moebius.

Música do dia



Geração 70 
Taiguara

Nós estamos inventando a vida
Como se antes nada existisse
Porque nascemos hoje do nada
Porque nascemos hoje do amor

Nós estamos descobrindo os corpos
Como a manhã descobre as imagens
Como o amor descobre a verdade
Como a canção descobre uma flor

Nós queremos desvendar a tempo
Esse mistério azul de oxigênio
Esse desejo imenso de sexo
Essa fusão de angústias iguais

E nós vamos resistir sem medo
A solidão de um tempo de guerras
E nossos sonhos loucos e livres
Vão descobrir e celebrar a paz.

sexta-feira, maio 28, 2010

Os quadrinhos e o castelo do Graal

No livro HE, o psicólogo norte-americano Robert Johson explica a psicologia masculina através do mito da busca do Santo Graal. O personagem principal é o jovem Percival, um cavaleiro da Távola redonda.

Certo dia, durante suas andanças, ele entrou em um castelo belíssimo e imponente. Era ali que estava o Santo Graal, o cálice usado por Jesus durante a última ceia.
Todos o recepcionaram muito bem e ele se sentiu feliz e maravilhado com os poderes do Graal. O cálice podia, por exemplo, fazer surgir a comida que o convidado desejasse. E podia também curar qualquer ferida.

Na manhã seguinte, quando acordou, ele não encontrou mais ninguém no castelo. Estava completamente abandonado, e ele teve de ir embora.
Percival passaria o resto de sua vida tentando encontrar novamente o castelo do Graal.
Para Robert Johnson, o episódio é uma metáfora de algo que ocorre com todos os jovens durante a fase da pré-adolescência.
Essa é uma fase particularmente difícil, pois o menino não é mais uma criança, mas ainda não é adulto.
Todos os meninos entram no castelo do Graal ao menos uma vez na vida e essa experiência irá marcá-los pelo resto da vida. Assim como Percival, eles passarão o resto da existência tentando voltar para o castelo.
O que tudo isso tem a ver com quadrinhos?
Pare para pensar. Se tem mais de vinte anos e continua gostando de quadrinhos é porque há uma boa lembrança associada a eles.
Em outras palavras: muitas pessoas - e eu entre elas - entraram no castelo do Graal graças aos quadrinhos.
Tenho conversado leitores de gibis e todos eles têm algum episódio semelhante ao de Percival.
José Aguiar, desenhista da Manticore, saía de casa todos os dias de manhãzinha com sua bicicleta e ia direto para um sebo próximo de sua casa, onde ele comprava ou trocava gibis.
Essa experiência o marcou profundamente e eu não tenho dúvida nenhuma de que esse foi um dos fatores que o influenciaram a se tornar desenhista.

Lembro que quando estávamos na sétima série a revista preferida de todos era a Superaventuras Marvel. Nós sabíamos a data em que ela chegava nas bancas e saíamos correndo para ver quem chegava primeiro.
Como tinha pouco dinheiro para comprar gibis, eu usava de um estratagema. Eu conhecia um sebo que ficava próximo da Igreja e que vendia revistas a preço de banana. Eu passava lá todo Domingo e comprava as Heróis da TV, que uma amigo da escola colecionava. Depois eu vendia para ele, pelo dobro do preço, mas antes eu lia e relia a revista e esses momentos eram tão sagrados que me faziam esquecer a chateação que era ser obrigado a ir à igreja.
Aquela experiência - comprar a revista e nem esperar chegar em casa para começar a lê-la - era uma verdadeira entrada no castelo do Graal.
Só com a saga da Fênix foram centenas de entradas no castelo do Graal, até porque os X-Men, assim como a busca do Cálice Sagrado, são um mito sobre o fim da infância (prometo falar sobre isso em outro artigo).
Cada vez que eu leio uma HQ é como se eu estivesse voltando àquela época mágica da pré-adolescência.
E quando escrevo histórias, fico imaginando que talvez eu esteja proporcionando a outros garotos as mesmas sensações que eu sentia lendo quadrinhos.
É interessante notar que o tipo de quadrinho que você lê na pré-adolescência vai influenciar seu gosto pelo resto da vida.
O desenhista Antonio Eder odeia super-heróis. Também, pudera: ele passou toda a pré-adolescência lendo revistas Kripta e nesse período nunca botou os olhos num gibi de super-heróis.
O desenhista Bené Nascimento (Joe Bennet) passou essa fase lendo HQs do Jack Kirby. Hoje ele compra qualquer coisa sobre o velho Jack, até caríssimos fanzines importados.
Pare um instante e pense. Se você gosta de quadrinhos, é bastante provável que você tenha, em algum momento, entrado num castelo do Graal feito todinho de histórias em quadrinhos.

quinta-feira, maio 27, 2010

Psicopatas: A vítima é um objeto


          Outra característica dos psicopatas, tanto os assassino quanto dos psicopatas comuntiários, que vivem de golpes, é a forma como eles encaram suas vítimas. Para eles, todos são objetos e não pessoas. A transformação da pessoa em coisa é que permite a eles aplicarem seus golpes ou simplesmente matarem suas vítimas.
         O filme A Cela mostra um psicopata que transforma suas vítimas em bonecas, coisificando-as.
         Existe uma grande quantidade de relatos de psicopatas que destroem o rosto de suas vítimas ou simplesmente cortam a cabeça como forma de tirar delas a condição de ser humano.      
          Big Ed decapitava suas vítimas. Ted Bundy destroçava o rosto das mulheres que tinham o azar de se deparar com ele.
         No filme O silêncio dos Inocentes a senadora que teve a filha sequestrada por um psicopata faz uma declaração na TV na qual fala repetidamente o nome da filha, numa tentativa de impedir que o assassino a veja como uma coisa.