As biografias se tornaram um dos temas mais discutidos das últimas semanas. O debate foi motivado pela ação de inconstitucionalidade movida pela Associação Nacional de Editores de Livros (Anel) no Supremo Tribunal Federal contra a decisão da Justiça que censurou a publicação de uma biografia do cantor e compositor Roberto Carlos.
Roberto Carlos chegou a pedir a prisão do autor de sua biografia por roubo, alegando que sua história é um patrimônio pessoal e que o biógrafo havia se apossado desse patrimônio. Em seu processo, ele usou o artigo 20 do Código Civil, segundo o qual o uso da imagem de uma pessoa pode ser proibida ou gerar a "indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais". Já o artigo 21, também usado pelos advogados do cantor, dispõe que "a vida privada da pessoa natural é inviolável".
Segundo a Anel, essa interpretação fere o direito constitucional à livre expressão.
O debate teria ficado apenas no campo jurídico se vários artistas, entre eles Caetano Veloso, Giberto Gil, Djavan e Chico Buarque não tivessem embarcado na campanha contra as biografias não-autorizadas. O grupo, chamado de Procure Saber, é capitaneado pela ex-Caetano Paula Lavigne, que saiu metralhando. Segundo ela, escritores e editores ganhavam fortunas com biografias sem repartir os lucros com os biografados. Para os artistas, os biógrafos deveriam não só pedir autorização, como também pagar aos biografados ou a seus parentes.
A atriz Marília Pera saiu em defesa do grupo. Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, ela escreveu que "se o biografado está vivo, ou seus descendentes, um acordo financeiro que remunere aquela exposição deve ser tratado antes. Eu me sentiria honrada se fosse biografada por um escritor de talento que mergulhasse na minha história, desde que ele reservasse um espaço para a minha verdade e que dividisse comigo uma parte dos caraminguás que angariasse com minha vida".
Em tempo: caraminguá significa dinheiro miúdo, mixaria.
A visão de Marília Pera parece estar muito mais próxima da realidade do que a de Paula Lavigne. No Brasil, um país no qual um livro que vende cinco mil exemplares vira best-seller, o mercado editorial é triste. Ninguém fica rico com biografias, nem escritores nem editores.
Os direitos autorais gerados pelas biografias seriam uma verdadeira mixaria comparado ao que Gil, Caetano e Gil ganham com shows. Mas eles parecem estar dispostos a não abrir mão dessa mixaria, como deixou claro Marília Pera.
Mesmo aceitando o ponto de vista do grupo, surge um outro problema: toda biografia se entrelaça a dezenas de outras biografias. É impossível falar de Roberto Carlos sem citar Tim Maia, Erasmo Carlos e Wanderléia. O biógrafo teria que pedir autorização e indenizar todas essas outras dezenas de pessoas.
A luta por esse caraminguá é tão forte que envolveu até mesmo Chico Buarque em uma mentira. Em uma tentativa de desqualificar Paulo Cesar de Araújo, autor da biografia censurada de Roberto Carlos, Chico alegou que o autor havia citado no livro uma entrevista com ele que nunca havia acontecido. No mesmo dia Paulo César publicou não só fotos, como também vídeos da entrevista.
O preocupante de tudo isso é que, se o movimento Procure Saber conseguir realmente seus objetivos, toda a pesquisa histórica brasileira estará comprometida. O alerta foi dado pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro . Afinal, é impossível tratar de história sem falar de personagens. Os artigos do código civil usados para proibir biografias não autorizadas é genérico, e pode ser usado para qualquer tipo de publicação. Assim, o livro sobre ditadura militar pode ser proibido na justiça pelos torturadores do regime, ou mesmo por parentes dos governantes do período se estes entenderem que o livro não lhe é elogioso ou simplesmente porque o autor não pagou direitos aos personagens.
Há pelo menos um precedente nesse sentido, protagonizado por um dos integrantes do grupo Procure Saber: o cantor Roberto Carlos está tentando proibir, na justiça, o livro Jovem Guarda: moda, música e juventude, de Maíra Zimmermann, que teve mil exemplares impressos. O argumento usado pelos advogados do cantor é de que o livro trata da vida de Roberto e, portanto, deveria ser autorizado por ele e pagar direitos. O livro é resultado de uma dissertação de mestrado e analisa como o fenômeno da jovem guarda mudou a juventude da época. Não há detalhes sobre a vida pessoal de Roberto ou dos outros cantores do período.
Mil exemplares de um livro não geram quase que dinheiro algum, ainda mais no caso de uma dissertação de mestrado. Muitos são doados para bibliotecas, muitos são enviados para outros pesquisadores. O dinheiro, quando entra, é pingado. Estamos falando de 200-300 reais. Ou seja: Roberto está brigando por uma soma que equivale a um ingresso de seus shows, em um livro que apenas o cita.
Sou autor do livro Grafipar, a editora que saiu do eixo, sobre a editora curitibana que fez grande sucesso no final dos anos 1970 e início dos anos 1980 publicando quadrinhos eróticos nacionais. Dezenas de artistas colaboraram com a editora, e todos são citados na obra, alguns até mesmo com um breve perfil biográfico, outros com análise da obra. Pelo entendimento do grupo Procure Saber, eu teria que ter a autorização de todos os artistas citados, o que é impossível, até porque alguns deles simplesmente desapareceram. Se fosse necessário pedir autorização e pagar direitos para todos os artistas envolvidos com a editora, essas importante parte da história dos quadrinhos nacionais continuaria no limbo do esquecimento.
A situação é tão dramática que muitos dos mais importantes biógrafos nacionais já declararam que pretendem abandonar o gênero, entre eles Ruy Castro e Fernando Morais.
Lira Neto, finalista do prêmio Jabuti com uma biografia de Getúlio Vargas, declarou ao Estadão que não vai mais escrever biografias. Seu próximo projeto seria sobre de Filinto Müller, chefe da polícia política nos anos de ditadura getulista, acusado de práticas de tortura. "Eu me recuso a fazer uma biografia do Filinto Müller para que um representante de sua família venha à minha porta buscar sua participação nos lucros. Não vou pagar direitos para um torturador."
Esse entendimento da lei pode comprometer até mesmo a produção artística atual. Uma das características da pós-modernidade é justamente as citações e o uso de personagens reais. Os exemplos mais famosos disso no Brasil são os romances Agosto, de Ruben Fonseca (que tem como um dos personagens Gregório Fortunato, segurança de Vargas) e O homem que matou Getúlio Vargas, de Jô Soares. Se ambos tivessem que ter autorização das pessoas citadas, provavelmente esses livros nunca seriam publicados. Aliás, o próprio Caetano, na música "Alegria Alegria" cita a Coca-cola. Não seria aí um caso de infração de direitos?
É triste ver ídolos da música dispostos a comprometer toda a produção histórica brasileira por pura ganância. Como diria Belchior, nossos ídolos estão em casa, guardados por Deus, contando vil metal...
terça-feira, novembro 12, 2013
sábado, novembro 09, 2013
Vídeo viral da Honda
A Honda lançou um vídeo que com certeza vai se tornar um viral. São várias tomadas com ilusões visuais.
Confira abaixo.
Confira abaixo.
sexta-feira, novembro 08, 2013
Abertura de Guerra dos Tronos com cidades do nordeste brasileiro
O publicitário Raphael Goettenauer refez a abertura do seriado Guerra dos Tronos, mas usando as capitais do nordeste. O resultado não é perfeito. Há alguns problemas de textura e cor, mas mesmo assim ficou muito interessante. Confira abaixo.
Lançamento da editora Quadrinhópole no FIQ
O editora Leonardo Santana fala nesse vídeo dos lançamentos de edições curitibanas no Festival Internacional de Quadrinhos, entre eles dois álbuns que participo: Cidade Sorriso dos Mortos Vivos e Clássicos Revisitados. Confira.
quinta-feira, novembro 07, 2013
Mônica Parade homenageia 50 anos da personagem
Já pensou ver um monte de Mônicas espalhadas pela cidade? Pois bem, amanhã será possível, de fato, visualizar essa invasão da personagem pelas ruas!
Em comemoração aos 50 anos da Mônica, a querida personagem criada pelo magnífico Maurício de Sousa, 50 esculturas da nossa amada baixinha, gorduchinha e dentucinha serão expostas pelas ruas de São Paulo a partir de 8 de novembro, ou seja, AMANHÃ!!
A “fofa” intervenção urbana recebeu o nome de Mônica Parade e segue o mesmo conceito da Cow Parade, mostrando o trabalho de artistas escolhidos por Maurício de Sousa. As esculturas são feitas de fibra de vidro, têm 1,60m de altura Leia mais
Lavar as mãos...
Lavar as mãos com sabão é um gesto simples, mas que evita diversas doenças: gripe, hepatite e germes. Lavar as mãos após usar o banheiro, então, é algo obrigatório, algo que se aprende na escola desde pequeno. No entanto, na maioria das escolas do Amapá, simplesmente não existe sabão no banheiro. Dias desses percorri diversos banheiros da Unifap e não encontrei sabão em nenhum. Conversando com minha filha ela me disse que no colegio em que ela estuda (particular, com um preço alto de mensalidade) ela nunca viu sabão no banheiro. Ou seja: nas escolas e universidades aprende-se uma coisa, mas na prática vê-se algo completamente diferente. E, convenhamos, sabão hoje em dia é algo barato. Muito mais barato do que tratar de doenças e muito mais inteligente do que ter que conviver com alunos que faltam por estarem doentes. Às vezes parece que ainda estamos no século XVIII...
Feira do Livro do Amapá
Na semana passada aconteceu em Macapá a 2a Feira do Livro do Amapá - FLAP. Antes já havia acontecido a Pré-FLAP, com a programação percorrendo diversos municípios. Eu tive a oportunidade de ir com a caravana Pré-FLAP para Cutias e foi uma experiência fantástica. Fui falar sobre a Turma da Tribo e foi gratificante ver o brilho nos olhos das crianças, muitas das quais praticamente não tinham contato com quadrinhos.
Durante a semana da feira, Macapá respirou literatura. Eram tantas programações que se tornou acompanhar tudo. E a Casa do Artesão ficou lotada de pessoas comprando e conversando sobre livros. A população aderiu impulsionada pela moeda literária Palavra, mas muita gente estava comprando também no dinheiro.
Dar livro é mais importante que dar comida. É como a história de dar o peixe e ensinar a pescar. Dar comida só faz com que a pessoa fique dependente, dar livros faz com que a pessoa se liberte. Quem lê se saiu melhor na escola, tira melhores notas, consegue melhores empregos. Quem lê se torna mais criativo, mais inventivo e mais inteligente. Nas empresas mais revolucionárias do mundo, como a Aple, os funcionários mais criativos são justamente os leitores de ficção científica e fantasia. Ler tem o poder até mesmo de afastar as pessoas do crime. Nos EUA as empresas que administram as prisões usam um programa que, ao ser informado da quantidade de crianças que costumam ler e as que não costumam, consegue prever quantas vagas serão necessárias nas cadeias.
Ler, ter contato com escritores são ações que mudam uma vida. E ter contato com escritores do Amapá dá aos leitores a ideia de que aqui também se produz cultura, quebrando com o preconceito generalizado de que "o que é bom vem lá de fora".
Claro que o evento pode melhorar (a climatização da Casa do Artesão seria uma boa, assim como a vinda de uma livraria grande), mas muito já feito. A semente já foi plantada. E que venham mais e mais feiras do livro.
Durante a semana da feira, Macapá respirou literatura. Eram tantas programações que se tornou acompanhar tudo. E a Casa do Artesão ficou lotada de pessoas comprando e conversando sobre livros. A população aderiu impulsionada pela moeda literária Palavra, mas muita gente estava comprando também no dinheiro.
Dar livro é mais importante que dar comida. É como a história de dar o peixe e ensinar a pescar. Dar comida só faz com que a pessoa fique dependente, dar livros faz com que a pessoa se liberte. Quem lê se saiu melhor na escola, tira melhores notas, consegue melhores empregos. Quem lê se torna mais criativo, mais inventivo e mais inteligente. Nas empresas mais revolucionárias do mundo, como a Aple, os funcionários mais criativos são justamente os leitores de ficção científica e fantasia. Ler tem o poder até mesmo de afastar as pessoas do crime. Nos EUA as empresas que administram as prisões usam um programa que, ao ser informado da quantidade de crianças que costumam ler e as que não costumam, consegue prever quantas vagas serão necessárias nas cadeias.
Ler, ter contato com escritores são ações que mudam uma vida. E ter contato com escritores do Amapá dá aos leitores a ideia de que aqui também se produz cultura, quebrando com o preconceito generalizado de que "o que é bom vem lá de fora".
Claro que o evento pode melhorar (a climatização da Casa do Artesão seria uma boa, assim como a vinda de uma livraria grande), mas muito já feito. A semente já foi plantada. E que venham mais e mais feiras do livro.
terça-feira, novembro 05, 2013
Filosofia de banheiro
Os quadrinhos não precisam mais que uma ideia espirituosa para encantar, para mexer com a sensibilidade de seu público. Essa é uma das chaves para entender como as tirinhas são tão prestigiadas nos jornais que ainda as publicam. De mero entretenimento, é possível e desejável trabalhar o humor em seu sentido mais transgressor, o que provoca a reflexão, que instiga o leitor a jogar com as releituras que perpassam suas mensagens.
Samuel de Gois trabalha com essa premissa ao criar as pequenas pérolas que publica em blogs e edições independentes. A série de tiras e cartuns que constitui este álbum nos mostra sua capacidade criativa, abordando com sutil ironia as aparentemente banais situações do quotidiano. Mitos, tradições, lugares-comuns são um bom motivo para a desconstrução provocada pelo humor de Samuel, que não poupa nem mesmo as opiniões consensuais.
O título do álbum – Filosofia de banheiro – já demonstra a irreverência do autor, que minimiza a importância de suas tiradas filosóficas, mas que ao fim e ao cabo serve para valorar a despretensão com que é construída sua obra. Sim, se trata de filosofia, ao se considerar a filosofia como um olhar pessoal para as questões que nos cercam. Leia mais
Espiritismo e ciência
Apesar do espiritismo ser relativamente conhecido na
sociedade brasileira, um aspecto seu é pouco dilvugado: a relação da doutrina
espírita com a ciência. Ao contrário de outras religiões, que negam as
descobertas científicas, o espiritismo sempre se valeu tanto das descobertas
quanto de sua metodologia.
O fundador do espiritismo, Allan Kardec, era um educador
famoso na época e influenciado por toda uma herança intelectual que vinha do
iluminismo, em especial o filósofo francês Jean Jacques Rousseau, e tinha
encontrado seu auge no positivismo de Augusto Conte.
Curioso, Kardec teve sua atenção despertada para o fenômeno
das mesas girantes, sensação na época, em que mesas se elevavam no ar e
respondiam às perguntas dos presentes com batidas no chão. Kardec analisou o
fenômeno e percebeu que as respostas demonstravam inteligência e concluiu: “Se
todo efeito tem uma causa, o efeito inteligente tem uma causa inteligente”.
Portanto, as mesas girantes agiam sob orientação de espíritos inteligentes. A
forma como demonstrou sua conclusão revela suas origens científicas. Desde os
primeiros pesquisadores, a ciência tem procurado observar variáveis,
identificando relações de causa e conseqüência.
Descartes dizia que a origem do conhecimento está na dúvida
e Kardec vai aplicar essa máxima ao seu estudo e na estruturação da nova
religião. Durante séculos, o conhecimento religioso foi visto como intocado,
mas a ciência, segundo Kardec, havia saltado com pés juntos sobre os erros e
preconceitos. “Neste século de emancipação intelectual e de liberdade de
consciência, o direito e exame pertence a todo mundo, e as Escrituras não são
mais a arca santa na qual ninguém ousa tocar os dedos sem o risco de ser
fulminado”, escreveu ele no livro A Gênese.
Em sua análise, Kardec usou o que pregavam os cientistas da
época, o método indutivo: “Não (se) colocou como hipótese nem a existência e
intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem nenhum
dos princípios da Doutrina; concluiu(se) dos Espíritos quando essa existência
se deduziu, com evidência, da observação dos fatos; e assim os outros
princípios. Não foram os fatos que vieram confirmar a a teoria, mas a teoria
que veio, subseqüentemente, explicar e resumir os fatos”, afirmou ele em A Gênese.
O método indutivo, em que se estuda vários casos singulares,
para só então chegar a uma conclusão universal, foi posteriormente criticado
por Karl Popper, mas na época de Kardec era o que havia de mais avançado no
método científico. Tivesse vivido algumas décadas mais tarde, o criador do
espiritismo provavelmente teoria usado o método hipotético-dedutivo de Popper,
em que o cientista cria uma teoria e depois a testa em confronto com os fatos,
procurando não confirmá-la, mas falseá-la.
Com o desenvolvimento da mediunidade, passou-se a estudar
não só o fenômeno das mesas girantes, mas também a psicografia e os médiuns que
incoporavam espíritos. Kardec levava, então, para as sessões, perguntas
metodologicamente preparadas, com um encadeamento de assuntos. O resultado ele
analisava, comparava, destacava as incoerências, e não simplesmente acreditava
no que era dito. Nesse sentido, sua técnica lembra muito o primeiro princípio
de Descartes segundo o qual não se deve aceitar como verdadeira uma coisa que
não se conhecesse evidentemente como tal.
À indagação sobre o porquê da existência de encarnações
sucessivas, a obra kardecista responde que o objetivo é a evolução espiritual.
Depois de sucessivas encarnações, a alma iria avançando como uma criança que
passa de uma série a outra na escola. A resposta tem sinais claros de
influência da teoria da evolução de Charles Darwin. Enquanto a maioria das
religiões da época combatiam ferozmente Darwin, Kardec o usava como referência
para explicar sua doutrina.
A importância das descobertas e métodos científicos para a
nova doutrina ficam expostos no livro O Céu e o Inferno:“O que falta (à
religião) neste século de positivismo, em que se procura compreender antes de
crer é, sem dúvida, a sanção de suas doutrinas por fatos positivos, assim como
a concordância das mesmas com os dados positivos da Ciência. Dizendo ela ser
branco o que os fatos dizem ser negro, é preciso optar entre a evidência e a fé
cega”.
Em oposição à fé cega, Kardec propõe aos adeptos do
espiritismo a fé raciocinada, em que se deve sempre questionar, comparando a
doutrina com os fatos e a lógica.
Se, no seu surgimento, o espiritismo bebe nas fontes do
racionalismo cartesiano, do física newtoniana, do positivismo de Conte, nada
impede que hoje ele beba em outras fontes, igualmente científicas, como a
teoria do caos, a física quântica e a teoria da complexidade.
quinta-feira, outubro 31, 2013
Feira do livro do Amapá
Estou um pouco sumido daqui do blog e uma das razões são as muitas programações na Feira do Livro do Amapá. A cidade está respirando literatura e sou convidado de muitos eventos dentro da feira. Ontem por exemplo, participei de uma mesa sobre Livros Virtuais. Amanhã volto a falar sobre o assunto em uma palestra em conjunto com o Rômulo Barbosa, diretor financeiro da Navras, editora que cuida dos meus livros virtuais. A palestra ocorre às 11 horas, no auditório da Escola de Administração Pública (atrás da Praça do Coco). Quem estiver interessado no assunto, anote na agenda. Enquanto isso, deixo vocês com algumas fotos da mesa redonda.
terça-feira, outubro 29, 2013
Programação FLAP
Pensei em colocar a programação da Feira do Livro do Amapá aqui no Ideias, mas é tanta coisa que eu não daria conta. Assim, fica a dica: Entrem no blog da FLAP e acompanhem tudo que vai acontecer.
domingo, outubro 27, 2013
Pra onde foi Jaqen H´ghar?
Paulo Zab é meu aluno no curso de Jornalimo da Unifap. Influenciado por nossas conversas, ele acabou comprando o box das Crônica de Gelo e Fogo e se tornou um aficcionado pela série, o tipo de pessoa que lê tudo com atenção, pescando todas as referências do texto e formulando teorias sobre o desenvolvimento da trama.
Neste ele escreve sobre sobre um dos personagens mais misteriosos da série:
Jaqen diz ser de
Lorath. Sua aparição remete ao final do primeiro livro, quando Yoren, um irmão
da Patrulha da Noite que andava pelos Sete Reinos recrutando gente para vestir
o negro, retirou alguns criminosos das masmorras de Porto Real para levar para
a Muralha. Ele estava nas selas negras, que não são feitas para criminosos
comuns. Seus companheiros de sela, Rorge e Dentadas demonstraram ser verdadeiros
merecedores de tais instalações, mas os motivos que levaram Jaquen a estar lá
ainda são desconhecidos.
“- Um homem não
escolhe os companheiros nas celas negras - disse o bonito, com o cabelo
vermelho e branco. Qualquer coisa no jeito como falava lembrou-lhe Syrio; era o
mesmo, mas ao mesmo tempo diferente. - Estes dois não têm educação. Um homem
tem de pedir perdão. (A Fúria dos Reis)”
Ele é um
personagem muito interessante e intrigante. Gosto muito quando ele fala coisas
como “Um homem sabe. Um homem vê”. Sua forma de se expressar como “Rapaz,
querido rapaz, amável rapaz”, quando deveria estar desesperado com o incêndio
que iria torra-lo na carroça era interessante. Vejo Jaqen como um tipo de gênio
da lâmpada e com certeza gostaria de saber o que ele anda fazendo e pra onde
ele foi. Será que Martyn já trouxe o personagem secretamente à história, assim
como fez com Arstan Barba-Branca, que se revelou ser nada mais nada menos do
que Sor Barristan Selmy, o Ousado?
As informações
que coletei, juntamente com algumas pistas, me dão duas possibilidades, mas
antes vamos ver as informações relevantes:
“Era o mais novo
dos três, esguio, com traços delicados, sempre a sorrir. Tinha o cabelo
vermelho de um lado e branco do outro, todo embaraçado e sujo da cadeia e da
viagem. (A Fúria dos Reis).”
Jaqen não era um
criminoso aparente. Ele tinha maneiras e era bem apessoado. Uma coisa que chama
a atenção é a dualidade das cores de seus cabelos. Se fosse das cores preto e
branco ao invés de vermelho e branco poderíamos fazer uma afirmação mais
categórica com a aparência dos servos do deus de muitas faces de Bravos, mas a
cor vermelha pode fazer uma referência mais direcionada a ser um servo do deus
vermelho.
“- O Deus
Vermelho tem as suas obrigações, querida menina, e só a morte pode pagar pela vida.
Esta menina roubou três que eram dele. Esta menina deve dar três para o lugar
das que roubou. Diga os nomes, e um homem fará o resto. (A Fúria dos Reis)”.
No templo do
deus de muitas faces existem deuses de todos os tipos. Tudo porque a cidade de
Bravos tem as condições históricas para tal situação. É uma cidade cheia de vielas
e de templos. Por isso, nada impede de seus servos também fazer referências a
Hollor e aos Sete. Mas vem a pergunta, poderíamos afirmar que Hollor é o deus
vermelho? Ou estaríamos confundindo o termo por causa de seus Sacerdotes
Vermelhos? Se for assim Jaqen é um tipo que é um sacerdote vermelho, além de
conhecer outros deuses.
“Qualquer coisa
no jeito como falava lembrou-lhe Syrio; era o mesmo, mas ao mesmo tempo
diferente (A Fúria dos Reis)”.
Já neste trecho do
livro o autor faz referência a Syrio Forel, que era um homem de Bravos. Acho
que aqui podemos ter boas pistas de quem é ou pra onde foi Jaqen. Faria sentido
afirmar que Syrio, após a luta com Sor Meryn Trant, acabara sendo capturado ou
deixado capturar e assim enviado para as selas negras. Lá ele pode ter mudado
seu rosto para o de Jaqen. A missão da “pernonalidade Syrio”, que seria a de
dar o treinamento inicial à Arya havia acabado e por isso o mesmo teve de
morrer. Syrio sabia que se tivesse acontecido algo ao seu pai ela ficaria
sozinha e sem proteção.
Outro fato
importante foi o de Jaqen, apesar de ser dito que era de Lorath, acabou dando
como referência a Arya uma moeda de Bravos, afirmando que “Se chegar o dia em
que quiser voltar a me encontrar, dê essa moeda a qualquer homem de Bravos e
diga-lhe as seguintes palavras... Valar Morghulis. (A Fúria de Reis)”.
Essa foi uma das ultimas palavras que ele deu à Arya, mas chegando até
Bravos o lugar onde Arya foi parar demonstrou ser onde ela realmente poderia
aprender a utilizar os poderes que tanto lhe chamou a sua atenção: O de mudar
de rosto e o de matar, mas o próprio sacerdote da casa não conhecia o nome
Jaqen. Talvez por ser apenas mais um nome que havia adotado ou por ele
realmente não ter conhecido o sacerdote, o que acho bem difícil, pelo fato de
haver poucos.
Achei também que Jaqen poderia ter sido o primeiro homem sem rosto, mas
antes de Arya lhe aplicar uma peça pelo fato de ter seu ultimo pedido, ela
pergunta se mataria qualquer pessoa e em um dos momentos ele diz o seguinte “O antepassado de
um homem está morto há muito tempo, mas se vivesse, e se dissesse o seu nome,
morreria às suas ordens.”. Achei aqui que esse antepassado poderia ter sido o
primeiro homem sem rosto. Um antigo escravo de Valíria e não os pais de Jaqen
(considerando que ele seja um homem de meia idade e não uma criatura antiga).
Talvez Jaqen não tivesse realmente a intenção de ficar em Bravos e sim
somente ensinar Arya, que tinha ficado estupefata depois da transformação:
A boca de Arya escancarou-se:
- Quem é você?
- sussurrou, estupefata demais para sentir medo. - Como fez isso? E difícil?
Ele sorriu, revelando um cintilante dente de ouro:
- Não é mais difícil do que adotar um novo nome, se
se souber como.
- Mostre-me - ela exclamou. - Também quero fazer
isso.
- Se quiser aprender, tem de vir comigo.
Arya ficou hesitante.
- Para onde?
- Para longe, para lá do mar estreito.
- Não posso. Tenho que ir para casa. Para
Winterfell.
- Então temos de nos separar, pois também tenho
deveres a cumprir - ele levantou sua mão e pôs uma pequena moeda em sua palma.
- Tome.
- O que é isto?
- Uma moeda de grande valor.
Arya mordeu-a. Era tão dura que só podia ser de
ferro.
- Vale o suficiente para comprar um cavalo?
- Não se destina à compra de cavalos.
Jaqen disse que tinha uma missão, mas também poderia mostrar o caminho
no templo em Bravos, mas isso não quer dizer que ele ficaria lá ou muito menos
que sua missão era além do Mar Estreito.
Ele foi para a Vilavelha
Aqui fiquei
passado com a descrição do Prólogo do Festim dos Corvos e com o tal alquimista
que envenena Pate, que é um personagem fracassado e de baixo nascimento da
Cidadela. É chamado de filho de criador de porcos. A referência bate com a
descrição da nova face de Jaqen.
“- Morrer? -
ela perguntou, confusa. O que ele queria dizer? - Mas eu desdisse o nome. Agora
não precisa morrer.
- Preciso. Meu
tempo chegou ao fim - Jaqen passou uma mão sobre o rosto, da testa ao queixo, e
por onde a mão passou ele mudou. As maçãs do rosto tornaram-se mais cheias,
os olhos mais apertados; o nariz entortou-se, uma cicatriz surgiu na Bochecha
direita onde não havia nenhuma antes. E quando sacudiu a cabeça, seu longo
cabelo liso, meio vermelho e meio branco, dissolveu-se para revelar um gorro de
apertados caracóis negros. (A Fúria de Reis)”
Com um
personagem que muda de rosto o tempo todo, podemos afirmar que o mesmo pode ser
qualquer um, mas se procurarmos uma referencia ou pista nada melhor do que um
personagem que tenha uma cicatriz na bochecha direita e um cabelo preto
encaracolado. Muitas pessoas não tinham se tocado ainda, mas ele pode estar na
Cidadela. Ele é o alquimista que matou Pate:
“Pate tirou a moeda da mão do outro. O
ouro parecia‐lhe morno contra a pele da mão. Levou‐o
a boca e trincou‐o, como vira os homens fazer. Em boa
verdade, não tinha a certeza de qual era suposto ser o sabor do ouro, mas não
queria parecer um tolo.
— A chave? — inquiriu educadamente o
alquimista.
Algo levou Pate a hesitar.
— É algum livro que quereis? — Dizia‐se
que alguns dos velhos pergaminhos valirianos trancados nas caves eram as únicas
cópias que sobreviviam no mundo. Era apenas um homem, e o seu rosto era
apenas um rosto. Um rosto de jovem, comum, com faces cheias e a sombra de uma
barba. Uma ténue cicatriz entrevia‐se na bochecha direita. Tinha um nariz
adunco, e uma densa cabeleira preta que
se encaracolava, bem apertada, em volta das orelhas. Não era um rosto que
Pate reconhecesse. (O Festim dos Corvos)”.
Um individuo que
Pate não conhecia, mas também com uma cabeleira encaracolada “bem apertada” negra
e uma cicatriz do lado direito do rosto. Estava querendo a chave de uma sala,
onde só os arquimeistres da cidadela tinham acesso e ainda por cima de um lugar
cheio de pergaminhos valirianos. No final do livro, ele está na sala do
arquimeistre Marwin:
“Sam fitou a
estranha chama pálida por um momento, após o que pestanejou e afastou o olhar. Do
lado de lá da janela estava a escurecer.
— Há uma cela
vazia por baixo da minha na torre ocidental, com uma escada que leva
diretamente aos
aposentos de Walgrave — disse o jovem de cara macilenta. — Se não te importares
com o barulho dos corvos, tem uma boa vista sobre o Vinhomel. Serve?
— Suponho que
sim. — Em algum sítio tinha de dormir.
Eu levo‐te
algumas mantas de lã. Paredes de pedra ficam frias durante a noite, até mesmo
aqui.
— Obrigado. —
Havia algo no pálido e suave jovem que lhe desagradava, mas não queria parecer
descortês, de modo que acrescentou. — O meu nome não é mesmo Matador. Sou Sam.
Samwell Tarly.
— Eu chamo‐me Pate — disse o outro
— como o criador de porcos.”.
Vejo que Jaqen, na
continuidade de sua “missão”, acabou indo parar na Cidadela onde encontrou não
só Marwyn, mas também informações importantes a respeito de valíria e de suas
antigas magias. Podemos considerar também o fato da vela feita de obsidiana,
que provavelmente deve ter outras correspondente em todo mundo, e que poderia
ter sido usada para se comunicar com Jaqen ou algum membro de sua ordem. Marwyn
é um tipo de Mago, que é conhecido por dialogar com as mais variadas figuras e
que com certeza se interessaria pelas habilidades de Jaqen. Podemos também
considerar a possibilidade de Marwyn ser o mesmo Moqorro, que é um sacerdote
vermelho que no momento está servindo Victarion, mas que deve estar usando o
pirata apenas como um recurso para chegar até Daenerys.
Daario Naharis
“Ele sorriu,
revelando um cintilante dente de ouro:” (A Fúria de Reis)
Jaqen também pode ter
ido se encontrar com Daenerys para além do Mar Estreito, como havia dito para Arya.
No momento de sua transformação quando Arya se oferece para aprender suas
habilidades. Ele afirma que a ensinaria, se o acompanhasse, mas Arya ainda acha
que pode voltar a Winterfell. A suspeita de Jaqen ter se transformado em Daario
perpassa também pela série de TV, onde o mercenário participa de um sorteio
entre os capitães dos Corvos Tormentosos. Uma moeda de Bravos é utilizada para
o sorteio. Ao retirar a moeda ele sorri e diz “Valar Morghulis”. Fora isso, a
única referência direta na aparência são os dentes de Ouro:
“Daario Naharis era
extravagante até mesmo para um tyroshi. Sua barba era cortada na forma de uma
forquilha de três dentes e pintada de azul, da mesma cor dos olhos e dos
cabelos encaracolados que caíam sobre seu colarinho. Os bigodes pontiagudos
estavam pintados de dourado. A roupa era toda em tons de amarelo; uma nuvem de
renda de Myr da cor da manteiga jorrava do colarinho e das mangas, o gibão era
decorado com medalhões de latão com a forma de dentes-de-leão, arabescos
ornamentais em ouro subiam até suas coxas pelo cano das botas altas de couro.
Luvas de suave camurça amarela estavam enfiadas num cinto de anéis dourados, e
tinha as unhas pintadas de azul.”
Aqui nesta parte
já se pode ver que o cabelo não é negro, mas todos sabem que em Tyrosh os
homens pintam o cabelo. Como disse Sor Jorah, “Até na barba tem cores falsas”.
A referência do dente de ouro aparece mais adiante:
“Khaleesi -
gritou [Daario]-, trago presentes e alegres novas. Os Corvos Tormentosos são
seus. - Um dente de ouro cintilou em sua boca, quando sorriu. - E Daario
Naharis também!”.
Após ter estado
em Westeros e visualizar muitos terrores das guerras, o Homem Sem Rosto acabou
vendo que seu objetivo não estava no continente e acabou retomando seu rastro
entrando para a companhia de mercenário e chegando até sua liderança.
A exemplo das
habilidades de Jaqen, Daario também tem uma grande facilidade em matar, sendo
que ainda não foi visto como ele luta. De qualquer forma, não é qualquer pessoa
que chamaria tanto a atenção da mãe de dragões. E ele mata todos as pessoas que
Daenerys manda matar.
Paulo Zab
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