quarta-feira, março 23, 2016

Festival Guia Dos Quadrinhos inicia coleção histórica de cards


Em 2016, o Festival Guia dos Quadrinhos traz uma surpresa especial para seus visitantes: o evento dará início a uma coleção com dez cards que trarão capas e informações sobre as mais famosas revistas em quadrinhos lançadas no mercado brasileiro.
As revistas homenageadas neste ano serão: O Tico-Tico nº1 (Editora O Malho, 1905); Suplemente Juvenil nº1 (Editora GCSN, 1934); Gibi: Edição de São João (Editora O Globo, 1942); Raio Vermelho nº1 (Editora Abril, 1950); Pererê nº1 (Editora O Cruzeiro, 1960); Zé Carioca nº479 (Editora Abril, 1961); O Vigilante Rodoviário nº1 (Editora Outubro, 1962); Capitão América nº1 (Editora Abril, 1979); Chiclete com Banana nº1 (Editora Circo, 1985) e Akira nº1 (Editora Globo, 1990).
Todas essas revistas representam momentos históricos para o mercado de quadrinhos no Brasil e deram início a títulos de longa duração, que marcaram época. A coleção de cards trará detalhes e curiosidades sobre as revistas.
A coleção não será vendida, mas distribuida gratuitamente aos visitantes do Festival Guia dos Quadrinhos. Mas, atenção: as quantidades são limitadas! Apenas os primeiros visitantes a chegarem ao evento, nos dias 9 e 10 de abril, receberão os conjuntos completos com 10 cards. Os visitantes que comprarem ingressos antecipados para o evento garantirão seus conjuntos de cards, enquanto as quantidades durarem. O segundo lote de ingressos, já à venda, poderá ser comprado online até 25 de março pelo site www.guiadosquadrinhos.com/festival/ingressos.
Idealizada pelo organizador do evento, Edson Diogo (também criador do site Guia dos Quadrinhos, o maior portal sobre histórias em quadrinhos lançadas no Brasil) a coleção pretende trazer novos conjuntos de 10 cards a cada edição anual do Festival Guia dos Quadrinhos. Ao longo dos anos, os visitantes terão à sua disposição cards com informações que traçarão um painel da trajetória dos quadrinhos no Brasil desde seus primórdios.
Considerado por muitos como o evento nerd mais divertido de São Paulo, o Festival Guia dos Quadrinhos ocorrerá no Club Homs (Avenida Paulista, 735), um dos mais tradicionais centros de evento de São Paulo, próximo ao metrô Brigadeiro. Entre outras atrações, o evento terá seu tradicional Mercado de Pulgas, com vendas de quadrinhos, mangás e outros colecionáveis; um Centro de Artistas, com o melhor da produção nacional de HQs na atualidade; debates; workshops para desenhistas; quiz nerd; exposições de arte, um leilão beneficente de artes originais e artistas convidados de renome internacional. A organização é de Edson Diogo e do jornalista e editor de quadrinhos, Maurício Muniz.

Serviço:
Festival Guia dos Quadrinhos 2016
Quando: 9 e 10 de abril
Horário: das 11h às 21h (dia 9) e das 10h às 20h (dia 10)
Onde: Club Homs – Avenida Paulista, 735 (estação Brigadeiro do metrô)
Ingressos na porta: R$ 30,00
Ingressos com desconto:
www.guiadosquadrinhos.com/festival/ingressos


sexta-feira, março 18, 2016

Festival GUIA DOS QUADRINHOS dobra de tamanho em 2016

O tradicional evento de quadrinhos será realizado na Avenida Paulista e contará com 70 expositores, 28 mesas de artistas e muitas atrações em dois dias de diversão. Os ingressos com desconto já estão à venda na internet



Criado em 2009, o Festival Guia dos Quadrinhos é único entre os eventos de cultura pop do Brasil. Só ele abre espaço para stands nos quais colecionadores podem trocar e vender quadrinhos raros e outros ítens fora de linha que não são encontrados em nenhum outro lugar.
Mais expositores!
Nos últimos anos, o evento também abriu espaço para editoras, sebos e lojas especializados em produtos nerds e mangás, lojas de brinquedos e, principalmente, para artistas de quadrinhos brasileiros. Para sua edição de 2016, o Festival Guia dos Quadrinhos foi transferido para um novo espaço e dobrou a capacidade de seu Mercado de Pulgas. A última edição do evento, em 2015, teve 35 expositores e 9 mesas de artistas. Mas, para este ano, o evento trará 70 expositores diversos e 28 mesas de artistas com o que há de mais atual na produção de quadrinhos nacional.
Artistas convidados!
Pela primeira vez, o evento também terá quatro artistas convidados, que participarão de debates sobre quadrinhos, venderão seus trabalhos e autografarão suas obras para os fãs. São quatro profissionais que trabalham tanto para o mercado brasileiro quanto para editoras estrangeiras e são astros da nona arte: Ivan Reis (Liga da Justiça, Aquaman); Julia Bax (Daikiri, X-Men: Primeira Turma), Felipe Massafera (Lanterna Verde, Superman) e Danilo Beyruth (Astronauta: Magnetar, Gwenpool).
Exposições de arte!
O evento terá duas exposições de arte. Uma apresentará artes originais do desenhista homenageado desta edição, o premiado Laudo Ferreira, autor de obras como Yeshuah e O Estranho Mundo de Zé do Caixão. A outra exposição homenageará o clássico seriado Batman, de 1966, com bastidores, curiosidades e fotos raras da série, além de artes criadas por artistas brasileiros especialmente para a ocasião.
Leilão Beneficente!
Outra novidade desta edição do evento será um leilão beneficente de artes originais doadas por desenhistas de quadrinhos como Roger Cruz e Joe Bennett em prol do quadrinista Cadu Simões (criador do personagem Homem-Grilo), que enfrenta problemas de saúde. Esta é a chance de muitos fãs levarem para casa belíssimas peças de arte exclusivas e, de quebra, ainda ajudar em uma ótima causa.
E muito mais!
Também fazem parte da programação dos dois dias do Festival Guia dos Quadrinhos 2016 outras atividades, como workshops para aspirantes a desenhistas; avaliação de portfolios; concurso de cosplay; debates e palestras sobre quadrinhos, cinema e TV e Quiz Nerd com prêmios para os acertadores.
Pelas atividades que proporciona a seus visitantes e pela interação que promove entre profissionais do entretenimento e o público, o Festival Guia dos Quadrinhos é chamado por muitos de “o evento nerd mais divertido de São Paulo” e é uma ótima pedida para adultos, jovens e crianças. Logo será divulgada a programação completa do evento.
Ingressos já à venda!
Já é possível garantir presença no Festival Guia dos Quadrinhos 2016! Ingressos com desconto já estão à venda em www.guiadosquadrinhos.com/festival/page/ingressos, mas também estarão disponíveis para venda na porta, nos dois dias do evento!
Organizado por Edson Diogo; designer gráfico e criador do site Guia dos Quadrinhos (www.guiadosquadrinhos.com) e pelo jornalista Maurício Muniz, especializado em cultura pop, o Festival Guia dos Quadrinhos 2016 terá lugar no Club Homs (Avenida Paulista, 735) nos dias 09 e 10 de abril. Local de fácil acesso, próximo ao Metrô Brigadeiro, o Club Homs é um dos mais famosos centros de eventos de São Paulo.
Serviço:
Festival Guia dos Quadrinhos 2016
Quando: 9 e 10 de abril
Horário: das 11h às 21h (dia 9) e das 10h às 20h (dia 10)
Onde: Club Homs – Avenida Paulista, 735 (estação Brigadeiro do metrô)
Ingressos na porta: R$ 30,00
Ingressos com desconto:
www.guiadosquadrinhos.com/festival/ingressos

quinta-feira, março 17, 2016

Gian Danton lança livro de terror na Gibiteca de Curitiba


Um som aterrador soa pela cidade. Quem o ouve tem seu cérebro modificado e se transforma num zumbi, governado pelos instintos mais básicos e violentos do ser humano. Essa é a premissa de O uivo da górgona, livro de terror de autoria do roteirista de quadrinhos Gian Danton financiado pelo Catarse que será lançado dia 25, na Gibiteca de Curitiba, às 19 horas. Na ocasião haverá também um debate sobre financiamento coletivo com a presença da autora Má Matiasi, que recentemente publicou seu livro O feiticeiro também via Catarse.
Gian Danton é roteirista de quadrinhos desde 1989. No começo da década de 1990 ficou famosa sua parceria com o desenhista Joe Bennett, em especial nas histórias de terror lançadas em revistas como Calafrio e A hora do crepúsculo. No ano 2000 escreveu a graphic novel Manticore, que transformava o fenômeno chupa-cabra numa trama de horror e ficção-científica e faturou diversos prêmios. Nos últimos anos, além de quadrinhos, tem se dedicado à literatura, participando de diversas antologias de fantasia e terror. Seu primeiro romance, Galeão, é uma história de fantasia sobre um navio à deriva no Atlântico.
O uivo da górgona, embora seja literatura, tem um estilo que ecoa as tiras de quadrinhos com capítulos curtos que terminam em uma situação de suspense que é desenvolvida no capítulo seguinte: “O uivo é resultado de um apanhado de referências, desde meu interesse pelo cérebro humano e os comportamentos coletivos até narrativas como O Eternauta, do roteirista argentino Oeterheld, em que o suspense é usado como elemento fantástico”, explica Gian Danton.
Na história, pessoas que ouvem determinado som têm as células do neocórtex destruídas e passam a ser governadas pelo complexo reptiliano, num comportamento violento e puramente instintivo.
Outra atração do projeto é a belíssima capa do desenhista paranaense João Ovitzke, pouco conhecido no meio editorial, mas dono de um traço que combinou perfeitamente com a história de terror. O livro tem 294 páginas e será vendido ao preço promocional de 30 reais.
Na ocasião do lançamento, Gian Danton e Má Matiasi debaterão sobre o financiamento coletivo como alternativa para publicação de livros. Má Matiasi é autora do livro de fantasia O Feiticeiro, uma saga de ficção fantástica que acompanhará a vida de Andy Mideline, nativo da pequena aldeia de Ecklacia que se descobre portador de poderes inimagináveis. A obra também estará à venda durante o evento.

SERVIÇO
Lançamento do livro O uivo da Górgona
Onde: Gibiteca de Curitiba

Quando: 25 de março, às 19 horas. 

Sérgio Moro, seja patriota


terça-feira, março 15, 2016

O dia em que o presidente militar virou piada internacional


Em 1968, a Rainha da Inglaterra presenteou o presidente militar brasileiro Costa e Silva com um faqueiro de ouro. Agora, descobriu-se que na verdade, o tal faqueiro de ouro é só uma bugiganga falsa do tipo que se encontra baratinho em sites de venda de réplicas. Ou seja: a Rainha da Inglaterra deve estar rindo até hoje do presidente caipirão que foi incapaz de perceber a diferença entre um faqueiro de ouro de verdade e um faqueiro falso. 
O episódio deixa claro que para as autoridades da época o regime militar brasileiro era uma grande piada. 
Para conhecer a história inteira, clique aqui. 

Normam Rockwell


segunda-feira, março 07, 2016

A irracionalidade fascista


Quando morávamos em Belém, eu o amigo Alan Noronha costumávamos conversar sobre nossos futuros filhos. Como deveriam ser, como não poderiam ser etc. No final, sempre uma conclusão: como quer que fossem, aceitaríamos bem, desde que não fossem fascistas.
Na época não tínhamos filhos, mas um garoto-prodígio que conhecíamos fazia as vezes de filho substituto. O Charles desenhava incrivelmente bem com 14 anos, aprendera japonês sozinho, era um superdotado óbvio. Talvez por não ter tido filhos, o Alan continuou tendo-o como um filho por muitos e muitos anos, mantendo contato, aconselhando-o.
Embora eu tenha me afastado fisicamente, sempre me lembrava com carinho do garoto superdotado que conhecemos em Belém e que parecia ter um grande futuro pela frente. Assim, foi com muita tristeza que tanto eu quanto o Alan o vimos transformar-se, pouco a pouco, num fascista, deixando-se seduzir pelo canto da sereia do autoritarismo bolsonariano.
É triste ver alguém brilhante ir trilhando os caminhos da irracionalidade e do fanatismo político, na ideia de um salvador da pátria que, obedecido cegamente, irá livrá-lo de todos os problemas. Tive que bloqueá-lo. Depois o Alan.
Agora é com tristeza que o vejo comentando em meu blog em um post em que explico o que é uma teoria científica. E ele: "seus artigos são como um crime contra a humanidade". Pelo comentário, vejo que ele já foi totalmente dominado pela irracionalidade e fanatismo a ponto de achar a ciência e o método científico um crime. É triste ver alguém que parecia ter tanto futuro, alguém que considerávamos um filho, descer a esse nível.

Janela indiscreta


Janela indiscreta (Alfred Hitchcock, 1955) é um dos melhores filmes da história do cinema. Uma verdadeira aula de cinema (e, se você souber fazer as conexões necessárias, de quadrinhos).
Para quem não conhece a história, trata-se de um fotógrafo impossibilitado de sair de casa após quebrar uma perna que se diverte observando os vizinhos, até presenciar o que acha ter sido um assassinato.
A sequência inicial é uma ótima demonstração da força narrativa das imagens. A câmera passeia pelo conjunto de prédios e nesse passeio, sem que nenhuma palavra seja dita, conhecemos tanto o ambiente da história quanto seus personagens, suas manias, características, suas histórias. É um filme com múltiplas narrativas paralelas que são acompanhadas em sequências praticamente mudas, em que ouvimos uma ou outra frase. No final, uma outra sequência de imagens mudas fecha a narrativa e nos mostra o que aconteceu com cada um dos personagens.
É também um filme sobre a força da sugestão. Tudo é mais sugerido do que mostrado - a começar pelo próprio assassinato, que em nenhum momento é mostrado.
Exemplo dessa sugestão é a rua, lá fora, que é entrevista apenas por um pequeno corredor. Provavelmente havia cenário apenas no trecho que pode ser visto pelo expectador, mas este imagina a rua inteira.
Cinema, como quadrinhos, é a arte de mexer com a imaginação do receptor.
Em tempo: Janela Indiscreta está na programação Clássicos Cinemark e passará novamente quarta-feira à noite.

sábado, fevereiro 13, 2016

O que é uma teoria?


É comum ouvir dos detratores da teoria da evolução a frase: "A evolução é apenas uma teoria". Com isso eles querem dizer que a teoria da evolução não é científica, ou é apenas imaginação, ou ainda que é falsa.
Mas o que é uma teoria? Para entender o que é uma teoria é importante entender o que é o método científico. Atualmente um dos guias mais aceitos pela ciência é o hipotético-dedutivo, de Karl Popper. Popper dizia que só é ciência aquilo que pode ser falseável, aquilo que passa pelo teste do falseamento.
O cientista faz uma hipótese qualquer (Todos os cisnes são brancos, por exemplo) e vai a campo testar essa hipótese, procurando provas de que ela é falsa .
Se a hipótese sobrevive a esse teste de falseamento, ela deixa de ser uma hipótese e torna-se uma teoria. Isso significa que aquele conhecimento é para sempre, que uma teoria é uma verdade eterna e incontestável? Não.
Em ciência, nada é para sempre. O que é verdade hoje, pode ser falseado amanhã. Mesmo uma teoria que tenha sobrevivido durante séculos, pode cair diante de um novo dado.
Em outras palavras: na ciência TUDO É TEORIA. Mesmo as chamadas leis, fenômenos regulares que parecem mais do que comprovados (como a gravitação) podem um dia ser falseados (quem sabe um dia descobrimos uma parte do universo que nos mostre que a explicação de Newton estava errada?).
Essa é a diferença entre ciência e religião: a religião trata de um conhecimento eterno, imutável, incontestável, baseado essencialmente na fé. Quem acredita que o universo foi criado por deus em seis dias vai morrer acreditando nisso. Religião não precisa de observação empírica. Você não precisa ver Deus para acreditar em Deus. Ninguém diz: "Ah, claro, eu acredito em Deus. Ontem mesmo encontrei com ele no ônibus".
Já a ciência trata de um conhecimento transitório, mutável, contestável, baseado na observação. Ou seja: a ciência muda o tempo todo. O que é verdade hoje, pode não ser verdade amanhã de acordo com novas observações.
Então: sim, a evolução é apenas uma teoria. Da mesma forma que a teoria dos jogos, que a teoria do caos, que a teoria da gravitação universal. Se você quer ciência, aceite que tudo é teoria, transitório, contestável. Se quiser verdades universais, busque a religião.

terça-feira, fevereiro 09, 2016

A proposta libertária

Dias desses fiz uma postagem sobre o juiz parado na blitz da lei seca que processou a agente de trânsito que disse que ele não era Deus (recentemente a sentença foi confirmada e a agente terá de pagar 5 mil reais de indenização ao juiz). Para meu espanto, alguém viu a postagem e comentou que o tal juiz era um anarquista. Mais: defendeu que a corrupção que vemos hoje é resultado do anarquismo. Chegou a dizer que estávamos rumando para uma ditadura anarquista. Seria mais ou menos como dizer que vegetarianos têm como objetivo fazer as pessoas comerem carne. Expliquei (ou ao menos tentei) a ele o equívoco do uso da expressão só para descobrir que ele era um defensor da “intervenção militar constitucional”. Ao final, deixou uma ameaça: “Quando acontecer a intervenção, saberei onde te encontrar”. 

Embora seja interpretado equivocadamente como sinônimo de bagunça, desordem e até de ditadura (razão pela qual muitos preferem a expressão “libertário”), o anarquismo é uma doutrina política heterogênea que engloba os mais variados grupos e filosofias, que vão do socialismo revolucionário ao capitalismo. O anarquismo capitalista, por exemplo, é representado pelo libertarianismo, uma corrente neo-liberal que prega a ideia de estado mínimo e imposto mínimo, com mínima intervenção do estado na vida dos indivíduos e na economia. Outro exemplo é Gandhi, que foi fortemente influenciado pelos ideias anarquista e tornou célebre a estratégia da resistência civil e da não-violência (vale lembrar que Gandhi nunca quis ocupar nenhum cargo público).

Unindo essas diversas correntes, uma ideia básica: a de que o estado será sempre ocupado por pessoas que usaram o poder em benefício próprio e que quanto mais concentrado o poder estiver nas mãos de algumas pessoas, pior será para a sociedade. Em contrapartida, quanto mais distribuído o poder, melhor para todos. Em outras palavras: a ideologia libertária é o oposto do fascismo, seja ele de direita ou esquerda.

Filosoficamente podemos remontar às teorias de Hobbes e Rousseau.

Hobbes argumentava que o homem é o lobo do próprio homem. De forma simplista: o homem é mau. Se não houver alguém fiscalizando-o, impedindo-o de praticar o mal, o homem inevitavelmente irá enveredar pelas maiores barbaridades. Esse pensamento, na época, serviu de desculpa para os regimes absolutistas. Se o homem é mau, justifica-se a existência de um rei todo poderoso para manter a sociedade sob controle e impedir que as pessoas se matem umas às outras. Essa é a premissa básica do fascismo.

Rousseau, ao contrário, dizia que o homem é, originalmente bom. Se ele se torna mau, é porque foi corrompido pela sociedade. Em outras palavras: as próprias estruturas criadas para impedir a maldade humana, na verdade acabavam provocando-a. 

Em outras palavras: o poder corrompe e quanto mais poder alguém tiver, mais corrupta essa pessoal será. A ideia básica da proposta libertária é de que o poder é uma droga, que vicia, e o viciado fará de tudo para permanecer no poder. O fascismo é baseado na coersão. Essa coerção pode ser a simples ameaça de violência física ou, o que é muito mais efetivo, a ameaça de não pertencer ao grupo. Relatos de observadores do nazismo dizem que os comícios de Hitler eram pensados para criar um sentimento grandioso de grupo e fazer com que os que não pertenciam a esse grupo se sentissem excluídos e culpados. A “grande Alemanha estava sendo construída” e quem não era nazista estava de fora desse sentimento.

Um exemplo dessa conformidade ao grupo foi a experiência levada a cabo pelo psicólogo Solomon Asch na década de 1950. Ele reunia em uma sala oito pessoas, oito das quais eram atores orientados a dar respostas erradas. Em seguida, eram mostrados dois cartões. Um deles mostrava uma linha e, no outro, três linhas de tamanhos diversos, uma das quais era igual ao do outro cartão. O psicólogo perguntava qual era a linha que correspondia ao tamanho do outro cartão. Ao verem todo o grupo darem a resposta errada, mesmo em uma situação tão clara, a maioria das pessoas acompanhava o grupo. Apenas 25% contrariava o grupo e dava respostas certas. 

O experimento mostrou como a coerção do grupo pode levar as pessoas a fazerem algo nitidamente errado. É impossível ler sobre esses e outros experimentos sem lembrar a ideia de Rousseau, de que o ser humano é corrompido pela sociedade. Quanto maior a concentração de poder dessa sociedade, maior o poder de uma ou algumas poucas pessoas terão sobre o grupo e maior a coerção que exercerão. 

Se o fascismo é baseado na coerção, a proposta libertária é baseada na consensualidade. A liberdade individual, inclusive liberdade de pensamento, é um elemento mais relevante que a adesão ao grupo. A pessoa participa do grupo porque quer, não porque foi coagida a isso. 

O fascismo é a base ideológica de todas as ditaduras e regime totalitários, tanto de esquerda quanto de direita. Já a visão libertária deu origem desde o movimento de resistência civil de Gandhi e Martin Luther King às proposta de democracia semi-direta, como na Suécia e Suíça, em que cidadãos comuns podem propor leis e até pedir o impeachment de governantes. Não por acaso, a Suíça era a terra natal de Rousseau. 

domingo, fevereiro 07, 2016

Uivo da górgona na Zoobie Walk


O autor do livro O Uivo da Górgona também participou da Zombie Walk Curitiba.

O que o carnaval pode aprender com a zombie walk?

Zombie Walk é um evento que ocorre em Curitiba todo ano na época do carnaval (afinal, o carnaval em curitiba é "morto-vivo!).
É um evento família, cheio de crianças. Álcool e drogas são desestimulados (algumas pessoas estavam bebendo, mas não era nada ostensivo, nitidamente não era esse o objetivo das pessoas que estavam ali) e, embora houvesse um carro de som, não havia som alto, nada que incomodasse.
Este ano não foi registrada nenhuma ocorrência. Também não havia nudez.
Em suma: era um evento que você poderia ir com a família inteira e curtir, fazer maquiagem (havia várias mesas de pessoas que ofereciam o serviço), fotografar, apreciar a criatividade das fantasias.
Também é um evento barato, que gasta pouquíssimo dinheiro público. O carro de som, cartazes nas paradas, nada comparado os milhões gastos nos desfiles de carnaval - afinal, a maior atração eram as próprias pessoas que participavam.
Um evento barato, divertido, seguro, familiar. Quem dera o carnaval também fosse assim.

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

A solução para a adoção por casais gays

O Brasil tem 150 mil crianças órfãos, esperando por adoção. Bolsonaro tem 500 mil eleitores só no Rio de Janeiro. Se cada um adotasse uma criança, não sobrava uma única criança para ser adotada por um gay.
Se Bolsonaro realmente estivesse interessado no bem-estar dessas crianças era muito fácil resolver o problema.

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Um quarteto clássico


Quem hoje em dia vê o Quarteto Fantástico naufragar no cinema filme após filme dificilmente poderia imaginar que esse pequeno grupo de super-heróis foi durante muito tempo o que havia de mais interessante e revolucionário nos quadrinhos americanos de super-heróis. A coleção histórica Marvel, recentemente lançada pelo Panini, serve como exemplo disso.
O Quarteto surgiu em 1961, graças a uma partida de golfe. Martin Goodman, dono da Marvel (que na época chamava-se Atlas) jogava com Jack Liebowitz, dono da National (atual DC Comics) e Liebowtiz se vangloriou que a revista da Liga da Justiça, lançada recentemente, estava se tornando um sucesso absoluto entre os jovens leitores.
Goodman correu para a Marvel e pediu para seu editor-chefe, Stan Lee, que criasse um grupo de heróis aos moldes a Liga: unindo heróis da Era de Ouro.
Lee, à essa altura, estava pensando em abandonar os quadrinhos e se dedicar à literatura. Queria propor algo diferente, mas achava que o chefe não iria aceitar. Foi sua esposa que o encorajou a apresentar a nova ideia. Afinal, o máximo que poderia acontecer seria ele ser demitido, algo que ele já queria.
A ideia de Lee era um grupo totalmente diferente de heróis, humanizados, com histórias dotadas de cronologia e que nem mesmo usavam uniformes ou máscaras (posteriormente eles usariam um informe azul, mas sem máscaras). Surpreendentemente, o dono da Atlas aceitou e assim surgiu o Quarteto Fantástico.
 Além da continuidade, dos heróis bidimensionais (em oposição aos heróis unidimensionais da DC da época), Stan Lee e Jack Kirby criaram uma série de tirar o fôlego, em que a ação acontecia de maneira ininterrupta e ganchos e mais ganchos seguravam o leitor e o deixavam se fôlego.
Provavelmente o melhor exemplo disso seja o volume dois da coleção histórica, dedicado aos confronto do Quarteto com Galactus. Dizem que a sinopse, escrita por Stan Lee para a história foi: “O Quarteto enfrenta Deus!”. E de fato era um deus, um ser tão poderoso que se alimentava de planetas. Essa história elevou o nível dos vilões. Se antes eles queriam roubar um banco, ou dominar um país, esse singrava as estrelas e tinha tanta consideração pela humanidade quanto um ser humano tinha por uma formiga.

O volume apresenta histórias de duas fases, ambas escritas por Lee, mas com dois desenhistas diferentes. Na primeira fase, Jack Kirby imprime seu traço simples, mas potente, de ação pura. Na segunda fase, John Buscema imprime elegância aos desenhos e dá o visual que seria definitivo do Surfista Prateado, que havia sido colocado na primeira história como um simples coadjuvante, que deveria desaparecer depois. Dizem que Stan Lee viu o desenho e viu ali um ser nobre, um profeta ou filósofo das estrelas, mas essa nobreza só foi alcançada no traço de Buscema em um trabalho tão fantástico que deu origem à revista do personagem, de vida curta, mas que virou cult entre os leitores.