sábado, agosto 29, 2020

Quem foi Edgar Allan Poe?


Edgar Allan Poe é um dos mais importantes escritores norte-americanos e considerado pai não só dos relatos de terror, mas principalmente das narrativas policiais. Seu poema O Corvo é considerado um dos mais importantes da literatura norte-americana. Além de ter influenciado decididamente gêneros populares, como a ficção-científica, o terror e o policial, Poe também influenciou grandes escritores, como o argentino Jorge Luís Borges.
Poe nasceu em 19 de janeiro de 1809. Era filho de atores de teatro. O pai abandonou a família e a mãe morreu de tuberculose. O rapaz foi, então, adotado por John Allan, próspero comerciante da cidade de Richmond.
Quando era adolescente, Edgar apaixonou-se pela mãe de um amigo. A paixão era correspondida, mas impossível na sociedade puritana da época. A mulher acabou se matando. Esse fato marcou definitivamente os textos do autor, que sempre tinham algo de mórbida paixão.
Poe tentou a carreira militar, mas foi expulso por indisciplina e passou se dedicar exclusivamente à literatura. A publicação de seu poema O Corvo o transformou em astro literário. Posteriormente, ele escreveu uma análise do processo de criação de seu próprio poema, inaugurando a crítica literária nos EUA.
O escritor chocou o país ao se casar com a prima Virgínia, de apenas 13 anos, que morreu jovem.
Essa sucessão de fatos tristes fez de Poe o maior representante do romantismo mal do século, especialmente nos seus contos de terror.
Poe criou um tipo de terror em que nada de realmente terrível parecia acontecer, senão no interior dos personagens. Nos seus contos não havia monstros ou demônios, exceto os do espírito, como na história O demônio da perversidade. Nesse, um homem comete um crime perfeito. Só uma coisa poderia delatá-lo: o impulso incontrolável de gritar aos quatro ventos a própria culpa.

Os personagens de Poe eram perturbados e românticos como ele mesmo: gente apaixonada e impulsionada por seus delírios depressivos. 

sexta-feira, agosto 28, 2020

Processos midiáticos

A apropriação é uma das possibilidades de interação com o produto original.


O interesse no estudo do processo de comunicação surge justamente no período em que, na maior parte do mundo, os meios de comunicação de massa afloraram. As análises passaram de uma visão autoritária, da mídia como toda poderosa, às propostas de meios interativos. Hoje, a linha de pesquisa em processos midiáticos abre a porta para possibilidade de ver todos os meios como interativos, inclusive aqueles que são vistos como de sentido único.
Durante muitos anos, a mídia foi vista como uma flecha, de sentido único e autoritário, a exemplo do que pregava a teoria hipodérmica. Essa visão de uma mídia toda poderosa influenciou muito a corrente apocalíptica, que via as novas mídias, tais como o cinema e o rádio, como estando a serviço do autoritarismo.
Uma tentativa de tirar das novas tecnologias esse caráter autoritário surge com as propostas de interação. Assim, se existem veículos de sentido único, existem também mídias que permite um feedeback ativo, a exemplo do MSN, do chat e do e-mail.
Esse  modelo dialogal de interação será criticado por José Luiz Braga (2006). Para ele, todos os processos midiáticos permitem interação.
Sua proposta de interação não se prende apenas à possibilidade de resposta ao emissor por parte do receptor. Existe também a possibilidade de interação receptor-produto  e receptor-sociedade ou sociedade-produto.
Esse modelo quebra totalmente com a ideia hipodérmica de receptor passivo.
Uma das formas de interação pode ser configurada na apropriação. Se existem pessoas que recebem os produtos da mídia de forma passiva e a-crítica, existe aqueles que reconfiguram sua simbologia, numa atitude que lembra a música Geração Coca-cola, do Legião Urbana (Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês). Utilizar um símbolo da mídia e reconfigurar seu significado, como a Coca-cola, é uma forma de interação.
Mesmo quando não é uma crítica negativa, essa resignificação pode ser uma forma de apropriação. Em um texto eu meu blog, eu faço uma relação do seriado Terra  de Gigantes com paradigmas científicos, uma discussão que provavelmente não estava nos planos dos criadores do mesmo. O fato de não sabermos se os protagonistas diminuíram de tamanho e estão em um mundo de pessoas com estatura normal, ou se estão de fato numa terra de gigantes abre espaço para discutir a teoria da relatividade, a física quântica e o relativismo filosófico.
Formas mais elaboradas de interação podem ser encontradas nos fanfics, em que fãs interagem com a obra original, mostrando outras possibilidades de interpretação. O fanfic O portal das probabilidades, de minha autoria, por exemplo, introduz a teoria do caos no universo da série alemã de ficção científica Perry Rhodan.
Claro que essa possibilidade de interação com os MCM é tanto maior quanto maior for a capacidade crítica dos indivíduos. Daí a importância, levantada por Braga, da criação de um sistema crítico.
Quanto mais preparadas estiverem o indivíduo e a sociedade, melhor a sua capacidade de interação e menores as chances de manipulação ou de recepção ingênua (se está publicado, é porque é verdade). Setores organizados da sociedade podem ter importância fundamental nesse processo.
Exemplo recente dessa possibilidade de interação crítica aconteceu com a publicação de uma reportagem da Veja contrária à demarcação de terras indígenas (A farra da antropologia oportunista). Um antropólogo citado na matéria veio a público denunciar que a revista teria inventado uma entrevista com ele. A revista argumentou que a citação fora tirada de um dos livros do pesquisador. Este contra-argumentou que a citação fora deturpada para  servir aos interesses  da publicação.
O SBPC lançou uma nota pública de repúdio à Veja e de apoio ao antropólogo. No Twiter,  surgiu a tag #boicoteveja, que pretendia aglutinar casos semelhantes de manipulação. Blogs, num processo de apropriação, fizeram capas fictícias da Veja, denunciando o perfil manipulador das matérias da revista. Numa delas, por exemplo, aparecia Darth Vader com o título “Ele salvou você”. Na mesma capa, sob uma imagem do mestre Yoda, a legenda: “Descoberto o líder espiritual dos terroristas rebeldes”.

Mocumentário: testando as fronteiras entre a realidade e a ficção


Um gênero cinematográfico que sempre suscitou discussões sobre a questão da realidade-ficção foi o documentário. Em uma abordagem mais clássica, o documentário é visto como o oposto da ficção, reproduzindo a bipolaridade ficção-realidade.
            Mas um novo gênero surge exatamente para contestar essa diferenciação: o mocumentary (ou, aportuguesando, mocumentário). 
            Provavelmente o primeiro exemplo célebre de mocumentário tenha sido Zelig, de Woody Alenn, de 1983. O pseudo-documentário é ambientado na década de 1920 e fala sobre Leonard Zelig, um um homem que tem a capacidade de mudar sua aparência para se adequar ao meio. Se ele está no meio de mafiosos, começa a se parecer com mafiosos, se está no meio de médicos, parece um médico. É um verdadeiro camaleão humano.

Uma das estratégias usadas para diluir o limite entre realidade e ficção é o uso de pessoas reais, como a escritora Susan Sontag, o psicólogo Bruno Bettelheim, que, com seus depoimentos, reforçam a verossimilhança da narrativa. O filme ainda usa outros recursos de documentários, como imagens de cinejornais, fotos da época e até mesmo áudios das consultas do protagonista com sua psicóloga (devidamente acrescidos de ruídos que os tornam mais realistas).
O mocumentário, portanto, testa os limites entre o ficcional e o real, entre o documentário e a ficção, levando o espectador a indagar-se até que ponto essa separação é válida.
Atualmente há vários exemplos famosos de mocumentários. Entre eles destaca-se o filme Borat, e o seriado Modern Family.
Borat, filme dirigido por Sasha Baron Cohen, de 2006, satiriza o modo de vida americano ao apresentar “O segundo melhor repórter do glorioso país Cazaquistão viaja à América”, como diz seu subtítulo, que vai aos Estados Unidos aprender sobre o modo de vida daquele país.
Como elemento reforçador dessa sátira, o ator permanece no personagem mesmo quando dá entrevistas de divulgação do filme.

Modern Family é um seriado criado por Christopher Lloyd e Steven Levitan. A série mostraria as gravações de um cineasta europeu que no passado havia feito um intercâmbio na casa dos Pritchett e decidiu retornar aos Estados Unidos para fazer um documentário sobre “sua família americana”. Após a recusa de outras produtoras, a ABC resolveu produzir a série, mas com a condição de que a trama do diretor fosse retirada da história, ficando apenas as ações das três famílias e seus depoimentos para a câmera, que comentam e costuram os acontecimentos.
O enorme sucesso de público e de crítica (o seriado já está na sétima temporada e já recebeu 15 prêmios Emmy) despertou atenção para o gênero mocumentário, mostrando sua importância atual.

Embora não utilize totalmente a linguagem dos documentários, os depoimentos para a câmera e a abordagem sobre temas recentes (como a liberação do casamento gay) criam um clima de verossimilhança próprio dos documentários ou reality shows. Seu sucesso é indício da familiaridade da audiência com obras que testam os limites entre o ficcional e o real.  

Qual a origem da lenda do vampiro?


Alguns autores acreditam que a palavra vampiro venha do húngaro. Outros acreditam que seja mais antiga, e venha da palavra turca urbe (feiticeiro). Em todo caso, a lenda dos vampiros surgiu, no Ocidente, por volta do século XVII.
As pessoas acreditavam que os vampiros eram as almas dos suicidas e dos bandidos condenados à morte. Segundo a tradição, seus corpos não se decompunham até completarem o período de vida pré-estabelecido. Assim, eles despertavam no meio da noite e saiam em busca de vítimas para sugar-lhes o sangue. Depois de saciados, eles voltavam para o túmulo e ficavam em animação suspensa, até que a fome os levasse a matar novamente.
A imagem dos vampiros nessa época era associada a pessoas com lábios leporinos, cabelos nas palmas das mãos, olhos azuis e cabelos vermelhos.
Voltaire escreveu sobre vampiros no seu Dicionário Filosófico. Segundo ele, "Estes vampiros eram corpos que saem das suas campas de noite para sugar o sangue dos vivos, nos seus pescoços ou estômagos, regressando depois aos seus cemitérios.".
No Oriente, o mito é ainda mais antigo. Eles já aparecem na peça ¨As rãs¨, do grego Aristófanes. Essa vampira teatral era a filha de Hecate que seduzia homens para se alimentar de seu sangue e permanecer sempre bela e jovem.
Acredita-se que o mito do vampiro tenha chegado à Europa pela rota da seda, espalhando-se principalmente entre os eslavos. Nessa época, os vampiros eram fantasma de pessoas mortas, principalmente bandidos, bruxas e suicidas. Na mesma época, o cristianismo e o mito vampiresco foi se adaptando à nova crença. É quando surge, por exemplo, a idéia de que o crucifixo seria uma arma contra sugadores de sangue.
Segundo a tradição, a única forma de matar definitivamente um vampiro era descobrir o seu túmulo e enfiar uma estaca em seu coração.
Durante séculos os vampiros eram nada mais que monstros. A imagem do vampiro sexy só surgiria depois, com o romance Drácula, de Bran Stocker.

Ofizine

Em 1993, nas calouradas do curso de Comunicação da Universidade Federal do Pará, me convidaram para ministrar uma oficina de fanzine. Eu ainda era aluno da universidade e acho que fui o único estudante a ministrar oficina.
A oficina fez tanto sucesso que quando eu saí de Belém, outras pessoas continuaram, inclusive egressos desse primeiro curso. O resultado prático foi o Ofizine, que, pelo que me disseram, teve várias edições.
Certa vez estava na rodoviária de Londrina, após participar do congresso Intercom quando uma moça veio convesar comigo. Disse que tinha participado daquela primeira oficina e tinha gostado muito e ainda guardava o fanzine que havíamos feito. Quando a encontrei de novo, na feira do livro de Belém, ela já tinha feito concurso e era professora do curso de comunicação da UFPA – e ainda lembrava dessa oficina.

Wilson Aragão, Raul Seixas e a história de CAPIM GUINÉ!

Black Hammer



Confesso que tive mais de uma oportunidade de comprar um exemplar de Black Hammer, série de Jeff lemire e Dean Ormston. Mas eu achava estranha a capa do primeiro número e não conseguia decifrar o que era aquilo: super-heróis? Terror? Uma mistura? Mas um amigo me convenceu a comprar o primeiro número (valeu, Rodrigo Bandeira!).
Black Hammer conta a história de um grupo de heróis que, ao derrotar o maior vilão de todos os tempos (o Antideus), acabam sendo misteriosamente exilados em uma pequena cidade. Nenhum deles sabe o que há além das fronteiras do local, pois o único que tentou ultrapassá-las aparentemente morreu. Dessa forma, vivem vidas normais enquanto tentam descobrir onde estão, como vieram parar ali e como voltar para o mundo normal.
No posfácio da edição, Lemire conta que criou Black Hammer porque achava que nunca teria a oportunidade de trabalhar com “super-heróis de verdade”. Na época ele estava fazendo uma série alternativa sobre uma cidadezinha, o condado de Essex e a nova série prometia unir esse amor por histórias sobre pequenos povoados com a paixão por super-heróis.
A Dark Horse se interessou pelo projeto, mas a série só engrenou anos depois, quando Lemire já estava escrevendo “super-heróis de verdade”.  E o motivo foi a entrada de Dean Ormston. “O que torna Dean Pefeito para Balck Hammer é que a arte dele é muito diferente dos quadrinhos tradicionais”, escreve o roteirista. De fato, é uma arte que causa o estranhamento que relatei no início deste texto.
As capas são homenagens a gibis clássicos. 

Black Hammer é herdeira direta de Watchmen e Miracleman, ambos de Alan Moore, mas consegue encontrar um ponto de vista diverso dentro da proposta de mostrar super-heróis como pessoas normais. Colocá-los dentro de uma fazenda, numa pequena cidade, dá uma outra perspectiva para o assunto. Ali, cada um se depara com problemas. É Abraham Slam apaixonado por uma garçonete, mas com medo de levá-la até a fazenda, é a menina de ouro vivendo as arguras de mulher de 50 anos preso no corpo de uma menina... esse contexto muito pé no chão é entremeado por sequencias de flash back, com esses personagens na sua versão super-heroiesca. É muito nítido que esses flash backs são claras homenagens a quadrinhos clássicos, como o Capitão Marvel de CC Beck ou o Capitão América de Jack Kirby e Joe Simon. Aliás, as próprias capas são na maioria das vezes homenagens a gibis clássicos.
Lemire consegue equilibrar muito bem esses dois aspectos: o de aprofundamento psicológico e de heroísmo. O desenhista Dean Ormston funciona muito bem para esse aprofundamento psicológico (embora, pessoalmente, eu teria colocado outro artista mais convencional para as sequencias heroiescas para criar na arte o mesmo contraste do texto).
Enfim, é uma leitura instigante.

quinta-feira, agosto 27, 2020

Psicopatas: sob controle

Muitos psicopatas só se sentem no controle quando mantam suas vítimas

A necessidade de controle é uma das características básicas de psicopatas. Todo psicopata é obcecado pela idéia de controlar outras pessoas.
            Jeffrey Dahmer, por exemplo,  injetava ácido no cérebro de suas vítimas na tentativa de transformá-las em zumbis escravos sexuais.
         A maioria dos psicopatas mantém a vítima presa por longos períodos antes de matá-la. Nesse período, a vítima é humilhada e degradada para mostrar quem está no comando. O ritual que os psicopatas costumam fazer suas vítimas seguirem é uma forma de firmar esse controle.
         Recentemente foi descoberto na Áustria o caso de um psicopata que seqüestrou uma menina e a manteve prisioneira em seu porão durante oito anos. Durante oito anos ele se sentiu plenamente no controle da situação, dominando completamente a pobre menina.
         Alguns psicopatas só sentem que têm controle sobre a vítima depois que estão mortas, então a matam e depois começam seu ritual.
         Percebe-se a procura de controle por parte do psicopata na escolha do local, do roteiro a que ele submete as vítimas, das armas que ele traz consigo e do tipo de mutilação.
         Dayton Leroy Rogers atacou uma menina de 15 anos com uma faca. Foi preso e colocado num programa de reabilitação. Tempos depois, começou a matar prostitutas. Ele as levava a locais remotos da floresta. Então amarrava as vítimas e iniciava um ritual de humilhação detalhado e metódico.Havia falas de texto que elas deveriam declamar. Ele retalhava seus pés e seios e se masturbava sobre eles. Essa era sua forma de mostrar que estava no controle.
         O gigante Big Ed costumava andar com a cabeça de suas vítimas no porta-malas de seu carro, mesmo quando ia se encontrar com policias ou com o psicólogo da custódia, como forma de mostrar para si mesmo que estava no controle.
Essa necessidade de controle faz também com que psicopatas se aproximem de pessoas que exercem funções de controle na sociedade. Policiais, políticos e altos executivos são amigos preferenciais de psicopatas. Big Ed, por exemplo, era amigo de todos os policias da cidade onde praticava seus crimes e tinha uma moto e um carro parecidos com os da polícia.

O sono da razão produz monstros


A Espanha foi, durante séculos, o país mais conservador da Europa. Não por acaso, foi também o local em que a Inquisição matou mais pessoas. Judeus, ateus, heréticos e pessoas que se desconfiava serem bruxos eram levados pela cidade de Madri em momentosos autos de fé, antes de serem mortos.
O fanatismo religioso parece ser o principal tema da litogravura “O sono da razão produz monstros”, uma das gravuras mais famosas de todos os tempos. Como o próprio título sugere, a mensagem é: quando a razão adormece, surge o terror.

Na tela, o próprio Goya está sentando, adormecendo, em posição incômoda. Sobre a sua cabeça surge uma revoada de seres sombrios: morcegos, corujas e outros animais indefiníveis. Aos pés do artista, um lince observa, olhos esbugalhados, as aparições.
A composição se tornou um símbolo de horrores externos e internos e tem sido objeto das mais diversas análises. Nos quadrinhos a gravura causou impacto ao ser usado por Alan Moore e Steve Bissett em uma história do Monstro do Pântano.
A gravura da foto se encontra no Museu de Belas Artes de Buenos Aires.

A lenda do vampiro

As lendas de vampiros são muito antigas e aparecem em diversos povos. Muitas delas estão associadas ao beijo. Acreditava-se que, através do beijo, era possível roubar a vida de uma pessoa.
Alguns povos africanos acreditavam que o beijo era um ato diabólico e que a pessoa beijada teria sua alma absorvida.
Entre os astecas, o beijo simbolizava a oferta ritual de uma pessoa que seria sacrificada aos deuses.
Em muitas culturas, o sangue simboliza a vida, a paixão, o poder e a força. A cor vermelha é historicamente associada tanto ao perigo quanto ao sexo. Na época da ditadura e da censura, as revistas masculinas podiam mostrar muito pouco, os fotógrafos estouravam a cor vermelha para dar mais sensualidade às fotos. A relação com o perigo ficou claro numa campanha contra a violência no trânsito que mostrava um sinal de trânsito vermelho se transformar numa bolsa de sangue.
Assim, o ato do vampirismo é uma troca de fluídos, como o sexo, e como no sexo, o líquido trocado é ligado à vida. Mas, por outro lado, é também associado ao medo. É possível que o fascínio dos vampiros esteja justamente na associação de vida e morte, sexo e horror. Eros (deus grego do amor e do erotismo) e Thanatos (encarnação grega da morte), representam justamente essas duas facetas da realidade que parecem se unir no mito vampiresco. 

Assim, o mito do vampiro fala sobre verdades universais que são igualmente tabus e com as quais os adolescentes precisam lidar, embora muitas vezes não possa lidar diretamente com elas. 

O homem-máquina de Barry Widsor-Smith



O homem-máquina é um personagem terciário da Marvel. Um daqueles heróis que só apareciam como coadjuvantes em histórias de outros personagens mais famosos. No entanto, em 1984, ele ganhou uma minissérie em quatro partes realmente memorável.
A razão dessa série ser tão memorável pode ser resumida em um nome: Barry Widsor-Smith.
A minissérie se passava no ano de 2020 (futuro longíncuo naquela época) e mostrava um robô em uma fábrica descartando uma caixa antiga, que é enviada para o lixão. Lá são resgatados pelos sucateiros, foras da lei especializados em coletar lixo tecnológico para construir suas próprias máquinas.
Mas a descoberta faz com que eles sejam duramente perseguidos por Sunset Bain, a proprietária da Baintronics, a empresa que monopoliza o mercado mundial de robótica. A caçada inclui até mesmo um Homem de Ferro numa versão futurista.
O roteiro é de Tom DeFalco e, como se vê, não é nenhuma obra-prima, embora seja divertido e tenha algumas boas sequências. Mas, como disse, o diferencial é Barry Widsor-Smith. No começo, a HQ tinha esboços de Herb Trimpe e apenas a finalização era do desenhista britânico. Mas no último número ele assumiu totalmente a arte e mostrou porque é considerado um dos melhores artistas do mercado americano de todos os tempos. Widsor-Smith era muito detalhista – e a história de um homem máquina era o elemento perfeito para ele demonstrar toda a sua aptidão. Em uma das sequencias de luta, o herói perde boa parte do revestimento da cabeça e vemos uma profusão de fios, circuitos e peças que, curiosamente, conseguem dar personalidade a uma máquina.
A história vale também como curiosidade sobre como se imaginava 2020 no ano de 1984. Por um lado o roteiro acerta, ao mostrar pessoas viciadas numa espécie de rede social. Por outro lado, temos carros voadores, motos voadoras e toda uma tecnologia que ainda está muito longe de ser alcançada.
Essa história foi publicada no Brasil em heróis da TV e, mais recentemente, pela Panini numa edição com uma linda capa de Widsor-Smith com detalhes metálicos que valorizam ainda mais o desenho.

A origem do Capitão América

      Depois da I Guerra Mundial e a cri­se 1929, que outro tipo de catás­trofe poderia se abater sobre o mundo? A II Guerra Mundial.
    O mundo tinha um vilão que, apesar de não ter saído das páginas dos gibis, tinha várias se­melhanças com personagens de quadrinhos: era ridículo e extrema­mente maligno. Chamava-se Hitler e o grande sonho dos garotos da América era ver um herói dando um soco em suas fuças. Foi essa a idéia que o rotei­rista Joe Simon teve. Martin Goodman, chefão da Timely (atual Marvel) gos­tou tanto da idéia que resolveu lançar uma revista às pressas. O artista esco­lhido para ilustrar essas histórias foi Jack Kirby - que logo se tornaria uma lenda, influenciando toda a geração de desenhistas da futura Marvel.
    Simon e Kirby sabiam que tinham ouro nas mãos, tanto que fizeram várias exigências. O personagem deveria estrear em revista própria, e não em uma antologia. Os criadores ficariam com 15% dos lucros e teriam cargos assalariados, como editor e diretor de arte. Goodman concordou com tudo.
      O primeiro número chegou às bancas em fevereiro de 1941 e foi um sucesso. A primeira edição se esgotou em poucos dias. A edição seguinte foi de um milhão de exemplares e também esgotou. O Capitão América tornou-se o gibi mais vendido do período da guerra, mas também provocou muita polêmica. Joe Simon conta que a editora foi inundada por uma torrente de cartas de ódio e telefonemas obscenos cujo teor era: “morte aos judeus!”.  O prefeito de Nova York mandou uma guarnição pa­ra proteger os artistas e telefonou pes­soalmente, felicitando-os pelo seu trabalho na revista.
Os editores incentivavam os leitores a criarem clubes e servirem ao país como bons super-heróis. Essa iniciativa publicitária tomou tons bizarros quando crianças começaram a denunciar colegas ou parentes como espiões apenas por eles terem nomes com pronúncia germânica.
       Os artistas, entretanto, só foram perceber a extensão do sucesso do personagem quando começaram a apare­cer uma porção de imitadores. Surgiram o Capitão Bandeira, o Capitão Liberdade e a Águia Americana. A editora chegou a publicar uma ameaça de ação legal nas páginas da revista: ¨Cuidado, imitadores! Só há um Capitão América!¨.
    Mas Martin Goodman não parecia muito disposto a manter o acordo e, quando Simon e Kirby perceberam que estavam sendo passados para trás, foram para a National (futura DC Comics), onde criaram o último sucesso da guerra: Os Boys Comando.
    Stan Lee tentou conti­nuar as histórias do Capitão América, transformando-o num professor que combatia o crime nas horas vagas.
    Kirby e Simon ficaram tão furiosos com o fato de estarem usando seu personagem que resolveram criar uma paródia: o Fighting Amerícan, um super-herói que enfrentava vilões inap­tos, com nomes ridículos, como Super-Khakalovitch e Hotsky Trotsky.
    Evidentemente, a versão de Stan Lee não deu certo e a própria Marvel passou a desconsiderá-la.
    Lee só iria acertar em 64, quando recriaria o Capitão juntamente com Jack Kirby, tentando explicar toda a bobagem que tinha sido feita até ali com o personagem.
    O     Capitão América foi o primeiro personagem de HQ a assumir um discurso político, mas não foi o único a combater na II Guerra Mundial.
    Quase todos os personagens da época de Tarzã ao Spirit atuaram na guerra, em favor dos aliados.
    O Fantasma passou a enfrentar japoneses que invadiram a sua floresta e até Flash Gordon voltou do planeta Mongo para combater os nazistas.

Patrulha do Destino, de Gerard Way



Quando era adolescente, Gerard Way comprou um exemplar da Patrulha do Destino, de Grant Morrison, na pequena loja de quadrinhos perto de casa e ficou impressionado: era a primeira vez que via uma equipe de super-heróis fazendo terapia de grupo. Segundo ele, o gibi mudou sua vida e fez dele uma pessoa melhor.
Anos depois ele teve a oportunidade de escrever a Patrulha do Destino e é óbvio em cada página o quanto ele está se divertindo com tudo aquilo. É uma baita homenagem à fase de Morrison no título e é isso que os leitores poderão conferir no primeiro volume publicado pela Panini em 2019.
Como o próprio Way comenta no prefácio, é uma obra difícil de ser resenhada, e mais fácil de ser sentida. Mais difícil ainda de ser resumida. Na história, Danny, a rua que adquiriu vida da fase de Morrison, transformou-se numa ambulância, dirigida por uma garota ruiva, que não sabe ser uma heroína de quadrinhos. Mas tudo se revela quando uma corporação decide invadir Danny para triturar todas as pessoas ali com o objetivo de produzir comida para um fast-food.
Parece maluco – e é, da mesma forma que a fase de Morrison. Mas a narrativa é muito agradável, principalmente graças ao traço de Nick Derington. O desenho é simples, mas muito expressivo e, segundo o roteirista, Nick Derington ajudou com boa parte das ideias para a história.
É uma dupla que nitidamente funciona e um dos melhores exemplos disso é quando Casey (a heroína dos quadrinhos) descobre a verdade sobre sua origem: ela é toda contada com referências a quadrinhos clássicos. À certa altura, por exemplo, o texto diz: “Imagino que a essa altura você esteja tendo algum tipo de crise existencial, mas isso é de esperar” e o desenho mostra Casey na mesma posição do Super-homem na capa da clássica edição de Crise nas infinitas terras em que a super-moça morre.  
Vamos ver como essa série irá de desenvolver, mas até então é uma boa pedida para os fãs.

quarta-feira, agosto 26, 2020

A IBM e o nazismo

Segundo o livro IBM e o holocausto, de Edwin Black , a empresa teve papel fundamental na descoberta, catalogação e eliminação de judeus.
Black, um americanos filho de judeus que sobreviveram à perseguição nazista, mostra que a IBM teve lucros recordes com esse contrato.
A identificação dos judeus era elemento essencial na sua segregação e confisco de bens, isolamento em guetos, deportação, trabalho escravo e, finalmente, eliminação. Esse era um desafio tão grande que só poderia ser solucionado por um computador.
Na época não existia computador, mas existia a tecnologia Hollerith, de cartões perfurados. Os historiadores sempre se espantaram com a facilidade e rapidez com que os nazistas conseguiam identificar e perseguir os judeus. A resposta pode estar na IBM, que providenciou a automatização da perseguição.
Além de identificar os judeus, os cartões da IBM permitiam o gerenciamento das ferrovias e a organização do trabalho escravo nos campos de concentração.
Um exemplo do usos cartões da IBM era o campo de Bergen-Belsen. Cada prisioneiro era identificado por um cartão. A terceira coluna de furos identificava a categoria de prisioneiros. O furo de número 3 significava homossexual, o 8 judeu, o 12 cigano. A coluna 34 identificava a razão do envio para o campo. 2 significava que continuava trabalhando, o 6 era o tratamento especial, eufenismo para extermínio. 
O sistema de cartões usados pelos nazistas representavam metade do lucro mundial da empresa, que contratava milhões de recenseadores.

Fahrenheit 451

            Em Fahrenheit 451, escrito em 1953, Ray Bradbury nos coloca a interessantíssima questão do futuro e do controle da sociedade por um governo ou uma classe.

            Trata-se de uma distopia (utopia ao contrário), como 1984, de George Orwell. No universo dos dois livros, ler é uma atividade proibida. O título (Fahrenheit 451) se refere justamente à temperatura em que o papel arde e se consome.

            O personagem principal é um bombeiro encarregado não de apagar incêndios, mas de queimar livros.
            É interessante notar que há uma diferença de apenas cinco anos entre um livro e outro. Apesar da proximidade de assunto e tempo, há diferenças básicas entre as duas obras. Diferenças de motivos.
            Orwell escreveu 1984 baseado na sua experiência na Guerra Civil Espanhola, onde foi perseguido pelos stalinistas, enquanto lutava contra os fascistas e via a história ser mudada pelas versões oficiais. Bradury nunca foi à guerra, mas experimentou as agruras de um dos momentos mais terríveis da história americana: o machartismo. No início da década de 50, os EUA foram invadidos por uma febre anti-comunista. Grandes escritores foram perseguidos, Charles Chaplin teve de deixar o país para não ser preso.
            Bradbury, nessa época, já era um escritor famoso e trabalhava esporadicamente para a editora de quadrinhos E.C. Comics.
            A E.C. foi, provavelmente, a primeira editora de HQ a manter uma atitude crítica perante o mundo. Fazia propaganda pacifista em plena Guerra Fria e fazia troça do modo de vida norte-americano.
            Bradbury sentiu o cheiro acre das revistas da EC sendo queimadas em praça pública, viu amigos sendo presos, pessoas de bem sendo humilhadas. Viu toda uma nação se levantar, insana, pedindo a cabeça de homens que nem conheciam.
            É, Bradbury tinha motivos para escrever Fahrenheit 451.
            Além de um protesto, o livro é também um tratado sobre o ato de ler. Bradbury defende que os livros trazem em si três aspectos. O primeiro deles é a vida. Livros devem ser repletos de vivências. E nesse sentido, não é só a vivência do autor, mas também a do leitor, suas tristezas e alegrias, que ficam impregnadas nas páginas dos livros.
            O segundo aspecto é o lazer. Nem o mais pedante dos intelectuais negaria que lê porque se diverte enquanto o faz.
            O terceiro aspecto seria justamente a capacidade de transformação, de ação consciente a partir da reflexão em cima dos dois primeiros aspectos.
            Se o livro representa a libertação, em Fahrenheit, a alienação é representada pela televisão, assim como em 1984. Mas Orwell morreu em 1949, bem antes que a TV tivesse ampla difusão. Bradbury, ao contrário, viveu o período de ascensão da telinha. Talvez por isso, em Farenheith 451 a TV não é imposta às pessoas. Elas a assistem por livre e espontânea vontade.
            Aliás, a proibição de leitura também não foi imposta pelo governo. Foram as próprias pessoas que não só deixaram de ler, como passaram a ter medo de quem lia. Numa sociedade unidimensional, as pessoas devem ser niveladas pela média. Pessoas que lêem, pessoas que escrevem, pessoas que fazem poemas e outras que fazem da sua própria vida um poema... todos esses tipos são perigosos para o cidadão comum, para o pai de família barrigudo, que passa os domingos bebendo cerveja e assistindo futebol...
            É interessante analisar os protagonistas dos dois livros. Montag, de Fahrenheit 451, é um puro instinto, chegando a tomar atitudes quase suicidas. Já Winston, de 1984, é totalmente racional. Sua subversão é testada cuidadosamente, como alguém que anda no escuro, tateando a parede. Mesmo assim, a subversão de Winston, em certo sentido, é maior, já que ele não só lê, como escreve.
            Aliás, o que é proibido aos subordinados, é permitido à classe dominante. Beaty lê, Big Borther escreve. Afinal, informação é poder. Tanto que os escribas do antigo Egito tinham poder equivalente ao Faraós. Seria até de se perguntar se o pessoal do partido interno, em 1984, praticava sexo, já que o sexo também é um ato político...
            As classes dominantes precisam providenciar maneiras de reprimir o instinto de liberdade do ser humano. O povo é continuamente submetido a uma rotina estressante. Além do trabalho, as filas enormes, os ônibus que chegam sempre atrasados e lotados... quando há revolta, ela é uma reação imediata e sem sentido, voltada quase sempre para quem não é responsável pelo sofrimento do povo. Temos aí, então, as portas de vidro quebradas nos hospitais, as pedras jogadas nos ônibus, nos trens destruídos... quando acontece a reação, ela é sempre voltada para os representantes mais inferiores da autoridade, como cobrador de ônibus ou a enfermeira. No dia seguinte, tudo volta ao normal.
            No tempo livre, é necessário ocupar a cabeça das pessoas. Em Fahrenheit 451 o meio mais utilizado para evitar o uso criativo e reflexivo do tempo livre é a televisão. Na obra de Bradbury, mulheres de palha conversam com a TV, repetindo frases escritas previamente. Não há atividade criativa. Em 1984, o povo é mantido sob estrita vigilância, seja através da teletela (uma televisão que também transmite a imagem de quem a está assistindo), dos helicópteros ou da polícia do pensamento.
            Bradbury propõe a leitura como vivência. Para ele, somos o que lemos. Isso fica claro quando o personagem principal de seu romance encontra um grupo de subversivos que vagueia pelas antigas linhas de trem. Como não podiam correr o risco de levar livros consigo, eles simplesmente os decoravam e depois queimavam, esperando pelo dia em que ler não fosse mais proibido. A partir daí, cada um passava a ser responsável pela obra que decorara. Uma tremenda metáfora do ato de ler...  

Agulha Hipodérmica – o poder e os efeitos dos meios de comunicação de massa

Em 2002 eu organizei a coletânea Agulha Hipodérmica – o poder e os efeitos dos meios de comunicação de massa com vários artigos de pesquisadores brasileiros.
A teoria hipodérmica foi a primeira teoria da comunicação – e partia do princípio de que a mídia tinha poder absoluto sobre as pessoas, injetando seus conteúdos diretamente no cérebro da audiência.
Era influenciada pela experiência de Pavolv com um cachorro. O cientista russo percebeu que se tocasse uma sineta toda vez que dava comida ao cão o estímulo sineta era associado à comida e, depois de algum tempo, o simples som da sineta provocava a salivação. Isso gerou o esquema Estímulo-resposta, aplicado à comunicação com os teóricos defensores da teoria hipodérmica.
Embora esta seja a teoria mais antiga no campo da comunicação, este foi o primeiro livro exclusivamente sobre o assunto lançado no Brasil.

O dia em que a terra parou

A origem do filme O dia em que a terra parou é o conto “Adeus ao mestre, de Harry Bates, publicado em 1940. No conto, um embaixador extraterrestre é morto e um momento é erigido em sua homenagem ao redor da nave, que não pode ser aberta e, na frente dela, o robô, que não se mexe, e, aparentemente, está inativo. Mas um fotógrafo desconfia que algo está acontecendo e resolve passar a noite próximo ao robô (e acaba se surpreendendo com o que acontece).
Robert Wise pegou essa premissa e transformou num dos filmes mais importantes da ficção científica de todos os tempos. Ao contrário do conto (em que a história do embaixador Klaatu é narrada em flash back), o diretor preferiu trabalhar com uma narrativa linear, o que não tirou da história seu impacto revolucionário, mas de certa forma, ampliou-a.
Muito mais do que um filme de ação, O dia em que a terra parou é um filme filosófico, que reflete sobre a humanidade e a bondade.
Na história, o embaixador traz uma mensagem de paz, mas um aviso: se continuarem se tornando uma ameaça aos outros planetas, a Terra deverá ser exterminada. Mas a chegada da nave é vista pelo governo americano como uma ameaça. Klaatu é alvejado e foge, indo parar em uma pensão, onde conhece uma viúva e seu filho, que o ajudam a encontrar um grande cientista, que poderia ajuda-lo em sua missão de convencer os governos terrestres a cessarem a corrida armamentística.
O filme, lançado em 1951, estreou em plena Guerra Fria, período em que Rússia e EUA disputavam o controle mundial num frágil equilíbrio, que colocou a humanidade diversas vezes próxima do armagedrom (chegou a existir até mesmo um relógio do fim do mundo, criado por cientistas, que mostrava o quanto estávamos próximos do fim – representado pela meia-noite). Tornou-se um símbolo do apelo pela paz e um dos mais pungentes apelos contra a insensatez humana.

A arte inesquecível de Galep

Galep é mais conhecido por ter sido o co-criador do ranger Tex, o mais famoso quadrinho italiano de todos os tempos. Seu estilo econômico e discreto, em que o desenho serve essencialmente à narrativa teve uma influência absoluta sobre os fumetti, em especial os publicados pela editora Bonelli. Mas seu trabalho não se restringiu a Tex: ele ilustrou de tudo, inclusive arte sacra. Confira o trabalho desse mestre e clique aqui para saber mais sobre sua trajetória.