quarta-feira, dezembro 29, 2021
A fábula da galinha
Perry Rhodan – Os espíritos de Gol
Os espíritos de Gol, episódio 16 da série, se passa quando
Perry Rhodan e seus aliados estão em busca do segredo da imortalidade.
A pista revelada no número anterior levou a Stardust
diretamente para Gol, um planeta gigante, com uma gravidade muito superior à
terrana. Para piorar, o planeta é habitado por seres luminosos que se alimentam
de energia.
Esse é um daqueles episódios de Perry Rhodan que demoram engrenar e quando engrenam são, no máximo,
mornos. Metade da obra é destinada à aproximação do planeta e os termos
técnicos da empreitada. Exemplo: “Rhodan só precisaria uma única vez de um
feixe antipartículas que por sua vez fariam o novo microacelerador funcionar
por anos a fio. Acontece, todavia, que as as antiparticulas mostram uma
tendência acentuada de combinar-se com as partículas normais, com o que sua
massa se perde na irradiação”.
A Ediouro usou a capa americana. Aqui a capa original.
Kurt Mahr não tinha a mesma habilidade de K. H. Scheer, então
a grande quantidade de termos técnicos serve muito mais para tornar a narrativa
arrastada e garantir o número de páginas do que para dar uma contextualização.
O livro se torna realmente interessante lá pelas últimas
páginas, quando os seres luminosos atacam a fonte de energia da Stardust II e a
nave parece condenada. Mas a solução para isso parece fácil demais, acontece
muito rapidamente, especialmente na comparação com o restante arrastado do
livro.
O Gralha – o herói, o pinhão, o louco e a morte
terça-feira, dezembro 28, 2021
Contos de imaginação e mistério
O desafio das capas
O desafio das capas é uma brincadeira entre fãs de quadrinhos no Facebook. Um desafia o outro a publicar as capas que mais o marcaram. Eu fui desafiado pelo amigo Dennis Oliveira. A ideia era publicar apenas imagens, mas imaginem se eu ia resistir a fazer alguns comentários. Abaixo as imagens e os textos que publiquei.
Essa eu nunca li, mas foi o primeiro gibi de heróis que vi, na vitrine de uma mercearia, único local que vendia quadrinhos na cidade onde eu morava, Mococa - SP. Lembro que ficamos todos olhando através da vitrine, impressionados com a capa, mas ninguém tinha dinheiro para comprar.Desafio das capas que mais me marcaram. Essa foi a primeira revista que comprei em banca. Não é nem de longe a melhor dessa série, mas adoro essa capa e foi aí que começou a saga da Fênix, uma das melhores HQs de heróis todos os tempos.
O primeiro número de Sandman teve um impacto muito grande, não só pelo texto de Gaiman, mas também pela capa incrível de Dave McKean. Nunca tinha visto nada parecido.
A origem de Asterix
Homem-formiga, o filme
segunda-feira, dezembro 27, 2021
A arte japonesa das cordas nos quadrinhos de Cláudio Seto
Hulk contra as hordas do General Fang
No número 5 da revista The Incredible Hulk fica claro que
Stan Lee e Jack Kirby ainda não sabiam o que fazer com o personagem.
A revista trazia duas histórias, as duas com versões muito
diferentes do golias esmeralda que conhecemos atualmente.
Na primeira, um tal de Tiranus foi banido ao interior da
terra por Merlim e lá encontrou uma legião de seres dispostos a servi-lo de
todas as formas possíveis. É curioso como o interior da Terra era movimentado
nessa época e como sempre havia seres dispostos a se transformarem em escravos
de qualquer um que aparecesse por lá. O Toupeira que o diga.
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| O Hulk dessa época era falador e sabia usar armas. |
Aparentemente, a única coisa entre Tiranus e o domínio do
mundo é o arsenal atômico dos EUA e para neutralizar isso, ele pega Betty Ross
como refém. Aparentemente, ele só queria conquistar os EUA, já que não se
preocupava com o arsenal atômico russo. Além disso, uma única refém seria o
suficiente para que o governo dos EUA entregarem o país nas mãos de alguém
chamado Tiranus?
Rick Jones e Hulk vão ao seu encalço, mas o Hulk é
neutralizado pelo seu amor por Betty Ross, sendo transformando em prisioneiro e
até escravo. Hoje em dia isso parece no mínimo estranho.
Mas o mais espantoso é a aventura seguinte, As ordas do
general Fang!
A aventura é uma nítida referência à tomada do Tibet pela
China. O Lama é avisado de que o exército chinês está se aproximando, chefiado
pelo impiedoso general fang e pede ajuda internacional.
Só quem vai em seu socorro é Bruce Banner.
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| O general Fang era fanho? |
E aí começam os problemas. Nas primeiras histórias, Banner
se transformava em Hulk durante a noite. Nesta história, sem nenhuma explicação
anterior, ele começa a se transformar usando um aparelho acionado pelos pés.
Além disso, o Hulk que emerge é inteligente, a ponto de ler livros e fazer
estratégias (a estratégia criada por ele é se disfarçar de abominável homem das
neves (Ok, talvez isso não seja uma estratégia muito inteligente). Além disso,
o personagem resolve viajar até o local e ao invés de se transformar novamente
em Bruce Banner, faz isso como o Hulk, o que gera o maior confusão no avião,
cujo final não é mostrado.
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| Disfarçar-se de Abominável Homens das Neves. Que ideia, genial, Hulk! |
Além disso, não havia um modo de falar característico do
personagem. Na verdade, seu jeito de falar era muito parecido com o do Coisa:
“Chegamos em Formosa! Vou parar um pouco para recuperar o fôlego! No próximo
salto, chegaremos na China vermelha! Você ainda está aí, pivete?”.
A revista mostra que Kirby e Lee estavam tateando, tentando
encontar o tom e as características do personagem. Apesar disso, o clima
divertido, que não se levava muito a sério, faz com que seja ainda hoje um
prazer ler a história.
Touro Ferdinando
domingo, dezembro 26, 2021
Leitura e escola
Os analfabetos funcionais são aqueles que frequentaram a escola mas, por falta de contato com a leitura e a escrita, foram perdendo a capacidade de compreensão do mundo das palavras. Luzia de Maria, no livro Leitura e colheita, conta que realizava uma oficina de leitura quando disse que um analfabeto funcional era aquele que não conseguia entender revistas como Veja, Isto e Época, e três professoras da plateia disseram: "eu".
A fobia de livros é perfeitamente percebida quando se ouve alguém dizer que tem dor de cabeça quando começa a ler. É como se o organismo reagisse patologicamente a uma experiência traumática.
Certa vez, eu lecionava um curso de histórias em quadrinhos para crianças da periferia de Belém e perguntei a elas qual era a diferença entre um gibi e um livro. Eu esperava que elas apontassem a ilustração como diferença, pois é possível publicar um livro sem desenhos, mas não é possível o mesmo com uma HQ. A resposta, dada por uma menina, surpreendeu-me: "O livro é chato; história em quadrinho é divertida".
Na cabeça dela, o livro era algo lido por obrigação puramente escolar, sem nenhum prazer ou contato com a vida.
A grande pergunta que surge é: onde a escola errou? Por que, ao invés de despertar os alunos para a magia da leitura, ela os afastou dessa mesma magia?
Esse desvio no caminho tem sua origem na noção de leitura que acompanha a maior parte da vida escolar. Nas escolas ainda predomina a visão do livro como objeto sagrado, típica da Idade Média. Nessa época, os escritos eram encadernados em couro, com ornamentação de metais preciosos. As Bíblias que existiam nas igrejas ficavam presas por correntes. O livro era um objeto caro, raro e distante.
Com a invenção da imprensa, surge aquilo que Marshall McLuhanchamou de "Galáxia Gutenberg". É inaugurado o pensamento linear e a visão cartesiana de mundo.
É também a época das gramáticas normativas. Esses gramáticos viam na palavra escrita o lugar de acerto, de uma linguagem correta, a linguagem dos bons doutos. A linguagem oral, ao contrário, era o lugar do erro, do caos, da inconstância. Orientados pelo pensamento cartesiano, esses gramáticos se interessaram apenas pela ordem expressa da palavra escrita.
Na escola, essa visão separou a fala e a escrita como ações contrárias, e os textos perderam contato com a vida real. Sua utilização na sala de aula privilegiava não o entendimento, não a atribuição de significado, mas a capacidade de decodificar os signos e de identificar classes gramaticais ou sintáticas.
Assim, alfabetizado era aquele capaz de ler um texto em voz alta, ou tirar dele os substantivos, os verbos ou identificar as construções sintáticas. Pouco interessava se a pessoa estava conseguindo atribuir significado ao que lia.
Isso não faz parte de um passado remoto. Dia desses, meu filho trouxe um dever de caso que era a "interpretação" de um texto. A tal interpretação consistia apenas em descobrir encontros vocálicos no texto. Ou seja, a narrativa era apenas uma espécie refinada de tortura, com pouquíssima utilidade prática e sem nenhum significado.
Rubem Alves diz que tem calafrios quando sabe que um de seus textos está sendo utilizado para isso. Enquanto escreve, nenhum escritor pensa em verbos, substantivos, ditongos, hiatos ou algo do gênero.
Certa vez utilizaram um texto meu, sobre McLuhan, em um vestibular. Fui resolver as questões relacionadas ao meu texto e errei algumas. No texto eu explicava a teoria do filósofo canadense segundo a qual o homem inventou extensões de seu próprio corpo para melhorar seu desempenho. Uma das questões perguntava o que não era extensão do corpo humano. A resposta, segundo os elaboradores da prova, era roupa, porque eu não citava o vestuário em meu texto. Entretanto, uma compreensão correta do artigo levaria a identificar que o conceito era ampliável também para as roupas, afinal, elas são uma extensão da pele. O exemplo mostra que até a interpretação de um texto pode ser transformada em um ato mecânico, de retirar informações de um conjunto de palavras, sem a necessidade de entender seus conceitos.
A falta de sentido desses exercícios é exemplificada num fato simples: gramática nenhuma jamais transformou alguém em escritor. Escrever é um ato criativo e pensar em hiatos e ditongos enquanto se escreve é provavelmente a melhor forma de se ter um bloqueio.
Tenho um livro infantil, Os Gatos, publicado por uma editora de Curitiba. Na época a editora estava iniciando na área de literatura infantil e chamou um gramático para revisar os originais. A revisão tornou o texto totalmente incompreensível para uma criança e a editora foi obrigada a chamar uma professora de literatura infantil para refazer a revisão. Para o gramático, era mais importante que o livro fosse escrito nos moldes renascentistas da gramática normativa. Se haveria compreensão por parte da criança, pouco importava.
Só existe uma maneira de tomar gosto pela leitura: lendo. Só existe uma forma de aprender a escrever bem: escrevendo. Nunca conheci um grande autor que não fosse um leitor voraz e um escritor compulsivo.
Enquanto o texto for encarado apenas pelos seus aspectos gramaticais, enquanto a interpretação for a simples decodificação, sem a possibilidade de variedade de leituras ou de interpretação, a escola será sempre a criadora de analfabetos funcionais e de pessoas que têm dor de cabeça à simples visão de um livro.
A divulgação científica nos quadrinhos
Mulher-Maravilha – corporação da vilania
Roberto Carlos - O divã
Muitas flores na janela
Minha mãe lá dentro dela
Me dizia num sorriso
Mas na lágrima um aviso
Pra que eu tivesse cuidado
Na partida pro futuro
Eu ainda era puro
Mas num beijo disse adeus.
eu estava seguro
Não tinha medo de nada
Não tinha medo de escuro
Não temia trovoada
Meus irmãos à minha volta
E meu pai sempre de volta
Trazia o suor no rosto
Nenhum dinheiro no bolso
Mas trazia esperança.
E na multidão um grito
O sangue no linho branco
A paz de quem carregava
Em seus braços quem chorava
E no céu ainda olhava
E encontrava esperança
De um dia tão distante
Pelo menos por instantes
encontrar a paz sonhada.
Essas recordações me matam
Essas recordações me matam
Por isso eu venho aqui.
Pra você que só escuta
Não entende a minha luta
Afinal, de que me queixo
São problemas superados
Mas o meu passado vive
Em tudo que eu faço agora
Ele está no meu presente
Mas eu apenas desabafo
Confusões da minha mente.
































