domingo, fevereiro 26, 2023
X-men vs Novos Titãs
Fundo do bau - Falcão Azul
Falcão Azul é um desenho animado da Hanna-Barbera criado em 1976 como uma sátira dos quadrinhos de Batman e Robin.
A trama gira em torno do milionário Radley Crown que combate o crime disfarçado como o sério herói Falcão Azul. Para ajudá-lo (ou atrapalhá-lo), ele conta com um parceiro canino, o robô Bionicão, que usa uma máscara e tem até uma identidade secreta (o cachorro Dinamite).
As semelhanças com Batman são tão grandes que o personagem é chamado através do falco-sinal e anda num falcomóvel.
A dupla defendia a cidade de Cidadópolis de vilões como a Liga da Injustiça da América, o Abutre Vermelho. Tim kong e o Minhoca, um gênio cujo cérebro foi transplantado para uma minhoca e anda no Minhocão, um carro no formato de... minhoca!
Normalmente nas histórias, o herói está pronto para capturar o vilão quando o Bionicão se atrapalha com suas bugigangas tecnológicas, o que faz com que eles fujam. No final, claro, tudo acaba dando certo.
Uma curiosidade é que, embora no Brasil o destaque fosse para o Falcão Azul, originalmente o desenho levava o nome do Bionicão (Dynomutt, Dog Wonder, em inglês).
Jornada nas estrelas – problemas aos pingos
Um dos aspectos que fizeram a série clássica de Jornada nas estrelas se tornar tão famosa foi o fato de, apesar de episódios com forte discussão filósofica e até política, no geral, havia um tom leve e bem humorado.
Provavelmente o episódio que melhor resume esse espírito é Problemas aos pingos, da segunda temporada.
Na história, a entreprise recebe uma chamada de emergência de uma estação espacial apenas para descobrir que não havia nenhuma emergência: na verdade, os responsáveis pela estação só queriam alguém para cuidar da segurança do quadrotriticale, um grão híbrido de trigo e centeio. Kirk, indignado, coloca alguns homens para a segurança do grão e dá folga para o restante da tripulação.
Os problemas começam com a presença de klingons no local, o que leva a conflitos com os humanos.
Mas a verdadeira ameaça é totalmente inusitada: os pingos, animais fofos e peludos, que ronronam na presença de humanos. Uhura ganha um desses carismáticos animais e o leva para a Enterprise. Acontece que os pingos se reproduzem numa velocidade espantosa. Metade do metabolismo deles é dedicado à reprodução. Essa característica existe porque no seu ambiente natural há muitos predadores, o que equilibra a população. Mas num ambiente sem predadores, como a Enteprise, os pingos se reproduzem a ponto de tomar conta de toda a nave e comer toda a comida disponível.
David Gerrold, o roteirista, conta que a ideia surgiu quando soube dos coelhos na Austrália. Quando foram levados para aquele país, os coelhos não encontraram nenhum predador natural e se reproduziram de forma assustadora, destruindo plantações. Mas ele não queria usar coelhos. Precisava ser um animal que parecesse alienígena, mas, ao mesmo tempo, fossem fáceis de produzir em grande escala. Ao ver um chaveiro com uma bola peluda, Gerrold percebeu que aquela era a melhor solução. Deu tão certo que esse se tornou um dos episódios mais célebres de todas as temporadas de Jornada nas Estrelas. Os bichinhos peludos apareceram inclusive em episódios de outras encarnações e até nos filmes.
Um dos destaques do roteiro era o tom levemente humorístico. Algumas cenas são célebres, como quando Kirk abre uma comporta na qual estava a semente e pingos começam a cair sobre ele. Destaque para a atuação maravilhosa de William Shatner, que tinha um pendão natural para dar um tom bem humorado para seu personagem.
Algo curioso é que, embora adorem humanos e ronronem na presença deles, os pingos odeiam os klingons e dão gritos assustados na presença destes, o que ajuda a desmascarar uma armação para envenar os grãos.
Casal serial killer
Certa vez fui vítima de um psicopata. Felizmente não era um psicopata assassino, mas esse fato me levou a pesquisar sobre o assunto colecionando livros, matérias de jornais, tudo que pudesse coletar sobre o assunto.
Professor Marston e as Mulheres Maravilhas
sábado, fevereiro 25, 2023
A arte extraordinária de Tony DeZuniga
O filipino Tony DeZuniga começou sua carreira aos 16 anos trabalhando para a revista Liwayway, onde encontrou artistas consagrados que se tornariam seus mentores, como Alfredo Alcala e Nestor Redondo.
No final dos anos 1960 ele imigrou para os EUA e começou sua longa colaboração com a DC Comics. Inicialmente produzindo histórias para a revista House of Mystery, ele se tornou um dos desenhistas preferidos para revistas de terror e mistério.
Em 1971 ele e o escritor John Albano criaram Jonah Hex, que logo se tornou a principal atração da revisa All-Star Western e pouco depois ganharia revista própria. O anti-herói se tornaria extremamente popular, representando uma renovação no gênero. Outra personagem co-criada por ele foi a Orquídea Negra, que anos depois se tornaria famosa com a reformulação feita por Neil Gaiman e Dave Mckean.
O sucesso fez com que DeZuniga abrisse caminho para outros artistas filipinos que invadiriam o mercado americano, como Ernie Chan, Alfredo Alcala e Nestor Redondo.
Embora fosse especializado em terror e faroeste, o artista também ilustrou super-heróis, como o Batman e Homem-aranha. Também é célebre sua passagem pela revista A espada selvagem de Conan arte-finalizando o traço de John Buscema.
Os especialistas em Orwell que não leram Orwell
O escritor inglês George Orwell é a Clarice Linspector das citações políticas. Já vi as mais variadas falas creditadas a ele. Muitas são textos tirados do contextos. Outras são simples invenções. E muitos e muitos são os“especialistas em George Orwell” que nunca leram seus livros, ou quando muito leram os mais famosos, A revolução dos bichos e 1984.
O mais bizarro disso é a apropriação que o fascismo faz de George Orwell.
O escritor deve estar se revirando na cova. Logo ele, que lutou, ao lado dos trotskistas e anarquistas na Espanha contra o fascismo, ver sua obra e seu nome sendo apropriados pelos fascistas, muitas vezes com estratégias que ele mesmo denunciou no livro 1984, como a mudança do passado.
Para se ter uma ideia, agora que os livros do autor entraram em domínio público, uma editora fascista lançou 1984 e A revolução dos bichos. Para divulgar, simplesmente inventou fatos sobre a vida de Orwell. Segundo o texto de divulgação, 1984 foi recusado pela maioria das editoras inglesas por causa da aliança entre Inglaterra e a Rússia stalinista.
Em 1948, quando Orwell escreveu 1984, não existia mais essa aliança – ele ele era um best-seller, razão pela qual as editoras disputaram o livro. O livro A revolução dos bichos chegou a ser recusado por editoras, mas a razão era outra: livros com animais normalmente não vendiam bem e os editores temiam levar prejuízo.
A maioria das pessoas que cita George Orwell nas redes nunca leu qualquer livro dele além dos dois mais famosos (a maioria na verdade não leu nem esses dois e falam por “ouvir dizer”). São pessoas que acham que ele era um lorde inglês conservador que escrevia enquanto o mordomo lhe servia whisky.
O primeiro livro que li de Orwell foi 1984, no início dos anos 90, numa edição comprada em sebo, ao preço de uma passagem de ônibus (naquele dia eu voltei andando para casa). No final, eu tinha entrado em uma loja para comprar algo para minha avó e, quando o vendedor me entregou, fiquei lá, parado, porque não conseguia parar de ler.
A partir daí fui comprando tudo que encontrava do autor. O que não conseguia comprar, lia de bibliotecas.
Orwell marcou meu estilo principalmente pela narrativa limpa e incisiva, sem firulas, pelo texto jornalístico impecável, com descrições extremamente vivas.
Outra característica de Orwell era a preocupação com temas sociais.
Essa preocupação o levou a escrever A caminho de Wigan, no qual ele denunciava a vida miserável dos mineiros de carvão na Inglaterra e como eles eram explorados.
A inquietação com os oprimidos o levou a se disfarçar para viver como mendigo – depois ele perderia o emprego e se tornaria de fato um mendigo, como relatado em Na pior em Paris e Londres.
O medo do fascismo o levou a se engajar na luta contra os fascistas na Espanha, como relatado no livro Lutando na Espanha. Aliás, foi ali na Espanha que ele percebeu que o fascismo tinha sua contrapartida esquerdista, o stalinismo. Quase foi morto pelos fascistas, quase foi morto pelos stalinistas. Toda a sua obra reverbera uma viva crítica a qualquer tipo de autoritarismo, seja ele de direita ou de esquerda.
Como critica aos conservadores ele escreveu um livro, A filha do reverendo, sobre uma professora que é massacrada pelos pais conservadores ao encenar com as crianças uma peça de Shakespeare, McBeth, que tinha uma referência ao parto.
Para quem, como eu, leu toda a obra de Orwell, é absolutamente lamentável ver a obra e o nome do autor serem apropriados por aqueles que ele mais combateu em vida.
Uma curiosidade é que, por outro lado, há muitos esquerdistas, especialmentes aqueles afeitos ao stalinismo, que chamam Orwell de fascista. Incrível como os extremos se parecem.
Em tempo, quando ainda estava vivo, Orwell escreveu para um amigo explicando a tese principal do romance que ele estava escrevendo. Essa carta pode ser lida aqui.
"Para onde quer que se olhe, todos os movimentos nacionalistas, mesmo os que surgiram como forma de resistência ao domínio alemão, parecem assumir formas não-democráticas, organizando-se em torno a algum tipo de fuhrer sobre-humano (...). Acrescente-se a isto o horror do nacionalismo exacerbado e uma tendência à descrença na existência das verdades objetivas, já que todos os fatos têm que se adequar às palavras e profecias de algum fuhrer infalível. Na verdade, em certo sentido, a história já deixou de existir, não havendo mais uma história contemporânea que possa ser universalmente aceita, e as ciências exatas também estarão ameaçadas tão logo não se precise mais do exército para manter a ordem. Hitler pode dizer que os judeus começaram a guerra, e se ele sobreviver, isso passará a ser a história oficial. Mas ele não pode dizer que dois mais dois são cinco, porque para os objetivos, digamos, da balística é preciso que essa soma continue sendo quatro".
Cabanagem: uma continuação da Revolução Francesa
O outro e a pós-humanidade
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| B-stylers: japoneses que querem ser negros |
Willian Wilson era perseguido por um duplo, uma pessoa igual a ele, com o mesmo nome, a mesma data de nascimento, mas totalmente oposto. É uma história de terror. Na época moderna e cartesiana, o Outro impunha medo, talvez o medo de partes inconscientes da personalidade.
No início do século XX, psicólogos como Freud e Jung demonstraram que há muito mais por trás da personalidade de cada um do que aquilo que está no exterior e desde então, a psicologia, a antropologia e a sociologia têm identificado cada vez "outros". Uma pessoa nunca é única ou tem apenas uma personalidade. Somos uma somatória de vários "eus".
Hoje, o "outro" não bota mais medo. Ao contrário: as pessoas cada vez mais aceitam esses outros e muitas vezes se identificam com um outro que não é o que está expresso visualmente. Pessoas que fazem cirurgia para mudança de sexo são um exemplo disso.
Agora, vejo uma matéria sobre japoneses que gostariam de ser negros e se vestem, se maquiam etc para parecerem com negros (leia a matéria completa aqui). Não demorará muito para que tenhamos cirurgias plásticas com esse objetivo. Hoje, o corpo humano é cada vez mais moldável e serão cada vez mais comuns mudanças corporais relacionadas às motivações psicológicas de "outros" que emergem. Como diz o artista Starlac, "o corpo humano está obsoleto".
Como sempre, a arte apontou o futuro. Para os curiosos, indico as obras de Sterlac, Orlan e Edgar Franco.
Doutor Estranho – Por ter amado... e perdido
No número 55 da revista do Doutor Estranho, o Mestre das
Artes Místicas havia perdido sua amada Cleia, que partira para outro plano. Isso
o fez mergulhar em profunda depressão. Rogers Stern usa isso como mote para uma
das melhores histórias do personagem.
Com desenhos de Michael Golden e Terry Austin, a história
inicia com a aparição de um misterioso mago: “Ainda agora desejou estar morto,
por isso estou aqui”. O mago puxa o espírito de Strange e o leva a uma
realidade no qual o Doutor Estranho não se tornou o mestre das artes místicas. Assim,
Mordo se transformou no principal discípulo do Ancião.

A sequência inicial lembra O conto de Natal, de Dickens.
Essa sequência lembra muito o Conto de Natal de Dickens, nos
qual os espíritos dos natais passados, presente e futuro visitam um velho
rabugento para lhe ensinar uma lição e levá-lo a uma jornada de redenção. O
objetivo aqui, entretanto, não é provocar redenção, mas sim confusão. A sequência
pula outra em que o Doutor Estranho é apenas um personagem de filmes e até de
livros ilustrados.
Roger Stern introduz uma homenagem aos criadores do herói:
Stan Lee e Steve Ditko aparecem, respectivamente como escritor e ilustrador dos
livros. “Eureka, Ted, nosso amigo aqui acabou de me dar uma ideia de argumento
para aquela tirinha do Doutor Estranho que você quer desenhar”, exulta a versão
de Stan Lee. Apesar da homenagem clara, os nomes foram modificados, talvez pela
relação conflituosa que Ditko tinha com a Marvel.

Stan Lee e Steve Ditko aparecem na história.
E a história vai seguindo assim, em ritmo alucinante e ao
mesmo tempo alucionógeno, com situações cada vez mais bizarras, até que se
descobre quem está por trás de tudo.
Tarzan e Balu dos grandes macacos
Na fase de Joe Kubert à frente de Tarzan algumas histórias são singelas, mas se destacam principalmente pela narrativa visual e pela arte estupenda.
Exemplo disso é “Balu dos grandes macacos”, publicada no número 213 da revista.
| A arte estupenda de Joe Kubert é o destaque da história. |
A história começa com o Homem-macaco voltando de uma caçada e encontrando um macaquinho (o Balu do título). Ele tenta se aproximar do bebê, mas é rechaçado pela mãe histérica e depois pelo pai. Na tentativa de não machucar o amigo, Tarzan o prende no alto de uma árvore e depois tem que evitar que ele seja molestado pelos outros macacos.
| Kubert usa a narrativa paralela como elemento de suspense. |
A genialidade da história está no último quadro de cada página. Um quadro horizontal, mostrando dois olhos felinos observando os macacos. Kubert usa esses quadros para criar um clima de suspense, antecipando um perigo que vai eclodir lá na frente, quando o casal de panteras emerge da selva na tentativa de caçar o macaquinho.
No Brasil essa história foi publicada originalmente pela Ebal e depois pela Devir.
O anjo exterminador
O anjo exterminador é filme de 1962 do surrealista Luis Buñuel. O filme, considerado pelo New York Times como um dos 100 melhores de todos os tempos, conta a história de um grupo de ricos que, após um jantar formal, ficam presos na sala de uma mansão. Não há barreiras físicas que os impeça de sair, mas mesmo assim nenhum deles sai. O roteiro é inventivo ao criar estratégias para a não saída: É o criado que chega com o café, é uma acusação, é um assunto importante...
A premissa surreal serve para mostrar como reagem pessoas, no caso os ricos, em situações limite. Conforme vão passando os dias e os personagens são atormentados pela sede e pela fome, vão caindo as máscaras e aflorando o lado animal e instintivo dos mesmos. Impossível não comparar, por exemplo, com Walking Dead, que, embora num cenário e trama completamente diferente, lida com o mesmo princípio: mostrar como pessoas reagem diante de situações-limite.
Embora surreal, a película consegue ser verossímil. O expectador acredita que de fato, isso está acontecendo e se angustia junto com os prisioneiros.
Aliás, por seu caráter de fantasia, O anjo exterminador poderia figurar tranquilamente como um episódio de Além da Imaginação.
sexta-feira, fevereiro 24, 2023
Roland, o corsário, de Garcia-Lopez e Oesterheld
Mas antes de ir para os EUA Garcia-Lopez vivia na Argentina, onde foi parceiro do grande roteirista Hector Oesterheld em uma história de piratas para a revista Fantasía, da editorial Columbia. Um verdadeiro encontro de dois mestres supremos da nona arte. Difícil achar esse material, mas é possível baixar um scan clicando aqui e ler uma história on-line clicando aqui.
As aventuras perdidas do Capitão Gralha
Teatro da Paz, em Belém
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| Escadaria do Teatro, com o belíssimo candelabro. |
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| Os bustos representam as artes, segundo os gregos. |
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| Do teatro é possível ter uma visão privilegiada da Praça da República. |
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| O monumento no meio da Praça da República representa a Democracia. |
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| A praça da República tem belíssimas estátuas. |








































