terça-feira, maio 30, 2023

Zona do Crepúsculo, de Gian Danton, é destaque em jornal de Guarapuava

 

O jornal Correio do Cidadão, de Guarapuava deu destaque de capa à edição da Calafrio que reunirá pela primeira vez clássica série Zona do Crepúsculo, escrita por mim e desenhada por Bené Nascimento - essa série foi originalmente publicada em capítulos na mesma revista, na década de 1990. Clique aqui para ler a matéria.

segunda-feira, maio 29, 2023

Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo

 


O herói romântico impávido e abnegado, lutando contra o destino e a natureza selvagem em uma empreitada impossível. Esse é o tema de Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo.
O livro conta a história, fictícia, de um dos primeiros navios a vapor da Inglaterra, um prodígio de tecnologia que espanta a muitos, apavora a outros, e traz a riqueza para seu dono. Esse navio é vítima de um naufrágio, mas o motor, sua parte mais valiosa, resiste, intacto, junto com que sobrou do navio, no alto de duas torres na costa pedregosa.
O dono do navio oferece a mão da sobrinha para quem fosse capaz de resgatar tal engenho.
É quando um rapaz, pária na vila, e apaixonado pela sobrinha do armador, se dedica ao desafio. Sozinho e quase sem recursos além da própria habilidade e obstinação, ele se encaminha ao local, mas para retirar o motor de dentro do navio, terá de enfretar todo tipo de obstáculo, incluindo tempestades pavorosas, fome e sede. Como se vê, o título, “Trabalhadores do mar”, é mais do que equivocado, uma vez que é um livro de um herói só – e praticamente um só personagem.
A narrativa de Victor Hugo é arrastada (o gancho que puxa a história, o naufrágio do navio, acontece praticamente na metade do livro), mas o livro até aí se sustenta pelo texto envolvente de Hugo pela tradução de Machado de Assis. Um gênio traduzindo outro gênio.
A narrativa, especialmente da cena da tempestade, é grandiosa, dramática. O senso comum hoje associa romantismo a histórias água com açúcar, de final feliz. Mas o romantismo original é trágico, intenso. Quem já viu o quadro A barca da Medusa, de Gericault, certamente se lembrará do quadro ao ler esse capítulo.  
A barca da Medusa: obra inaugurou o romantismo na arte e apresenta o mesmo clima dramático do livro.

Algo que espanta ao leitor moderno é perceber que Victor Hugo foi um dos primeiros, senão o primeiro, a retratar um psicopata em sua obra. E com uma precisão impressionante. Alguns trechos: “Odiava a virtude com um ódio de mal-casado. Teve sempre uma premeditação malvada; desde que se fizera homem trazia aquela armadura rígida, a aparência. Era monstro internamente; vivia em uma pele de homem de bem com coração de bandido (...) Passar-se por homem honrado é duro! Manter constante equilíbrio, pensar mal e falar bem, que labutação! (...) Arrancar a máscara, que livramento!”.
Espanta mais ainda que o livro tenha sido escrito em 1866, quando ainda nem existia a psicologia e quase 100 anos antes das primeiras pesquisas sobre psicopatas. Nesse sentido, o livro lembra a fala de Edgar Morin sobre como a literatura conseguiu adentrar na alma humana muito mais que a ciência.

Endomarketing

 


O contrário da fidelidade é deserção. Existem muitas razões para que o cliente deixe de ser fiel a uma empresa. A principal delas, depois da má qualidade do produto, é o desempenho deficiente de funcionários. Funcionários desmotivados, emburrados e despreparados são um verdadeiro afasta-clientes. Por outro lado, trabalhadores competentes, motivados e fiéis à empresa tendem a conhecer melhor o cliente e garantir sua satisfação.
Manter o funcionário motivado para que ele atenda bem o cliente tem sido um desafio diário para a maioria das empresas. Inúmeras estratégias têm sido desenvolvidas com essa finalidade, mas não há consenso sobre o que de fato funciona.
Então, como saber se estamos no caminho certo?
Primeiro, olhe atentamente para seus funcionários: eles parecem felizes ou parecem estar ali apenas cumprindo uma obrigação? Eles sabem com clareza qual é o seu papel na estrutura da empresa? Eles têm consciência do que a empresa espera deles?
As respostas para essas perguntas vão dar uma noção do grau de envolvimento e motivação dos funcionários com a empresa. E funcionário motivado é funcionário que produz.
Motivar é dar motivos a alguém para que se porte de determinada forma. Logo, se eu quero que meus funcionários encantem meus consumidores, tenho que dar motivos a eles para tal. Convencê-los. E isso não é tarefa fácil, todos sabem. Mas é uma das mais valiosas estratégias mercadológicas, e a que mais contagia.
Um funcionário que acredita na empresa vai multiplicar a crença de que vale a pena trabalhar ali. E, por conseguinte, que vale a pena consumir ali.

Empresas como Volvo, Caterpillar e Serasa, sempre listadas no guia Exame de melhores empresas para trabalhar certamente já fazem a sua parte para desenvolver o endomarketing e, com isso, conquistar mais mercados.

Demolidor – Profecia

 


O número 215 da revista Daredevil trouxe uma versão curiosa do homem sem medo.

A história inicia com um xamã em frente a uma fogueira, aparentemente invocando algo. Ele diz: “Estas são as palavras dos espíritos de nossos antepassados... dois homens destemidos virão... serão guerreiros e homens da lei! Cem invernos separarão a vinda de cada um deles... mas unidos, eles combaterão a injustiça e devolverão a terra a nosso povo!”.

A splash page inicial é uma obra-prima. 


Da fogueira, sai a imagem de dois heróis. Um deles é o demolidor, o outro é uma figura vestida com uma roupa que lembra o primeiro uniforme do herói, mas com pistolas e chapéu.

A história mostra o cowboy misterioso salvando um garoto indígena, que está sendo atacado por vários cowboys. O garoto explica que os malfeitores estavam atrás de um mapa, que indicava o local onde estaria guardado um documento no qual o presidente dos EUA transformava o local numa reserva indígena. Mas um inescrupuloso empresário quer as terras para si. Quando chegam na cidade, uma surpresa: o garoto é preso pelo xerife acusado de atirar no malfeitor. É nesse ponto que o herói sob a máscara aparece: trata-se do advogado Matt Hawk, que defende o garoto e prova que a versão do fazendeiro é falsa.

A coloração monocromática ajuda a distinguir o passado do presente. 


A história dá um salto e vemos Matta Murdock acordando, o que nos leva a crer que tudo que foi mostrado antes era um sonho.

Em seguida ele é contratado por um empresário que é nada menos que o descendente do vilão do sonho. Mas, ao invés de ajuda-lo, Matt Murdock e o Demolidor irão, na verdade, ajuda a provar que a terra pertence aos índios.

Escrita por Denny O´Neil e desenhada por David Mazzucchelli, a história, intitulada Profecia é uma tremenda sacada.

O Demolidor acorda. Teria sido tudo um sonho? 


Existiu realmente um herói da Marvel chamado Defensor Mascarado que, em sua identidade secreta era advogado e de fato se chamava Matt Hawk.


Criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1948, é muito provável que ele tenha servido de inspiração para a criação do Demolidor. Afinal até os nomes dos alter-egos eram parecidos (Matt Hawk e Matt Murdock). Além disso, o uniforme do herói do faroeste tinha a mesa cor do primeiro uniforme do demolidor: preto e amarelo (embora invertido – no Defensor mascarado o amarelo era um colete).


O Demolidor e o Defensor: uniformes parecidos. 



O roteirista usa isso para criar uma teoria interessante: de que, de alguma forma os dois heróis, Defensor Mascarado e Demolidor, estavam interligados. Talvez um fosse a reencarnação do outro? Ambos são mitos que surgem a partir de algum tipo de inconsciente coletivo junguiano? Pena que isso não foi desenvolvido posteriormente.

Se o roteiro é interessante, o desenho é o que mais chama atenção. Mazzucchelli faz as sequências do passado com um traço repleto de retículas, em sequencias muitas vezes sem quadros, e coloração com tons de amarelo. O resultado é impressionante e diferencia completamente o passado do presente.

No Brasil essa história foi publicada pela editora Abril em Capitão América 90.

Elis – a cinebiografia

 

Elis Regina foi uma das maiores, senão a maior cantora brasileira de todos os tempos. Não admira, portanto, que houvesse interesse fazer uma cinebiografia dela, numa era em que cinebiografias de músicos proliferam.

Quem aceitou o desafio foi o diretor Hugo Prata, que escalou a atriz Andreia Horta para o papel principal, em filme lançado em 2016 e disponível atualmente na Netflix.

A película segue uma linha cronológica, começando com a chegada da cantora ao Rio de Janeiro, junto com o pai, onde tinha ido gravar seu primeiro disco. Mas ela chega exatamente quando estava se concretizando o golpe militar de 1964, o que faz com que o produtor desista de lançar qualquer coisa naquele momento.

Antes de voltar para casa, Elis participa de um teste para gravar músicas de uma peça estrelada pela musa da boça nova, Nara Leão, é rejeitada (“não queremos cantoras de churrascaria”, diz um dos avaliadores). Depois ela faz questão de ir num show da cantora, onde se espanta com o tom intimista e pouco empolgante.

Esses dois momentos são de fundamental importância narrativa. Eles demarcam a diferença de Elis com o que então era visto como música brasileira e ajudam o expectador a entender porque ela foi tão revolucionária. Elis cantava para fora, era toda expressiva, de corpo, de voz, cantava rindo, fazendo caras e caretas. Como escreve um jornalista, citado no filme, ela surge num momento em que as pessoas precisavam de expressar diante do tom de censura que se instalaria nos anos seguintes.  O modo de cantar de Elis abre caminho para outras musas como Gal Costa e Rita Lee, estabelecendo as bases do que viria a ser conhecido como MPB.

 Nesse sentido, a atuação de Andreia Horta contribuiu muito para que o filme demonstre a impressão correta. Embora não consiga mimetizar a voz de Elis regina (quem conseguiria?), ela imita perfeitamente as expressões, o jeito de andar, a alegria contagiante no palco.

Nas cinebiografias, um item obrigatório é construir a narrativa a partir de músicas do biografado e Hugo Prata faz isso com perfeição, ajudado principalmente pelo vasto e diversificado repertório da cantora, cujas interpretações vão do mais alegre ao mais depressivo.

Essa sincronia tem seu ápice num dos momentos mais impactantes do filme: a relação de Elis com os militares. Em turnê pela Europa, ela dissera, em entrevista coletiva, que o Brasil era governado por gorilas e que pessoas eram torturadas e desapareciam. Quando volta ao Brasil, ela é levada para um interrogatório, onde ameaçam tirar o filho dela. Depois passam a segui-la a todos os lugares.

A única forma de se livrar da perseguição, segundo os próprios  militares, é cantar na Olimpíada do Exército, um gesto de submissão aos militares, o que ela faz de forma altiva. Mas aí a reação vem do extremo oposto: da esquerda. Henfil faz uma caricatura dela saindo de um túmulo e cantando para Hitler. Jovens vaiam ela a ponto de não deixá-la cantar, num espécie de cancelamento da era pré-internet. A música que ela canta durante esse festival de vaias é o tango Cabaré, cuja letra diz: “De tomara-que-caia surge a crooner do norte/Nem aplausos, nem vaias, um silêncio de morte/ Ah, quem sabe de si nesses bares escuros/Quem sabe dos outros, das grades, dos muros”. Unida à ótima interpretação da atriz, percebemos a música como uma resposta de Elis às vaias.

Em tempo, anos depois Elis e Henfil se reconciliariam quando ela grava a belíssima O bêbado e o equilibrista, que traz em sua letra o trecho “Meu Brasil!/ Que sonha com a volta do irmão do Henfil/ Com tanta gente que partiu/Num rabo de foguete”.

Monstro do Pântano – O Jardim das delícias terrenas



O número 53 da revista Swamp Thing represtou o auge da guerra do Monstro do Pântano contra Gothan City. Nos números anteriores, Abbe Cable havia sido presa, acusada de “crime contra a natureza” por ter um relacionamento com o Monstro do Pântano. Ela fugira para Gothan e foi é lá que o Monstro do Pântano a encontra, presa. Ao ver recusada sua exigência de que soltem sua namorada, ele decide usar suas habilidades contra a cidade.

A maravilhosa capa de John totleben já antecipava muito que viria no interior. Nela, um monstro do pântano gigante surge no meio da cidade e suas mãos em forma de raízes aproximam-se para agarrar Batman, que se equilibra sobre uma coluna.

Gothan é transformada num paraíso... ou num inferno?


A história começa com uma matéria jornalística sobre o que aconteceu com Gothan.

Uma rede vegetação impede que carros entrem ou saiam da cidade. Com a cidade toda transformada em um jardim, a ordem social é alterada. Alguns enveredam pelo crime, outros se entregam ao prazer idílico no meio da enorme quantidade de frutas.

Muitas pessoas começam uma peregrinação na direção de gothan em busca de respostas ou simplesmente fascinadas com a figura do Monstro do Pântano. Entre elas um hippie que já havia aparecido numa história que mostrava os poderes lisérgicos do tubérculo expelido pelo personagem. Também o rapaz da história do cara de fuça, que abandonara a esposa quando descobrira que ela passara a noite ao lado do mendigo radioativo.

Muitos comem os turbéculos e têm experiências alucinógenas. 


Claro que toda essa mudança não poderia ocorrer sem a intervenção de Batman, o defensor de Gothan, numa das melhores sequências de toda a série. Moore mexe completamente com todos os cânones da DC ao mostrar um cavaleiro das trevas cujos recursos parecem brincadeira diante de um personagem muito mais poderoso.

É Batman, aliás, que protagoniza um diálogo essencial ao falar com o prefeito e aconselhar a libertar Abbe Cable.

O Monstro do Pântano se transforma em objeto de culto. 


“Você não entende”, diz o prefeito. “Aquela mulher teve um relacionamento com uma criatura não-humana. Não podemos abrir exceções à lei”.

“Sem exceções, certo. Nesse caso, sugiro que vocês comecem a prender todos os outros seres não humanos que possam estar mantendo relações fora de suas espécies. Se querem levar isso até o fim, a condição de não-humano não se limita à criatura do pântano. Vejamos... vcoê precisam prender o Gavião negro, o Metamorfo... e a Estelar dos Titãs. A raça dela, creio, evoluiu dos gatos. Sem mencionar o Caçador de Marte e o Capitão Átomo... além de, obviamente, como se chama mesmo? Aquele que mora em Metrópolis”.

Batman conseguirá deter o Monstro do Pântano? 


A fala explicita a metáfora de Moore, que usou a história para refletir sobre como a sociedade julga relações não convencionais. Entretanto, os quadrinhos de super-heróis estão repletos de relações não convencionais, a exemplo do alienígena super-homem que se relaciona com a humana Lois Lane. E vale uma reflexão: como a pessoa que considera normal uma relação entre um alienígena e uma humana pode julgar outros tipos de relações?

A história, que supostamente teria um final feliz, acaba com um dos momentos mais dramáticos de toda a história do título.

Em tempo: o título da história, O jardim das delícias terrenas, é uma referência a uma pintura de tríptico de Hieronymus Bosch, um tríplico (uma imagem dividida em três), que apresenta em uma aba o céu no outro o inferno e no meio uma cena simbolizando os prazeres da carne, com os participantes desinibidos e sem culpa se entregando a atividades sexuais. As pessoas representadas no meio do tríplico estão entre o paraíso e o inferno.

O título da história acrescenta uma camada a mais de significado e permite diversas interpretações sobre a simbologia da roteiro escrito por Alan Moore. Sua história seria uma celebração do prazer idílico ou um alerta de como como esse prazer pode levar à perdição? Sem falar nas interpretações relacionadas ao próprio personagem, mas estas é impossível discutir sem dar um tremendo spoiller sobre o final da história.

Enfim, Alan Moore constrói uma história que parece simples, mas carregada de complexidades e simbologias.

domingo, maio 28, 2023

Fundo do baú - Daniel Boone

 

Daniel Boone foi um caçador norte-americano que explorou as florestas ocupadas por indígenas no século XVIII. Em 1964 o personagem se transformou em uma série de grande sucesso estrelada por Fess Parker e produzida pela 20th Century Fox Television.

O ator já tinha feito o papel de Davy Crockett, um dos pioneiros do início dos Estados Unidos, em um seriado da Disney. A ideia da Fox era usá-lo novamente para interpretar Crockett, mas, como a Disney se recusou a ceder os direitos, a solução foi procurar um personagem histórico semelhante.

Parker usou no novo papel o mesmo chapéu de pele de guaxinim que caracterizara seu personagem anterior.

A série se passava em um período pouco anterior à revolução americana e era ambientada em Boonesborough, uma vila de pioneiros liderados por Boone. O protagonista era casado com a bela Rebecca, interpretada por Patricia Blair e tinha dois filhos, com destaque para o garoto Israel, interpretado por Darby Hinton.

A abertura do seriado mostrava Boone atravessando um riacho, montando uma armadilha e jogando uma machadinha contra um tronco que se abria ao meio revelando o nome do personagem e da série. A machadinha seria a arma símbolo do personagem, o que parece estranho, já que ela é historicamente associada aos índios. A música folclórica exaltava o personagem como um ser lendário: “Daniel Boone era um homem/sim, um grande homem! Com o olho de águia/era tão alto como uma montanha/Daniel Boone era um homem/sim, um grande homem! Ele era corajoso, ele era destemido/ e tão forte quanto um poderoso carvalho!”.

Algo que me chamava atenção, além do caráter nostálgico do seriado (ressaltado pela trilha sonora) era a forma como os indígenas eram retratados. Numa época em que filmes e seriados mostravam índios como vilões desalmados que atacavam em bandos inocentes caravanas, Daniel Boone mostrava uma versão mais simpática dos mesmos. O protagonista tinha, inclusive um amigo índio, Mingo.

No episódio O império da Perda, por exemplo, um coronel do exército britânico sequestra toda a população de Boonesborough como forma de obrigar Boone a assinar uma escritura, passando para ele a posse das terras da região para ele. Ao mesmo tempo, faz um acordo com índios segundo o qual entregaria os colonos para estes, mas era uma armadilha: quando fossem pegar os prisioneiros, os indígenas seriam bombardeados com canhões. Boone consegue convencer os índios de estão caindo numa armadilha e o filho do chefe o ajuda a danificar os canhões. No final, colonos e índios fazem um acordo de paz. A mensagem subliminar aí é bem apropriada para uma série que se passava num período pouco anterior à independência norte-americana: o verdadeiro inimigo são os exércitos ingleses.

Daniel Boone teve seis temporadas, com 165 episódios.

Super powers 3 - Liga da Justiça

 

Quando a revista da Liga da Justiça chegou ao seu número 200, a DC publicou uma edição especial com mais páginas e uma história completa escrita pelo renomado roteirista Gerry Conway.
Para comemorar, o roteirista bolou uma trama que remetia diretamente à primeira aventura da Liga, quando eles enfrentavam alienígenas que usavam a Terra como arena de guerra para decidir quem governaria seu planeta natal. Na história, os membros clássicos da Liga são vítimas de sugestão hipnótica para reunir os meteoros, liberando novamente os extraterrestres.
Isso, claro, acaba sendo uma desculpa para que os novos membros enfrentem os clássicos, numa história tipicamente Marvel (vale lembrar que Conway foi um dos principais roteiristas da Marvel).
O roteiro é ok, eficiente, embora não se compare a trabalhos melhores de Conway, como Esquadrão Atari. Mas a grande atração da revista é o incrível time de artistas reunidos nesta única edição. A história principal fica por conta de George Perez, mas o time de convidados inclui Jim Amparo, Dick Giordano, Brian Bolland, Carmine Infantino, Joe Kubert. Um verdadeiro show de grandes talentos da DC.

Essa história foi publicada na revista Super-powers 3, da editora Abril, em novembro de 1986. A Abril reduziu a belíssima capa dupla para uma capa simples e tirou o fundo, prejudicando em muito o impacto da capa.

Experiências e livros

 Monteiro Lobato já disse que um país se faz com homens e livros. Da mesma forma, um homem se faz de experiências e livros. Não há formação intelectual que não passe pela leitura.

O convite para integrar o especial "Biblioteca Básica" do site Digestivo Cultural me fez pensar em todos os livros que, de uma maneira ou de outra, ifluenciaram minha formação.
O mais remoto deles, parece-me, é pouco conhecido da geração atual. Mas fez as delícias de todos os jovens devoradores de livros da década de 80. Falo de Aventuras de Xisto, de Lúcia Machado de Almeida, publicado na época na coleção Vaga-lume.


Esse foi o primeiro livro que li (não estou contando os pequenos livros infantis dos quais guardo poucas lembranças). Devia ter algo em torno de 10 anos. Pode parecer uma discrepância eu ler meu primeiro livro aos 10 anos, mas há de se considerar que eu cresci em uma família pobre, na qual livros eram um luxo supérfluo.
Só consegui convencer minha avó a me dar o dinheiro para esse livro porque ele ia ser utilizado na escola. Na época vivíamos na pequena cidade de Mococa, no interior de São Paulo.
Eu mesmo fui à livraria, no outro lado da cidade e comprei o livro. Antes que o dia terminasse eu já o tinha lido inteiro. No dia seguinte, dia de frio, coloquei uma cadeira no quintal e, enquanto tomava um sol, li pela segunda vez.
Uma semana depois a professora iniciou a leitura em sala de aula, mas o rapaz responsável por ler o primeiro capítulo não havia nem mesmo aberto o livro. “Alguém já leu o livro?”, perguntou a professora. Eu levantei a mão: “Já li cinco vezes, professora”. Li tantas vezes que decorei. Os colegas me desafiavam lendo um trecho e eu, invariavelmente, conseguia dizer a página na qual aquele trecho estava. 
Aventuras de Xisto influenciou meu gosto pela história, especialmente pela história medieval. O clima sombrio e fantasioso também influenciou muito minha literatura. Minha novela O Anjo da Morte é uma espécie de Aventuras de Xisto para adultos. Gostaria de dar destaque também para as ilustrações do livro, de autoria de Mário Cafiero. Sempre imaginei ter uma história desenhada por ele.


Depois disso, eu não tinha mais como convencer minha avó a comprar outros livros e só fui voltar a ler uns quatro anos depois, quando descobri a biblioteca pública e os sebos. Foi época de conhecer Monteiro Lobato.
Não houve um livro específico que tenha me influenciado. Nessa época lia tudo que me chegava às mãos do autor paulista. Curiosamente, li primeiro sua literatura adulta, depois a infantil. Na literatura adulta, Urupês é sem dúvida a obra-prima. Lobato estava menos preocupado em fazer literatura e mais em causar uma impressão no leitor. Lembro que a primeira vez que li me pareceu um livro de terror... Da literatura infantil, História do mundo para crianças é, certamente, a obra que li mais vezes. Lobato era uma dessas inteligências enciclopédicas, que escreviam sobre tudo e em tudo deixavam um gosto delicioso.


Mais ou menos por essa época, tinha um amigo que colecionava a revista Heróis da TV e descobri um sebo que as vendia por um preço irrisório. Eu comprava as revistas e as vendia pelo dobro do preço, e assim conseguia dinheiro para comprar minhas próprias revistas. Antes de vender as revistas, eu passava o final de semana lendo. Só muito tempo depois fui perceber o quanto essas leituras me influenciaram, especialmente as histórias do Mestre do Kung Fu, de Dough Moench (roteiro), Paul Gullacy e Mike Zeck (desenhos).

1984, de George Orwell, foi a leitura que mais influenciou o período da universidade. Quando já estava no final do livro, fui comprar adubo para minha avó (que adora plantas). Como o troco demorasse, encostei no balcão e comecei a ler. Só sai de lá depois de ter lido a última palavra, para espanto dos balconistas. 1984 é um livro que deixa uma marca em quem o lê. É impossível sair dele o mesmo.
Também da época da Faculdade, O Nome da Rosa, de Umberto Eco foi um livro que prendeu minha atenção. Às vezes desconfio que só gostei tanto dele porque a ambientação era quase a mesma de Aventuras de Xisto. Em todo caso, li-o três vezes. Na primeira, o que mais me chamou atenção foram os detalhes sobre a história da Idade Média. Na segunda, os aspectos relacionados às teorias da comunicação (especialmente semiótica e teoria da informação). Na terceira, eu já estava mais interessado em detectar as influencias de Jorge Luís Borges sobre a obra.


Chegamos em Borges. O que mais me marcou no autor argentino não foi um livro, mas um conto: "O Aleph". O texto parecia uma versão literária de meus estudos sobre teoria do caos. A partir daí comecei a devorar tudo que me caía as mãos sobre o autor portenho. 
"O Aleph" me foi emprestado por um colega de redação na Folha de Londrina. Foi também ele quem me emprestou Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury. Eu já havia lido Farenheith 451, mas esse parecia uma versão menor de 1984, de Orwell. Crônicas Marcianas tinha vida própria e fez com que eu me interessasse pela literatura de ficção científica norte-americana.
De Bradbury para Isaac Asimov foi um passo. Além das histórias de robôs, sempre me fascinaram seus textos de divulgação científica. Asimov produziu um verdadeiro tijolo, Cronologia das descobertas cientificas, que foi meu livro de cabeceira durante o mestrado.
Uma história em quadrinhos que mudou a minha forma de ver o mundo foi Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. Moore virou de cabeça para baixo os comics norte-americanos ao mostrar os super-heróis de uma perspectiva realista. Histórias de heróis cuja vestimenta é uma fantasia sexual se misturam com casos de personagens que deixaram escapar bandidos porque precisavam ir ao banheiro. Pode parecer humorístico, mas a perspectiva não era essa. Moore realizou uma obra profunda sobre a condição humana em meio ao caos. O subtexto baseado na teoria do caos e na geometria fractal passou despercebido pela maioria dos leitores e só se tornou corrente no Brasil após o meu trabalho de conclusão de curso de graduação.


Já que falamos em teoria do caos, Caos: a criação de uma nova ciência, de James Gleick, é outro livro que exerceu grande influência sobre mim ao me mostrar o poder desse novo paradigma para explicar fenômenos não deterministas. Fenômenos deterministas são aqueles que seguem um padrão fixo, como um relógio. Para a ciência clássica, todo o universo era determinista. A teoria do caos demonstrou que esse modelo do universo como um relógio não corresponde à realidade. A maioria dos fenômenos, por mais determinados que pareçam, podem mudar de comportamento de uma hora para outra em decorrência de pequenas alterações, chamadas de efeito borboleta.
A teoria do caos foi uma das bases da teoria de Edgar Morin. Esse autor francês produz tanto que é quase impossível destacar um livro mais importante. Ciência com consciência, Sete saberes necessários à educação do futuro e A Cabeça bem-feita são alguns dos mais famosos. Morin defende uma nova visão de mundo, diversa daquela inaugurada por René Descartes, segundo a qual, para conhecer algo, é necessário dividir esse algo em pequenas partes e estudá-las um a uma.
Para Morin, as partes não podem ser vistas senão em sua relação com o todo. A teoria do caos demonstrou que tudo está relacionado. Uma pequena borboleta batendo suas asas na China pode desencadear uma série de eventos que redundam em uma tempestade em Nova York.
Morin critica a fragmentação dos saberes e defende uma ciência que vê as coisas em suas relações com outras coisas. Pensando bem, isso tem tudo a ver com a filosofia oriental que aparecia nas páginas das histórias em quadrinhos do Mestre do Kung Fu. Talvez tudo esteja mesmo interligado.

A divulgação científica nos quadrinhos

 

Em dezembro de 1997 defendi, no programa de pós-graduação da Universidade Metodista de São Paulo, a dissertação de Mestrado A divulgação científica nos quadrinhos: análise do caso Watchmen, um trabalho inovador não só por mostrar que Watchmen foi baseado na teoria do caos (algo que eu já havia feito em meu TCC, defendido em 1993), como em analisar a relação entre a ciência e os quadrinhos, algo que serviu de base de muitos trabalhos, em especial sobre o uso de quadrinhos nas aulas de ciência. 
Essa dissertação foi disponibilizada durante muitos anos no site da Virtual Books, que acabou saindo do ar. Assim, resolvi disponibilizá-la através de um blog.  Para conhecê-lo, clique aqui

Versailles – série histórica da Netflix

 


No século XVIII a França vivia uma grande transformação. O poder, que até então estivera nas mãos da nobreza feudal, começou a ser abocanhado pelo rei no processo que ficaria conhecido como absolutismo francês. O maior exemplo disso foi Luís XIV, o rei-sol, que dizia: “O estado sou eu”. E a maior representação desse poder foi o palácio de Versailles.
Versailles foi construída no antigo pavilhão de caça do pai de Luis XIV e tinha dois objetivos: um deles era sair de Paris, diminuindo as possibilidades de uma revolta por parte dos nobres feudais. O segundo objetivo era abrigar os nobres que se conformavam com a nova situação. Destituídos de seu poder e de suas terras, estes recebiam, em troca, um emprego na corte (podia ser abotoar o sapato do rei, por exemplo), onde viviam em meio ao luxo no maior e mais espetacular palácio da Europa.
A vida na corte era um eterno teatro cujo principal ator era o rei-sol. Nobres se acotovelavam para ver o rei acordar ou se recolher, como se vissem o espetáculo do nascer e do por-do-sol. Ou se amontoavam para vê-lo almoçar – os de mais prestígio eram chamados até mesmo para comer junto com o soberano. E Luis parecia ser também o centro sexual do palácio, com suas várias amantes e várias mulheres que pretendiam cair em sua graça.
Versailles era um local de festas eternas, mas também era um local de intrigas palacianas. Os nobres jamais se conformaram em perder o poder e houve vários complôs contra o rei.
A série Versalhes, lançada no Brasil pela Netflix, se propõe a abordar a construção do castelo, o luxo e as intrigas que envolviam a corte francesa. E não decepciona. O figuro é realmente esplêndido, assim como cenário. Há incongruências, claro. Em algumas cenas, o palácio, filmado atualmente, aparece inteiro, com partes que não existiam na época em que a história decorre. Mas elas passam facilmente despercebidas diante do bom roteiro, da direção inspirada e principalmente das grandes atuações – a começar pelo protagonista, George Blagden (de Vikings). A série tem duas temporadas na plataforma e já se fala em uma terceira. 
Versalhes é perfeito para quem gosta de histórias de intrigas palacianas. É um Guerra dos Tronos sem dragões. E com um final realmente de tirar o fôlego. 

sábado, maio 27, 2023

Farrapo humano, de Billy Wilder

 

Billy Wilder é considerado um cineasta eclético pela sua incrível capacidade de transitar em gêneros que vão da comédia ao drama. Farrapo humano (1945) é um ótimo exemplo dessa versatilidade. O filme conta a história de um escritor (Ray Milland) que se vê em crise de abstinência ao ser privado de beber durante um final de semana. Ele faz de tudo para conseguir a bebida, até mesmo roubar a bolsa de uma moça. 
Acompanhamos sua decadência até ao ponto em que ele começa a ter delírios e pensa em se matar.
Esse parece ser o filme de Wilder mais influenciado por Cidadão kane. É, por exemplo, o que mais usa profundidade de campo, aliás, com ótimos resultados. A cena em que o protagonista procura a última garrafa de bebida é mostrada de cima para baixo, e vemos a garrafa, que estava escondida no lustre, como se fosse um fantasma pairando sobre ele. 
Algo curioso sobre o estilo de Wilder é que ele parece ser um cineasta da tela grande. Seus filmes só começam a empolgar lá pelo meio, pois há um grande respeito pelo primeiro ato, que muitas vezes parece arrastado e até desinteressante. Em Quanto mais quente melhor, por exemplo, o humor só se instala a partir da cena do trem e é só quando o receptor é fisgado. O mesmo acontece com Farrapo humano, de começo pouco interessante, com uma longa caracterização do personagem, mas que fisga o leitor do meio para a frente, a ponto de não se conseguir parar de assistir. 
Isso só era possível porque naquela época os filmes eram assistidos exclusivamente no cinema e raramente alguém saia no meio da sessão. Nos tempos do video-cassete, que pode ser desligado a qualquer momento, foi necessário fisgar o expectador desde o primeiro momento, daí o sucesso de George Lucas e Spielberg. 
Por sua denúncia crua do alcoolismo, o filme botou medo na indústria de bebidas, que chegou a oferecer 5 milhões de dólares para que o estúdio não o lançasse. 
Uma curiosidade é que Farrapo Humano fez tanto sucesso que gerou uma versão nacional, chamada O ébrio (1946), com direção de Gilda de Abreu e Vicente Celestino no papel principal.

 

Marcos Rey.foi um dos principais roteiristas brasileiros de cinema e televisão. Na década de 1970 ele foi o rei da pornochanchada, escrevendo alguns dos principais filmes do gênero. Ele reuniu boa parte de sua experiência no livro O roteirista profissional: televisão e cinema. 
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Antes de mais nada, é bom avisar que não se trata exatamente de um manual. O autor até dá algumas dicas de como formatar o roteiro, mas não vai muito além da cabeça CENA 1 - LOCAL - EXTERIOR/INTERIOR - DIA/NOITE.
Na verdade, a obra é mais um relato de experiência com o qual podem aprender muito so que forem inteligentes e atentos. Escrito de forma coloquial, a impressão que temos é de estar conversando com um veterano e aprendendo de forma não muito sistemática.
Personagens

Uma das dicas é que Marcos Rey fazia uma espécie de questionário com qual "conversava com os personagens". Perguntas como: "Onde você nasceu? Qual a sua profissão? Gosta dela? Tem alguma religião? Já viveu algum grande amor? Tem algum ideal político? Gosta de repetir alguma palavra?" ajudam a compor o personagem. Todo mundo se lembra, por exemplo, do Coronel da novela Renascer que sempre dizia: "Certo, muito certo, certíssimo!".
No caso dos heróis, é bom dar-lhe um defeito, para torná-lo mais humano: Sherlock Holmes era um dependente de drogas, Poirot um vaidoso, Columbo um relaxado, só para ficar nos detetives.
Também é bom dar marcar fisicamente o personagem. Sherlock Holmes é conhecido pela roupa xadrez, pelo boné e pelo cachimbo. Kojak é careca e fuma uma piteira.
Se a dica é boa para seriados de TV, é melhor ainda para os quadrinhos, uma mídia que depende muito do visual.
RÚBRICAS

São marcações nas falas dos personagens para ajudar o diretor (ou o desenhista) a entender o tom da fala. Por exemplo:

JANDIRA (categórica): Neste hotel não vejo, não escuto, não falo!
PASCOAL (de boca cheia): É bom fazer coisa nova. a freguesia tá mudando!

DIÁLOGOS
Marcos Rey dá uma lição básica, mas importantíssima:
É preferível uma ação muda do que complementada por diálogos inúteis. Imagens também falam.
Nunca coloque em palavras o que a imagem já está tornando explícito.
Nesse sentido, ele critica os primeiros roteiristas de telenovelas, que, vindos do rádio, tinham o vício de fazer os personagens falarem o que estavam fazendo:
JANDIRA: Agora estou abrindo a porta. O que é isso? está tudo escuro? Ligaram uma luz! O quê? Fecharam a porta! Estou presa!
É, tem roteirista de quadrinhos que ainda faz esse tipo de coisa. Aliás, Marcos Rey devia estar pensando nos primeiros comics quando escreveu: "certos autores usam o diálogo como simples muletas de ação. Parece que escrevem histórias em quadrinhos".
NOVELAS
Marcos Rey conta que a maioria dos diretores mexia muito nos seus roteiros a ponto de muitas vezes ele não reconhecer seus textos na tela. De fato, normalmente diretores têm mais poder que os roteiristas e muitas vezes se dão o direito de mexer no texto. Isso só não acontece no caso das novelas. Os roteiristas são as grande estrelas e têm poder absoluto sobre suas novelas. Os diretores não costumam mudar quase nada. E a razão é simples: a produção de telenovelas é tão estafante e apressada que o diretor só tem tempo de filmar e editar. Curioso, não? É justamente o fato das novelas serem uma produção industrial que faz com que elas possam ser obras pessoais a ponto de conseguirmos distinguir o estilo do roteirista. Uma novela de Benedito Rui Barbosa, por exemplo, é completamente diferente de uma do Manoel Carlos.


ADAPTAÇÕES
Talvez o capítulo mais interessante seja sobre adaptações. Uma dica de Marcos Rey: adaptações ao pé da letra, fidelíssimas, são péssimas. De fato, esse talvez tenha sido o maior problema do filem Watchmen. Aliás, passado o vislumbre de ver nas telas uma transposição quase literal dos quadrinhos, o que ficou foram duas criações do diretor: a cena de abertura, com a música do Bob Dylan, perfeita, e o final, cientificamente muito mais correta do que a da história em quadrinhos.
Marcos Rey foi um dos roteiristas da excelente série do Sítio do Pica-pau amarelo da década de 1970. Hoje, 10 em cada 10 críticos diz que aquela adaptação da obra de Monteiro Lobato foi um marco, que encantou toda uma geração, mas na época a maioria dos itelectuais simplesmente odiou. E aí vai outra grande lição: nem sempre quem critica uma adaptação conhece a obra original.
Três exemplos:
1 Os críticos acharam uma heresia colocar uma televisão na sala da Dona Benta, mas não se tocaram que o Lobato já tinha colocado um rádio lá em plena década de 1920, quando esse aparelho era novidade absoluta.
2 Um episódio, Narizinho atômica foi muito criticado por estar deturpando a obra de Lobato. E era adaptação fiel de uma história menos conhecida de Lobato no qual ele falava do perigo das bombas atômicas.
3 A jornalista Cléo foi vista como absurda criação dos roteiristas, mas foi criada por Lobato, um visionário, que já imagina o dia em que as mulheres exerceriam o jornalismo.

As histórias clássicas da Disney na versão terror

 


O artista sueco Daniel Björk fez uma série de imagens com cartazes clássicos da Disney transformando-os na versão terror. Confira o resultado.