sábado, junho 29, 2024

Editorialite

 


Vindo da televisão e do cinema, Marcos Rey era um escritor muito rápido. Quando foi convidado a escrever livros para a coleção Vaga-Lume, ele escreveu o primeiro volume em menos de um mês e enviou. Pediram várias alterações.

Foi quando ele percebeu que os editores consideravam que a rapidez se devia à falta de qualidade - daí os pedidos de mudanças.

A solução foi simples: escrever o livro em janeiro e guardar, para só entregar em dezembro. Os editores consideravam que o livro estava ótimo, afinal o autor tinha passado um ano inteiro trabalhando nele, e não pediam mudança nenhuma.

O episódio demonstra a doença da editorialite, situação em que os editores se sentem na obrigação de pedir mudanças no texto mesmo quando nenhuma mudança é necessária.

Patrulha canina – super filhotes

 


Levei o meu neto para assistir Patrulha Canina – superfilhotes. O filme é baseado em uma série de sucesso entre crianças que tem vários cachorrinhos como protagonistas.
A Patrulha Canina é voltada para crianças de três a seis anos, de modo que não pode ter nada que os assuste (uma das crianças da sessão começou a chorar quando apagaram as luzes) ou vilões de verdade (os vilões do filme são o prefeito e seu sobrinho – e o prefeito é um personagem cômico).
Ao contrário de filmes como Toy Story, que são feitos para agradar pais e filhos, este é feito para agradar crianças realmente pequenas, o que provavelmente é motivo de enfado para os pais. Mas o roteiro do filme é redondinho, bem construído, sem falhas. É uma boa aplicação da jornada do herói, focada em um dos filhotes, Chase. Quando o humano que lidera a patrulha é preso pelo vilão, resta a Chase aprender a liderar – e o filme mostra sua evolução.
É uma história para crianças muito pequenas, que ainda estão aprendendo a prestar atenção, por isso é curto e por isso os personagens são muito demarcados e cada um com um visual muito característico, inclusive em termos de cores: as crianças precisam identificá-los imediatamente. Além do episódio principal há mais dois episódios, pinçados da série.
Na versão nacional colocaram duas crianças para fazer comentários antes e entre os episódios – certamente a parte mais tediosa.
É uma boa dica para quem tem em casa crianças nessa faixa etária. Meu neto de três anos adorou. 

Quarteto Fantástico contra os Srkulls

 


No número dois da revista do Quarteto Fantástico o grupo ainda não usava uniforme e personagens como o Coisa e o Tocha Humana ainda não tinham a aparência definitiva. Apesar disso, ficava muito claro que a publicação era algo revolucionário.

A trama era recauchutada dos quadrinhos de ficção científica da Atlas da década de 1950 sobre invasões alienígenas. Na história, uma nave Skrull (na primeira aparição desse povo no universo Marvel) está próximo à terra, mas antes de começar a invasão, envia ao planeta quatro de seu povo para cometerem crimes se fazendo passar pelo Quarteto Fantástico e assim forçar a prisão do grupo, o que facilitaria a invasão.

Os skrulls cometem crimes se fazendo passar pelo Quarteto... 


 Assim, o Coisa destrói uma plataforma marinha, a Mulher Invisível rouba uma jóia, o Tocha destrói um monumento e o Senhor Fantástico desliga a energia da cidade.

A reação dos originais é algo totalmente impensável para os heróis da época.

O Coisa fica furioso pela polícia estar caçando eles com se fossem monstros: “Talvez eles estejam certos! Talvez eu seja um monstro! Eu pareço um... e às vezes me sinto um! Mas ninguém vai me pegar sem luta! Se eles dizem que sou uma ameaça, então serei uma!”, diz ele enquanto joga a cabeça empalhada de um urso pela janela de vidro. Alguém consegue imaginar o o Super-homem da era de prata dizendo algo parecido?

... e o Coisa não gostou nada disso.


Jack Kirby ainda não usava os esquema dos seis quadros (uma página chega a ter 11 quadrinhos!!!) e Stan Lee extrapolava no texto, mas mesmo assim era possível perceber que a dinâmica da dupla criativa refletiva a dinâmica dos personagens: pessoas muito diferentes, mas que funcionavam muito bem juntas. Aliás, um recurso muito usado por eles, que infelizmente caiu em desuso, foi dividir a história em capítulos, de modo que a cada seis ou oito páginas temos uma página de impacto.

Não dá para respeitar vilões se usam uniformes parecidos com pijamas. 


Em tempo: nessa história os Skrulls usam uniformes ridículos, que parecem pijamas, com uma gola estrelada e capuz que deixa apenas o rosto e as orelhas enormes do lado de fora. Com o tempo esses personagens ganhariam um pouco mais de dignidade.

A escola nova

 

A chamada escola nova foi provavelmente a primeira iniciativa pedagógica que procurou superar as limitações da pedagogia tradicional.
Enquanto a educação, na escola tradicional, era centrada no professor e no conteúdo, a escola nova vai focar seu interesse no aluno, que será visto como sujeito de sua aprendizagem. Essa nova abordagem foi resumida na expressão “Aprender a aprender”. Ou seja, a escola não deve repassar necessariamente conteúdos, mas deve despertar nos alunos a capacidade deles mesmos serem capazes de aprenderem. Representantes dessa corrente são a italiana Maria Montessori e o norte-americano John Dewey.
Ao contrário da pedagogia tradicional, que via a criança como um adulto pouco desenvolvido, a pedagogia nova vê a criança como um ser completo que passa por fases, sendo que o aprendizado deve se adequar a essas fases. Não é à toa que uma das primeiras providências de Maria Montessori foi mandar construir móveis próprios para as crianças. Faze-las utilizarem móveis de adultos era um desrespeito a elas.
Esse paradigma privilegia a atividade prática, que deve ser realizada em grupo e não individualmente, pois a integração ao grupo é visto como essencial para o desenvolvimento social. Assim, ao aluno é apresentado um problema que deve ser resolvido. Ao professor cabe prover o aluno das informações e instruções que lhe permitam descobrir soluções. Ao contrário da pedagogia tradicional, o professor não demonstra a situação para o aluno. Ele apenas o orienta para que ele chegue às suas próprias soluções.
A vivência democrática é a base dessa postura. Os alunos devem ser capazes de atuarem em uma democracia e para isso é necessário não a disciplina, mas a auto-disciplina. Aluno disciplinado é aquele que é solidário, participante, respeitador das regras do grupo. Segundo Dewey, “o aprendizado se dá quando compartilhamos experiências e isso só é possível num ambiente democrático, onde não haja barreiras ao intercâmbio de idéias”.
Esse paradigma é essencialmente empirista, pois acredita que o conhecimento surge da experiências vivenciadas. O método Montessori, por exemplo, privilegia os sentidos, dando às crianças materiais que lhes permitam experiências com o uso dos sentidos: o tato, a visão, a audição, o olfato. Até mesmo aprender a ler e escrever é decorrência da experiência dos sentidos (como as letras em relevo para que as crianças pudessem acompanhar as formas com os dedos).

Além do enfoque no aluno, os professores da nova escola têm a crença de que as crianças querem aprender, ao contrário da pedagogia tradicional, segundo a qual a criança não tinha interesse nenhum pelo conhecimento e, se não estivesse sob uma disciplina rígida, de castigos e punições, não aprenderia nada.
A relação professor-aluno também diferia muito da escola tradicional. Na escola tradicional, os professores raramente sorriam, pareciam não gostar dos alunos e os castigavam pelos mínimos motivos. A relação era fria e distante, pois qualquer envolvimento emocional poderia comprometer o resultado do trabalho pedagógico. Na nova escola, ao contrário, o professor tem uma relação afetiva com seus alunos e o aprendizado só pode se realizar num ambiente de companheirismo e democracia.
Infelizmente são poucas as escolas que se propõe a ensinar o aluno a aprender a aprender. Muitas escolas apenas utilizaram a escola nova como desculpa para diminuir a importância dos professores. Na maioria das instituições de ensino, o que vale ainda é a pedagogia tradicional. 

Guia de viagem: Salvaterra e Soure

 



 Salvaterra e Soure são duas cidades turísticas da região do Arari, na ilha de Marajó. As duas cidades se destacam principalmente pelas belíssimas praias, destino de turistas do mundo inteiro. 

Outra atração é a culinária: o queijo de leite de búfala produzido nessa região é premiado internacionalmente. Além doce de leite é um dos melhores que já experimentei. Além disso, em todas as praias é possível apreciar deliciosos pratos com peixe.  

A região é próxima de Belém, de modo que a viagem de lancha demora aproximadamente três horas. A lancha sai do terminal hidroviário de Belém e conta com ar condicionado e lanchonete. A passagem custa em média 50 reais o trecho. Para quem vai de moto ou carro, o caminho é pegar a balsa no porto de Icoaraci, pela empresa Banave. 

Nós já fomos três vezes e nas três ficamos em Salvaterra, na pousada Açaí, um dos que têm preço mais em conta. O taxista que nos levou disse que era o mais distante da praia, mas como a maior parte da praia é composta de pedras, inviável para banho, a distância do Açaí para a parte boa da praia é praticamente a mesma dos outros hoteis. 

Em Salvaterra, além da praia da orla da cidade, conta com as praias de Joanes e de Água Boa. 

Em Soure, as atrações são as praias do Pesqueiro e Barra Velha. Se decidir se hospedar em Salvaterra, a travessia para Soure é feita através de pequenos barquinhos que saem o tempo todo. É necessário pegar um taxi até o porto e depois do centro de Soure para as praias. Quando fomos, o próprio pessoal do hotel fez o translado até o porto e em Soure combinamos com um taxista, que nos levou até a praia do Pesqueiro, combinamos o horário, ele foi nos buscar e nos levou até a praia da Barra Velha, indo nos pegar de volta no final do dia. É um roteiro que vale a pena, pois as praias são muito bonitas. 

Logo que chegamos, um taxista de Salvaterra ofereceu nos levar para as praias de Soure e cobrou 300 reais. Não vale a pena. Esse foi o valor total que gastamos, incluindo comida. 


Salvaterra


Um passeio obrigatório é no lombo do búfalo. 


A praia da Água Boa tem paisagens belíssimas. 
Uma dica na praia da Água Boa é comer o peixe com queijo do marajó. O prato individual custa 40 reais. 

Salvaterra tem uma particularidade: uma rua com uma árvore no meio. 


Retrô café é um bom local para lanchar. Eles também servem refeições. Fica no centro da cidade. 


Soure 


A travessia de Salvaterra para Soure é feita em pequenos barcos. 

A praia do Pesqueiro é uma das mais frequentadas da região. 


A Praia do Pesqueiro é caracterizada pelas barraquinhas com telhado de palha. 
Peixe frito é a especialidade dos restaurantes. 


A praia da Barra Velha é caracterizada por árvores com raízes expostas. 


Na cidade de Soure uma boa dica é a Fazendinha Buba. Não deixe de experimentar a tapioca ou pão com queijo do marajó. 

Demolidor – A primeira aparição do Tentáculo

 

Uma das características que faziam do Demolidor de Frank Miller um título revolucionário era a influência da cultura japonesa. Esse aspecto ficou claro no número 174 da revista, no qual que aparece pela primeira vez o grupo de assassinos chamado Tentáculo.

Na história, Elektra está caçando um homem em busca de recompensa quando este é morto por alguém. Ao perserguir o assassino ela descobre não só que ele é do Tentáculo como o próximo alvo do grupo: o advogado Matt Murdock.

Toda a complexidade psicológica de Elektra resumida em uma imagem. 


A sequência, aliás, é maravilhosa e mostra como Miller conseguia usar todos os recursos disponíveis para contar sua historia, incluindo aí os ângulos e planos. Em uma imagem vemos a anti-heroina observando por uma janela e ouvindo o que estão dizendo. No quadro seguinte, temos um close e o texto diz: “Ele é americano. Um advogado...”.  A expressão dela revela preocupação e, ao mesmo tempo, uma certa candura inocente, como se víssemos uma menina. Fica óbvio que a vítima é Murdock e que ela ainda o ama. Ali, resumido naquele quadro, toda a caracterização da personagem: uma assassina fria, mas também uma jovem apaixonada.

Miller era um mestre das cenas de luta. 


Claro que tudo faz parte de um plano do Rei do Crime. Ele sabe que há alguma ligação entre Murdock e o Demolidor e imagina que colocar o Tentáculo para matar o advogado irá colocar o grupo em rota de colisão com o herói. Assim, ele se livra de um grupo rival ou de um herói que vem criando algumas dificuldades colocando-os para lutar um contra o outro. Esse é o Rei na versão de Miller: um estrategista, que raramente precisa colocar as mãos na massa.

Ali pelo meio há uma luta de Elektra, Demolidor e Gladiador contra a guangue do Tentáculo que mostra bem como Miller aprendeu com Eisner a introduzir humor na narrativa. Como não ouviu a voz da mulher, o herói nem imagina que seja Elektra e pensa estar salvando Melvin. Como ele está sem o radar, na verdade, quem resolve a situação é Elektra. O quadro final dessa sequência mostra os genins fugindo de Elektra e o Demolidor pensando: “Estão fugindo. Consegui. Sem meu radar... sozinho...”.

O Demolidor acha que está vencendo a batalha, quando na verdade, está sendo salvo por Elektra. 


É um daqueles exemplos do que chamo de texto irônico, em que o que é dito do texto é o contrário do que o leitor está vendo.  

sexta-feira, junho 28, 2024

Demolidor – Marcado para morrer

 


Assim que assumiu os desenhos na revista do Demolidor, Frank Miller chamou atenção por seu senso narrativo e começou a dar sugestões para o título, sugestões que foram acatadas pelo roteirista Roger McKenzie.

Esses pitacos já podem ser observados na segunda história desenhada por Miller, em Daredevil 159. Essa edição já destoa do tom super-heroiesco da revista até então, aproximando-se mais do gênero policial.

Na história um homem misterioso, cujo rosto não vemos em detalhes, contrata um mafioso chamado Slaughter para matar o Demolidor, prometendo um pagamento de meio milhão de dólares.

A página dupla é um exemplo da maestria narrativa de Miller. 


As primeiras páginas já são um ótimo exemplo do estilo narrativo que seria característico de Miller (vale lembrar que na Marvel usa-se o Marvel way, em que o desenhista recebe apenas um resumo, desenvolve visualmente a história e depois o roteirista coloca o texto). A primeira página mostra trechos de uma batalha entre o Demolidor e o Mercenário em quatro imagens com uma variedade de ângulos e planos.

Então o leitor se depara com uma imagem em página dupla. Um homem misterioso apontando para a tela, onde passam as imagens do conflito enquanto o mafioso, em primeiro plano, tem seu cigarro aceso por um lacaio e diz: “Tudo é possível por um preço... até mesmo assassinato!”. O impacto é enorme.

Miller varia planos, ângulos, joga com a luz e a sombra. 


O mafioso manda bandidos ameaçarem Matt Murdock e enviarem uma mensagem para o Demolidor: ele deve comparecer no cais à meia-noite. Claro que o local está infestado de malfeitores, armados até os dentes, prontos para matar o herói.

Mas o Demolidor usa seu sentido de radar e sua audição super-desenvolvida par ir eliminando os adversários um a um em sequências de ação simplesmente magistrais. Miller joga com luz e sombras, varia ângulos e planos, usa a elipse quadrinística com genialidade, faz quadros verticais que se esticam por toda a lateral da página quando o Demolidor cai na água, usando o recurso para mostrar visualmente sua queda.

Uma curiosidade é que Miller introduz aqui um personagem que seria usado à exaustão como alívio cômico na sua fase como roteirista do título: o criminoso Tucão.

No final descobrimos que quem está por trás dessa tentativa de assassinato é um vilão Mercenário. A história termina com a promessa de um grande confronto.

O uivo da górgona mistura zumbis e crítica social

 


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Valor: 25 reais. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

Morte na Mesopotânia

 


Agatha Christie não só continuou o legado de Conan Doyle na literatura policial, como praticamente criou sozinha um subgênero, em que uma pessoa é assassinada em um local fechado, com poucas pessoas presentes, todas elas suspeitas do crime. No final, o detetive (Poirot normalmente) reúne todos os suspeitos, analisa as motivações de cada para o assassinato e no final revela o verdadeiro assassino, geralmente aquele que o leitor menos espera.
Um ótimo exemplo dessa estrutura é Morte na Mesopotânia. Christie foi casada com um arqueólogo e usou essa experiência para criar uma trama intrigante. Um grupo de arqueólogos está trabalhando nas ruínas no Iraque quando a esposa do chefe da expedição é assassinada. O local onde ocorre o crime é fechado, com guardas no único portão. A situação se agrava mais ainda ao se descobrir que a vítima recebia cartas ameaçadoras de seu ex-esposo, que supostamente estava morto.
Agatha Christie é famosa não só pelas tramas bem elaboradas e pela estrutura inovadora: ela também é uma escritora deliciosa, com uma narrativa fluída, que não perde o encanto nem mesmo quando o que é mostrado é apenas algumas pessoas fofocando. Além disso, tinha a incrível capacidade de criar personagens marcantes e carismáticos, tridimensionais. Essa perícia na criação de personagens se reflete na própria vítima, mostrada tanto como uma dama encantadora quanto como uma vilã capaz de manipular e provocar dissensões no grupo.
São 230 páginas que passam muito rápido.

Santiago - guia de viagem

 


Santiago, apesar de ser uma cidade latino-americana, é muito diferente da maioria das cidades brasileiras - e mesmo da América Latina. Para começar, é a capital mais segura da região. Mesmo uma população enorme, de 5 milhões de pessoas, parece não ter afetado a criminalidade. Eu andava pelas ruas e via gente mexendo no celular como se estivesse numa cidadezinha de interior. E, apesar da maconha ser liberada, não vi uma única pessoa fumando na rua - algo que vi muito em cidades como São Paulo e Curitiba.
Lojas de maconha são comuns na cidade menos violenta da América Latina. 

No centro há os chamados cafés com pernas, em que os clientes são atendidos por moças em mini saias - daí o nome. Dizem que antigamente esses cafés tinham atração a mais. Em determinado momento todas as garçonetes tiravam a camisa exibindo seus seios - mas esse espetáculo parece ter ficado no passado.
Os prostíbulos são chamados de cafés elegantes - e você poderia facilmente entrar em um por engano, pois parecem realmente cafés.
As bancas de revistas têm poucas revistas jornalísticas. 

Para alguém da área de comunicação o que espanta é a ausência de revistas nas bancas. Não há, por exemplo, revistas como Veja e Istoé. Em compensação, há muitos jornais, inclusive sobre maconha e sobre saúde, além dos jornais especializados em humor político. Para os fãs de quadrinhos uma dica são os álbuns do personagem Condorito - tão popular no Chile que em locais turísticos vendem imãs de geladeiras. É possível comprar os álbuns por valores que vão de 5 a 10 reais.
Palácio de La Moneda

Há também uma curiosidade: o palácio de governo se chama Casa de La Moneda. Isso porque de fato ela foi construído para ser uma casa da moeda, mas com o tempo acabou sendo apropriada como residência pelos presidentes. Aliás, a construção atual foi totalmente reformada. Quando do golpe militar que levou Pinochet ao poder, o palácio foi duramente bombardeado.
No centro há diversos guias turísticos oferecendo seus serviços. Não caia nessa. Nós contratamos um e o valor é alto (aproximadamente 100 reais por pessoa) e os guias falam pouca coisa que realmente interessa, se contentando com algumas piadinhas. Além disso, o percurso é feito totalmente a pé. Não vale os 100 reais.
Os ônibus panorâmicos da Turistik são uma boa opção para conhecer os principais pontos turísticos da cidade. 

Para quem está chegando na cidade, uma boa dica é o ônibus da Turistik, que percorre os principais pontos turísticos da cidade. O valor é um pouco maior que o dos guias turísticos e são percorridos muito mais lugares - além da narração gravada que traz informações realmente relevantes sobre os pontos turísticos - inclusive sobre a resistência dos índios Mapuche aos espanhóis (uma dos poucos povos pré-colombianos que botaram terror nos espanhóis). Só não compre o passeio pelo site. Eu comprei e eles não mandaram o volcher. Tive que comprar numa loja da Turistik (há muitas espalhadas pela cidade) e pedir o reembolso.
O shopping Costanera pode ser visto de todas as partes da cidade. 

Ponto turístico obrigatório é o shopping Costanera, um dos prédios mais altos do mundo - que pode ser visto de qualquer ponto da cidade - uma maravilha arquitetônica numa cidade que costuma ter frequentes abalos sísmicos. Aliás, prepare-se: os tremores são frequentes. Nós pegamos um de 6.4. Foi assustador (e divertido) ver a porta do apartamento batendo como se alguém quisesse entrar. Mas os chilenos só se preocupam se for acima de 7.0.

Falando em dinheiro, prepare-se. Embora o real seja muito valorizado com relação ao peso chileno, os preços são altíssimos. Quando fomos cheguei a fazer a conversão de um real para 180 pesos. Parece muito, mas você vai no supermercado e não encontra nada mais barato que mil pesos. Uma garrafa de água de 300 ml custa 800 pesos. Ou seja, quase cinco reais dependendo da conversão. A conversão engana. Uma senhora que foi conosco nos dizia que comprou uma barra de chocolate por um preço baixíssimo. Fui fazer a conversão e descobri que ele pagara quase 10 reais numa barra de chocolate que no Brasil custo no máximo 5 reais.

Muitas empresas mandam fazer casas para cachorros de rua. 
Algo que chama atenção também são os cachorros de rua. Todos muito bonitos e bem-tratados. Donos de lojas fazem casinhas para cachorros e várias pessoas os alimentam. Eu vi um mendigo com um carrinho de supermercado cheio de bichinhos de pelúcia e com três cachorros dentro. E não só o cachorro estava limpinho, como os bichos pareciam ter saído da loja. Os chilenos decididamente amam cachorros. Uma pessoa nos disse que a razão para isso é que os cães pressentem terremotos, o que é algo muito útil quando se mora em um local em que tremores de terra fazem parte do cotidiano.
Os cachorros de rua de Santiago parecem cachorros de raça brasileiros. 

Outra boa opção é o passeio para Vina del Mar e Valparaíso. Mas não aconselho ir pela Turistik. Gastamos quase 60% do tempo em Vina del Mar, um local repleto de prédios de luxo nos quais os ricos passam férias. E passamos quase correndo por Valparaíso, uma cidade histórica super-interessante - para ter uma ideia, passamos tão rápido pelo Museu Pablo Neruda que algumas pessoas sequer viram o prédio. Se o seu interesse é por cidades históricas, aconselho ir de ônibus normal e ficar pelo menos um dia inteiro em Valparaíso. Se o seu interesse for tirar fotos para parecer rico, o passeio da Turistik é uma boa.
A troca da Guarda é uma das atrações no Palácio de La Moneda


A arquitetura de Santiago chama atenção tanto pelos prédios modernos quanto pelos clássicos. 

O funicular é usado para subir ou descer dos cerros (morros)

Para evitar que as casas históricas fossem pichadas, a prefeitura de Valparaíso incentivou os grafites. Isso transformou a cidade num museu a céu aberto. 

Até mesmo as mercearias de Valparaíso são diferenciadas, com placas vintage. 

Em Vina del Mar, praia e prédios luxuosos. 

Homenagem a Pablo Neruda. 

O teleférico permite ver toda a cidade de Santiago.