sexta-feira, julho 31, 2026

Perry Rhodan: A Sexta Época


Os Senhores de Andrômeda foi o primeiro ciclo da série Perry Rhodan a durar 100 números. No entanto, talvez para não romper totalmente com a estrutura anterior, K.H. Scheer, o coordenador da série, escreveu o número 250  como se fosse um novo ciclo, resumindo os fatos anteriores, estabelecendo uma nova ambientação e definindo uma nova era — daí o nome A Sexta Época.

Em termos de novidades, Scheer apresenta a nova frota terrana, destacando as naves mosquito e o supercouraçado, cuja escala monumental faz com que as maiores naves anteriores pareçam anãs. Scheer demonstra um verdadeiro fetiche por descrições técnicas e de engenharia espacial, dedicando dezenas de páginas a trechos detalhados como estes:

"As cinquenta corvetas, com seus campos defensivos hiperenergéticos, as máquinas propulsoras compactas e o canhão conversor pesado, tinham um poder de combate por unidade que muitos povos astronautas não conseguiam alcançar com frotas inteiras."

Ou ainda:

"O poder de combate dos mosquitos já era conhecido. Quinhentas unidades pequenas desse tipo eram capazes, em virtude de seus campos hiperenergéticos e dos canhões conversores, de transformar grandes frotas de guerra em nuvens de gases incandescentes. Nem mesmo os supercouraçados da classe Império seriam capazes de resistir ao ataque concentrado de quarenta mosquitos."

Curiosamente, embora seja obsessivo nas especificações técnicas, o autor na maioria das vezes omite detalhes visuais básicos: não sabemos, por exemplo, qual é o formato exato dos mosquitos ou das corvetas nesta descrição inicial.



Embora essa introdução técnica seja bem escrita, ela se estende por mais da metade do volume. A ação propriamente dita só ganha fôlego quando a nave Crest III encontra uma estrutura metálica colossal, do tamanho de um pequeno planeta, aparentemente abandonada no vácuo.

O leitor que persiste até este ponto é recompensado com uma trama repleta de Sense of Wonder  quando a estrutura se revela um estaleiro espacial automatizado, especializado em consertar naves avariadas. Para conquistar clientes, os robôs realizam um verdadeiro "show" de vendas:

"Ei, amigos, sejam bem-vindos ao KA-Barato!" — diz um dos robôs. — "Estão interessados num conserto? Pode ser feito. Será barato, amigos, barato mesmo. O estaleiro KA-Barato não quer apenas ser barato, ele não apenas afirma isso — ele realmente trabalha barato. E bem. Ouçam, amigos!"

É um início empolgante para uma nova fase, algo que Scheer, como mestre da Space Opera militarista, sabia conduzir com maestria.

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