Uma das características que faziam de William Voltz
um dos melhores — senão o melhor — escritores da série Perry Rhodan era
o cuidado minucioso na construção do texto, como podemos observar no volume
252, O Mundo dos Regenerados.
O livro abre com uma nota sensorial direta:
"Uísque! A garrafa exalava um aroma
inconfundível."
Trata-se do Major Don Redhorse que, por meio do Sargento
Brazos Surfat, descobrira que o álcool livrava os humanos da influência dos
Biodegradadores. Ele vai até o camarote do sargento justamente para confiscar a
garrafa. No número anterior, os anões haviam conquistado a nave Crest III,
dominando a tripulação através de uma substância expelida por eles durante seu
processo de regeneração.
A busca pelo álcool era uma tentativa desesperada de
remediar a situação. Mas não era a única frente de batalha: Rhodan, Atlan,
Gucky e Kalak (um Engenheiro Cósmico) partiram para o planeta dos
anões na tentativa de resgatar a gigantesca nave.
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| A capa original alemã. |
O volume foca principalmente na luta dos humanos para
sobreviver em um mundo primitivo enquanto tentam retomar o controle
tecnológico. Há passagens curiosas, como o fato de os anões possuírem uma
civilização tão atrasada que utilizam fogueiras e tochas para iluminação, ao
mesmo tempo em que usam seus dons biológicos para escravizar grandes sauros
para o trabalho pesado.
No geral, é um volume interessante, embora menos empolgante
que o anterior. Sentimos falta, por exemplo, do ponto de vista de Bitzos, o
líder dos anões, que tanto enriqueceu a narrativa do livro 251.
Contudo, o desfecho é magistral em sua simetria. O livro
termina com o Sargento Brazos Surfat recuperando-se do tiro que havia levado e
recebendo de Don Redhorse uma garrafa. O texto reverbera a abertura, mas
introduz uma ironia que transforma a sequência em humor refinado:
"O líquido que havia na garrafa era da cor do uísque.
Mas o aroma que saiu dela era inconfundível. Chá!"
Como o exemplo demonstra, Voltz pensava o texto como um
organismo vivo, onde as peças se encaixam como em um quebra-cabeça,
recompensando o leitor atento com esse tipo de "eco" narrativo.


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