segunda-feira, agosto 17, 2026

Perry Rhodan – O Mundo dos Regenerados

 


Uma das características que faziam de William Voltz um dos melhores — senão o melhor — escritores da série Perry Rhodan era o cuidado minucioso na construção do texto, como podemos observar no volume 252, O Mundo dos Regenerados.

O livro abre com uma nota sensorial direta:

"Uísque! A garrafa exalava um aroma inconfundível."

Trata-se do Major Don Redhorse que, por meio do Sargento Brazos Surfat, descobrira que o álcool livrava os humanos da influência dos Biodegradadores. Ele vai até o camarote do sargento justamente para confiscar a garrafa. No número anterior, os anões haviam conquistado a nave Crest III, dominando a tripulação através de uma substância expelida por eles durante seu processo de regeneração.

A busca pelo álcool era uma tentativa desesperada de remediar a situação. Mas não era a única frente de batalha: Rhodan, Atlan, Gucky e Kalak (um Engenheiro Cósmico) partiram para o planeta dos anões na tentativa de resgatar a gigantesca nave.

A capa original alemã. 


O volume foca principalmente na luta dos humanos para sobreviver em um mundo primitivo enquanto tentam retomar o controle tecnológico. Há passagens curiosas, como o fato de os anões possuírem uma civilização tão atrasada que utilizam fogueiras e tochas para iluminação, ao mesmo tempo em que usam seus dons biológicos para escravizar grandes sauros para o trabalho pesado.

No geral, é um volume interessante, embora menos empolgante que o anterior. Sentimos falta, por exemplo, do ponto de vista de Bitzos, o líder dos anões, que tanto enriqueceu a narrativa do livro 251.

Contudo, o desfecho é magistral em sua simetria. O livro termina com o Sargento Brazos Surfat recuperando-se do tiro que havia levado e recebendo de Don Redhorse uma garrafa. O texto reverbera a abertura, mas introduz uma ironia que transforma a sequência em humor refinado:

"O líquido que havia na garrafa era da cor do uísque. Mas o aroma que saiu dela era inconfundível. Chá!"

Como o exemplo demonstra, Voltz pensava o texto como um organismo vivo, onde as peças se encaixam como em um quebra-cabeça, recompensando o leitor atento com esse tipo de "eco" narrativo.

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