segunda-feira, agosto 31, 2026

Warlock – O início da saga

 


Warlock era um daqueles muitos personagens da Marvel que haviam surgido na fase de Jack Kirby e Stan Lee, mas que ninguém sabia direito como aproveitar.

O personagem apareceu pela primeira vez em Fantastic Four nº 66-67. Era um homem perfeito, gestado dentro de um casulo para dominar o mundo em nome de seus criadores. Ao perceber as intenções deles, o "Ele", como era chamado na época, revolta-se, destrói o laboratório e mata os cientistas.

Um alienígena conversa com o leitor e explica os fatos anteriores. 

Roy Thomas considerou a ideia boa demais para ser desperdiçada e criou uma série própria para o herói. Nela, o personagem, agora batizado de Adam Warlock, tem seu casulo encontrado pelo Alto Evolucionário e recebe uma joia que lhe permite lutar contra o Homem-Fera, impedindo que o vilão transforme a Contra-Terra (um planeta criado pelo próprio Evolucionário) em um local dominado pelo ódio, ganância e preconceito.

Essa versão, mesmo contando com os roteiros de Roy Thomas e os desenhos de Gil Kane, não empolgou o público, e a revista durou poucos números. Foi então que Jim Starlin foi convidado a assumir a série, transformando-a em uma saga cósmica em seu melhor estilo.

Nessa série, Starlin está no seu auge no desenho e roteiro. 

Starlin inicia sua fase na edição Strange Tales nº 178, resumindo toda a trajetória anterior por meio de um alienígena cínico que narra os fatos: “Oi, crianças. Parece que alguns de vocês não sabem quem é Adam Warlock. Que vergonha! Bom, o titio Stan pediu para atualizá-los”. Há, inclusive, referências metalinguísticas, como quando o narrador comenta que dispõe de apenas quatro páginas para esse resumo.

Terminada a introdução, começa a história com o melhor de Starlin, mesclando filosofia, psicologia e ação em meio a uma trama estelar. Uma mulher busca a ajuda do herói, mas três caçadores a perseguem e a executam. Os perseguidores apresentam-se como inquisidores da Igreja da Verdade Universal. O teor da trama explica por que Starlin costumava entregar os originais em cima da hora: sua nova série era uma contundente crítica ao fanatismo religioso e um alerta sobre seus perigos.

A série é uma óbvia crítica às religiões. 

O próprio Magus, o deus da referida religião, revela-se para Warlock e identifica-se: ele é ninguém menos que uma versão futura do próprio herói, dotado de um poder inimaginável. O que teria levado Warlock a se transformar nesse tirano espacial? E como impedir que isso aconteça?

Profundidade psicológica: o vilão é o próprio herói. 

Ao colocar o antagonista como uma variante do próprio protagonista, Jim Starlin reflete verdades espirituais tradicionais, relatadas do Bhagavad Gita ao Tao Te King, nas quais o verdadeiro conflito é interno. Jim Starlin, o mais proeminente representante da geração hippie da Marvel dos anos 1970, atinge seu auge criativo nesta série.

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