Warlock era um daqueles muitos personagens da Marvel que
haviam surgido na fase de Jack Kirby e Stan Lee, mas que ninguém sabia direito
como aproveitar.
O personagem apareceu pela primeira vez em Fantastic Four
nº 66-67. Era um homem perfeito, gestado dentro de um casulo para dominar o
mundo em nome de seus criadores. Ao perceber as intenções deles, o
"Ele", como era chamado na época, revolta-se, destrói o laboratório e
mata os cientistas.
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| Um alienígena conversa com o leitor e explica os fatos anteriores. |
Roy Thomas considerou a ideia boa demais para ser
desperdiçada e criou uma série própria para o herói. Nela, o personagem, agora
batizado de Adam Warlock, tem seu casulo encontrado pelo Alto Evolucionário e
recebe uma joia que lhe permite lutar contra o Homem-Fera, impedindo que o
vilão transforme a Contra-Terra (um planeta criado pelo próprio Evolucionário)
em um local dominado pelo ódio, ganância e preconceito.
Essa versão, mesmo contando com os roteiros de Roy Thomas e
os desenhos de Gil Kane, não empolgou o público, e a revista durou poucos
números. Foi então que Jim Starlin foi convidado a assumir a série,
transformando-a em uma saga cósmica em seu melhor estilo.
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| Nessa série, Starlin está no seu auge no desenho e roteiro. |
Starlin inicia sua fase na edição Strange Tales nº
178, resumindo toda a trajetória anterior por meio de um alienígena cínico que
narra os fatos: “Oi, crianças. Parece que alguns de vocês não sabem quem é Adam
Warlock. Que vergonha! Bom, o titio Stan pediu para atualizá-los”. Há,
inclusive, referências metalinguísticas, como quando o narrador comenta que
dispõe de apenas quatro páginas para esse resumo.
Terminada a introdução, começa a história com o melhor de
Starlin, mesclando filosofia, psicologia e ação em meio a uma trama estelar.
Uma mulher busca a ajuda do herói, mas três caçadores a perseguem e a executam.
Os perseguidores apresentam-se como inquisidores da Igreja da Verdade
Universal. O teor da trama explica por que Starlin costumava entregar os
originais em cima da hora: sua nova série era uma contundente crítica ao
fanatismo religioso e um alerta sobre seus perigos.
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| A série é uma óbvia crítica às religiões. |
O próprio Magus, o deus da referida religião, revela-se para
Warlock e identifica-se: ele é ninguém menos que uma versão futura do próprio
herói, dotado de um poder inimaginável. O que teria levado Warlock a se
transformar nesse tirano espacial? E como impedir que isso aconteça?
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| Profundidade psicológica: o vilão é o próprio herói. |
Ao colocar o antagonista como uma variante do próprio
protagonista, Jim Starlin reflete verdades espirituais tradicionais, relatadas
do Bhagavad Gita ao Tao Te King, nas quais o verdadeiro conflito
é interno. Jim Starlin, o mais proeminente representante da geração hippie
da Marvel dos anos 1970, atinge seu auge criativo nesta série.





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