quinta-feira, setembro 17, 2026

Perry Rhodan – O sol fantasma

 


O número 254 da série Perry Rhodan é uma continuação direta do volume anterior, no qual Rhodan e seu grupo de desembarque encontram-se presos em um mundo vegetal, prestes a serem transformados em zumbis pelos seres locais.

Como o livro anterior, Avanço no Mundo das Trevas, havia sido marcado por confusão e pura enrolação, minha expectativa era de que, apesar de manterem o mesmo escritor, H. G. Ewers, as coisas melhorassem. Afinal, aqui teríamos os personagens em plena ação, imersos em uma situação extremamente intrigante e criativa.

Infelizmente, o livro não corresponde às expectativas. Ewers justifica a ausência de socorro por parte da nave Crest III através da ação de um tal de Bluul — um ser que se alimenta de energia e gera ilusões, fazendo os terranos acreditarem que estão em outro lugar. O problema é a falta de profundidade: quem é Bluul? Qual a sua origem? Qual sua ligação com o planeta das plantas ou a extensão de seus poderes? H. G. Ewers parece ter todas as respostas, mas se esquece de compartilhá-las com o leitor.

A capa original alemã. 


A lógica narrativa falha novamente quando os terranos, ao perceberem a farsa, tentam se libertar usando uma bomba atômica. O Bluul, em vez de ser afetado, simplesmente "engole" a energia liberada. Para resolver o impasse, os protagonistas detonam uma Bomba de Arcon (capaz de destruir um planeta inteiro) e conseguem escapar. Ewers, contudo, falha em explicar por que o Bluul não absorveria também essa carga massiva de energia, tornando a solução incoerente.

O mesmo padrão se repete no núcleo do planeta vegetal. Em determinado momento, Rhodan, já em processo de transformação, pede um "cristal de ilusões". A narrativa chega ao ponto em que o ser modular, Baar Lun, recebe a mensagem: “A grande vida submete-se ao poderoso”. Apesar de soar como um tremendo deus ex machina, o recurso poderia ter gerado um desfecho interessante se o conflito fosse resolvido de forma pacífica e diplomática. No entanto, a ideia morre como uma ponta solta, sem qualquer explicação posterior.

Curiosamente, este volume publicado pela Ediouro traz uma carta do leitor Tomás Rafaeli, de Curitiba, que critica a tendência imperialista da série: “Por que uma figura glorificada como Perry Rhodan tem que invadir uma galáxia estranha? Não acham que é um mau exemplo?”. A crítica de Tomás se aplica perfeitamente a este volume, no qual o roteiro ignora nuances criativas e resolve todos os dilemas através de ações puramente agressivas.

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