O número 254 da série Perry Rhodan é uma continuação
direta do volume anterior, no qual Rhodan e seu grupo de desembarque
encontram-se presos em um mundo vegetal, prestes a serem transformados em
zumbis pelos seres locais.
Como o livro anterior, Avanço no Mundo das Trevas,
havia sido marcado por confusão e pura enrolação, minha expectativa era de que,
apesar de manterem o mesmo escritor, H. G. Ewers, as coisas melhorassem.
Afinal, aqui teríamos os personagens em plena ação, imersos em uma situação
extremamente intrigante e criativa.
Infelizmente, o livro não corresponde às expectativas. Ewers
justifica a ausência de socorro por parte da nave Crest III através da
ação de um tal de Bluul — um ser que se alimenta de energia e gera ilusões,
fazendo os terranos acreditarem que estão em outro lugar. O problema é a falta
de profundidade: quem é Bluul? Qual a sua origem? Qual sua ligação com o
planeta das plantas ou a extensão de seus poderes? H. G. Ewers parece ter todas
as respostas, mas se esquece de compartilhá-las com o leitor.
![]() |
| A capa original alemã. |
A lógica narrativa falha novamente quando os terranos, ao
perceberem a farsa, tentam se libertar usando uma bomba atômica. O Bluul, em
vez de ser afetado, simplesmente "engole" a energia liberada. Para
resolver o impasse, os protagonistas detonam uma Bomba de Arcon (capaz de
destruir um planeta inteiro) e conseguem escapar. Ewers, contudo, falha em
explicar por que o Bluul não absorveria também essa carga massiva de energia,
tornando a solução incoerente.
O mesmo padrão se repete no núcleo do planeta vegetal. Em
determinado momento, Rhodan, já em processo de transformação, pede um
"cristal de ilusões". A narrativa chega ao ponto em que o ser
modular, Baar Lun, recebe a mensagem: “A grande vida submete-se ao poderoso”.
Apesar de soar como um tremendo deus ex machina, o recurso poderia ter
gerado um desfecho interessante se o conflito fosse resolvido de forma pacífica
e diplomática. No entanto, a ideia morre como uma ponta solta, sem qualquer
explicação posterior.
Curiosamente, este volume publicado pela Ediouro traz uma
carta do leitor Tomás Rafaeli, de Curitiba, que critica a tendência
imperialista da série: “Por que uma figura glorificada como Perry Rhodan tem
que invadir uma galáxia estranha? Não acham que é um mau exemplo?”. A
crítica de Tomás se aplica perfeitamente a este volume, no qual o roteiro
ignora nuances criativas e resolve todos os dilemas através de ações puramente
agressivas.


Sem comentários:
Enviar um comentário