sábado, outubro 03, 2026

Batman – Medo à Venda


O Espantalho é um dos vilões do Batman menos badalados. No entanto, ele é um dos mais interessantes pela possibilidade de introduzir o terror nas histórias. É o que vemos em "Medo à Venda", publicada na revista Detective Comics nº 571, escrita por Mike W. Barr e desenhada por Alan Davis e Paul Neary.

Barr já inicia a trama com uma definição precisa do personagem: “Ele voltou! O faraó das fobias, o duque do pavor. O Espantalho está de volta para lançar terror no coração de Gotham!”.

A origem do vilão é recontada. 


Na história, o vilão cria um composto que, curiosamente, retira o medo das pessoas. Isso faz com que as vítimas se tornem totalmente imprudentes. “Afinal, o que é o bom senso, senão uma forma de medo?”, explica o Espantalho.

Essa situação é exemplificada na cena em que ele oferece o antídoto a um piloto de testes. Como este se recusa a pagar, é desafiado: “Aposto que não pode saltar daqui até o chão e continuar vivo”. “Eu posso”, responde o piloto, saltando do prédio logo em seguida.

O vilão usa tanto o medo quanto a falta de medo como arma. 


O ponto alto da narrativa ocorre quando o Espantalho inocula o composto no Batman, que passa a agir de modo descuidado. O herói precisa superar essa ausência de instinto de preservação para enfrentar uma série de armadilhas e salvar o Robin.

O que se segue é uma sequência de tirar o fôlego, impulsionada pela arte de Davis e Neary, que combinavam elegância e ação de forma magistral — como no momento em que o Cavaleiro das Trevas escapa de caminhões teleguiados como se estivesse em uma tourada.

O desenho é elegante mesmo nas cenas de ação. 


Considerando que o medo é parte essencial da mitologia do Batman (visto que ele criou o uniforme de morcego justamente para infundir terror nos criminosos), a abordagem desta história, ao focar na importância funcional do medo, é no mínimo fascinante. No Brasil, essa história foi originalmente publicada pela editora Abril em Batman nº 14 (2ª série).

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