O Espantalho é um dos vilões do Batman menos badalados. No entanto, ele é um dos mais interessantes pela possibilidade de introduzir o terror nas histórias. É o que vemos em "Medo à Venda", publicada na revista Detective Comics nº 571, escrita por Mike W. Barr e desenhada por Alan Davis e Paul Neary.
Barr já inicia a trama com uma definição precisa do
personagem: “Ele voltou! O faraó das fobias, o duque do pavor. O Espantalho
está de volta para lançar terror no coração de Gotham!”.
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| A origem do vilão é recontada. |
Na história, o vilão cria um composto que, curiosamente,
retira o medo das pessoas. Isso faz com que as vítimas se tornem totalmente
imprudentes. “Afinal, o que é o bom senso, senão uma forma de medo?”, explica o
Espantalho.
Essa situação é exemplificada na cena em que ele oferece o
antídoto a um piloto de testes. Como este se recusa a pagar, é desafiado:
“Aposto que não pode saltar daqui até o chão e continuar vivo”. “Eu posso”,
responde o piloto, saltando do prédio logo em seguida.
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| O vilão usa tanto o medo quanto a falta de medo como arma. |
O ponto alto da narrativa ocorre quando o Espantalho inocula
o composto no Batman, que passa a agir de modo descuidado. O herói precisa
superar essa ausência de instinto de preservação para enfrentar uma série de
armadilhas e salvar o Robin.
O que se segue é uma sequência de tirar o fôlego,
impulsionada pela arte de Davis e Neary, que combinavam elegância e ação de
forma magistral — como no momento em que o Cavaleiro das Trevas escapa de
caminhões teleguiados como se estivesse em uma tourada.
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| O desenho é elegante mesmo nas cenas de ação. |
Considerando que o medo é parte essencial da mitologia do
Batman (visto que ele criou o uniforme de morcego justamente para infundir
terror nos criminosos), a abordagem desta história, ao focar na importância
funcional do medo, é no mínimo fascinante. No Brasil, essa história foi
originalmente publicada pela editora Abril em Batman nº 14 (2ª série).




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