segunda-feira, julho 03, 2023
Registro histórico
Quarteto Fantástico contra o Milagroso
No começo, o Quarteto Fantástico não tinha uniformes e o
Tocha Humana era desenhado como o da era de ouro, com labaredas no meio do
corpo. A forma defitiva do grupo, com os uniformes e o Tocha sendo desenhado
como se seu corpo fosse feito de brasas rodeadas de chamas, só vai surgir no
número 3 da revista, quando o grupo enfrenta o mágico Milagroso.
Esse número, aliás, também se destaca pela primeira aparição
do Fantasticarro, que já surge na capa, numa daquelas imagens impressionantes
que só Jack Kirby conseguia fazer. Dentro, descobrimos inclusive que o
fantasticarro pode ser dividido em quatro partes, permitindo que o grupo possa
se separar.
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| O Milagroso parece mais forte que o Coisa. |
Nessa história, o quarteto enfrenta um mágico chamado Milagroso,
que, ao ver o grupo na plateia, os desafia: “Aí está o Quarteto Fantástico!
Supostamente eles são o grupo mais poderoso e sensacional da história, mas eu
digo... bah! Comparado ao meu poder, eles não são nada!”.
Para provar isso, ele desafia o coisa a quebrar uma tora de madeira. O coisa
consegue, depois de vários socos, mas o Milagroso consegue usando só o
mindinho.
“É muito bom para nós e para o mundo que o milagroso não
seja um criminoso! Porque se fosse... ele seria o único adversário que jamais
conseguiríamos derrotar!”, vaticina o Senhor Fantástico.
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| A primeira aparição do Fantasticarro. |
Ocorre que o Milagroso é sim um criminoso e para isso ele faz com que um boneco gigante de um alienígena (que era usado no anúncio de um filme) aterrorize a cidade enquanto ele rouba um tanque nuclear.
Para uma ameaça tão grande, Milagroso acaba sendo um vilão
pífio, como descobrimos no final (no qual ele se revela quase um plágio de
Mandrake). Aliás, boa parte do poder de Milagroso não faz sentido. Como ele
consegue, por exemplo, hipnotizar as pessoas para acharem que o boneco do
monstro saiu do lugar e o boneco ser destruído pelo Tocha no local em que as
pessoas achavam que o boneco estava?
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| Todo mundo gostou dos uniformes, menos o Coisa. |
Mas a história, apesar do vilão pouco interessante, se
destaca pelas inovações narrativas e temáticas. Para começar, é um grupo que
literalmente briga o tempo todo. À certa altura, o Coisa diz que quer voltar à
forma humana para que Sue olhe para ele da mesma forma que olha para Reed
Richards. “Minha irmã? Não se engane, coisa. Ela não se apaixonaria por ti, nem
que você fosse a cara do Rock Hudson”, o que gera uma briga efetiva, com o Coisa
destruindo uma parede e o Tocha se incendiando e saindo de casa.
O interessante aí é que apesar de brigarem o tempo todos,
eles são unidos, como uma família.
Essa característica, somada ao fato de que as histórias, na
grande maioria, uniam super-heróis e ficção científica, explica porque o gibi
do Quarteto foi durante muitos anos a vaca leiteira da Marvel – aquela
publicação que vendia tanto que sustentava a editora. O Quarteto só começaria a
perder o posto com o Homem-Aranha da fase John Romita.
domingo, julho 02, 2023
Chove chuva, chove sem parar
Revendo as matérias que escrevi para a Folha de Londrina, encontro essa cujo título brinca com uma famosa música. O caderno era de verão, mas a previsão era de chuva durante a semana toda. Imagine a situação de que tinha ido para a praia. O editor me pediu para fazer uma matéria com sugestões do que fazer durante esse período. Detalhe: todas as indicações tinham alguma relação com a chuva.
Fundo do baú - Speed Racer
Monstro do Pântano: pontas soltas
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| Uma das páginas espelhadas da história. |
Receita de pé de moleque
Ingredientes
- 1/2 kg de amendoim torrado e descascado
- 1/2 kg de açúcar
- 1 lata de leite condensado
- 3 colheres de margarina
I-ching
As mudanças
constantes do universo são representadas nas figuras do Yin Yang. Yang
representa a força masculina do universo, violenta, criadora. Yin é a força
feminina, receptiva, flexível. Yin é a intuitiva, meditativa e complexa. Yang é
racional, criativo e ativo.
Na
filosofia taoista, Yin e Yang são elementos do mesmo processo. Quando um chega ao seu auge, engendra o
outro. Ser sábio é combinar esses dois pólos, harmonizando Yin e Yang.
O estudo do ciclo de Yin Yang, embora seja muito influenciado
pelas ideias taoistas, é comum a toda a cultura chinesa e já existia em um
livro ancestral, o I-ching.
A mais
antiga forma de adivinhação chinesa era a leitura de sinais nos ossos de bois,
surgidos depois que eram expostos ao fogo. Daí foi criada a adivinhação em
cascas de tartaruga. Na dinastia Shang, o oráculo era consultado com o uso de
varetas. O sábio jogava as varetas e determinava se a linha era inteira ou
cortada. Depois de jogar seis vezes, formava-se o hexagrama e era possível
interpretar seu significado.
Em torno do
ano 1150 a.C., o imperador Shang Chou Hsin mandou prender o governador da
província de Chou, o rei Wen. Na prisão, ele elaborou os julgamentos dos
hexagramas. Posteriormente, seu filho tomou o poder, tornando-se imperador e,
descobrindo o trabalho do pai, resolveu ampliá-lo, escrevendo os comentários às
linhas mutáveis. Posteriormente, o oráculo foi enriquecido com comentários
atribuídos a Confúcio e seus discípulos.
O I-ching
não é um livro de adivinhações, pois ele não prevê o futuro, mas estabelece o
estado em que as coisas estão, analisando a mudança e a relação entre as forças
Yin e Yang.
Por
exemplo, no primeiro hexagrama, todas as linhas são inteiras. A imagem formada
representa uma situação apenas de linhas fortes Yang, que significam força,
criatividade e liderança, razão pela qual esse hexagrama é normalmente chamado
de O criativo. O julgamento diz que as forças do céu impelem o homem e o ajudam
a iniciar ou levar adiante um empreendimento. O comentário diz que “as forças
da natureza favorecem tudo aquilo que se inicia”.
O hexagrama
oposto, chamado de O receptivo, é formado apenas por linhas cortadas,
representando Yin, a passividade, a dedicação e concórdia, a diplomacia, a
perseverança e a paz. O julgamento diz que o sucesso está garantido se a pessoa
que consulta o oráculo colaborar e se deixar conduzir, mantendo-se sempre
flexível e disponível. O comentário diz que “Ser receptivo é muito importante,
pois todos os seres lhe devem o nascimento. Como a Terra, cuja função é receber
a semente que depois darão os frutos, também obterá muitos benefícios àquele
que souber tolerar e compreender as pessoas e as situações”.
O abismo, de Charles Dickens e Wilkie Collins
Psicopatas: uma mente peversa
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| Psicopatas são pessoas acima de qualquer suspeita. |
Conan em Nova York
A edição 43 da revista Heróis da TV troux como principal atração uma história de Conan publicada na revista What if (aqui traduzida como O que aconteceria se...) em 1979. Na história, Conan surge na Nova York da década de 1970 em pleno apagão. O desenho de John Buscema como arte final de Ernie Chan dispensa apresentações. O visual rico da história enche os olhos do leitor desde a capa. O desafio ficou mesmo por conta do roteirista Roy Thomas: como trazer o cimério para nossos dias e manter a verossimilhança da história? Afinal, Conan é um personagem de fantasia capa e espada. Como adequar isso a um ambiente urbano contemporâneo. Thomas resolve isso através de um truque esperto: Conan veio para nosso tempo através de magia.
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| Conan vai para o futuro e se apaixona por uma taxista. |
A HQ é tão repleta de ação que o leitor facilmente esquece a descrença e embarca na história, apesar de algumas incoerências (Conan se apaixona por uma taxista e parece cavaleiro demais - em determinado o texto diz que ele está esganando um homem com a mão direita, quando o desenho o mostra fazendo isso com a mão esquerda, que havia levado um tiro).
No final, é, acima de tudo uma história divertida. Destaque para o humor de Roy Thomas, que brinca o tempo todo com o fato de que os personagens não falam a mesma língua, o que provoca diversos equívocos.
sábado, julho 01, 2023
Quando a Marvel era a casa das Ideias
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| Revistas como a do Doutor Estranho refletiam a criatividade da Marvel na década de 70. |
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| Na década de 1980 a DC se tornou mais inovadora. Monstro do Pântano é um exemplo disso. |
A arte inquietante de Edgar Franco
Roteiro de quadrinhos: Texto de ambientação
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| Texto de ambientação na graphic Manticore |
Black Mirror – quinta temporada
Capitão América contra o Touro
As revistas da Marvel tinham tanta ação desenfreada que
faziam parecer que as revistas da DC Comics aconteciam em câmera lenta. Mas
havia um personagem na Marvel cujas histórias eram explosões de ação a ponto de
parecer que as outras revistas da editora é que aconteciam em câmera lenta.
Estamos falando do Capitão América de Jack Kirby e Stan Lee.
O personagem, que havia ressurgido nas histórias dos
Vingadores, teve sua primeira história solo em Tales of Suspense 59, de
novembro de 1964.
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| "Por que não telefonaram?" |
A revista já começa com uma splash page impressionante, com
o sentinela da liberdade atravessando uma janela enquanto pedaços de vidro voam
para todos os lados.
Corta para a mansão dos vingadores onde o Capitão América
ficou responsável pelo plantão da noite. Ele recebe uma xícara de café de
jarvis e senta para ver um álbum de fotos.
Enquanto isso, em outro lugar, um mafioso planeja um assalto
à mansão dos vingadores. Parece uma ideia louca invadir exatamente a sede de um
grupo super-poderoso, mas ele tem um plano.
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| Estão atirando com um maçarico? Que ótima oportunidade! |
Segundo o Touro (esse é o nome do mafioso), toda corrente
tem um elo fraco e o elo fraco dos Vingadores é exatamente o Capitão América, o
herói menos poderoso do grupo.
O grupo então sequestra Jarvis e pergunta quem está de plantão
naquela noite. “Não é segredo! O Capitão América está de plantão esta noite! Não
era mais fácil ter telefonado?”.
A sequência provavelmente é consequência do método Marvel.
Kirby deve ter colocado os criminosos sequestrando o mordomo e Stan Lee
aproveitou para fazer uma piada em cima da situação sem sentido.
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| Kirby caprichava nas poses acrobáticas. |
A partir daí a história é pura ação. Os mafiosos invadem a
mansão dos Vingadores, com Touro vestindo uma armadura que lembra a do Homem de
Ferro. Kirby era um especialista em transformar os quadros em uma imagem que
parecia tridimensional e colocar o herói em situações acrobáticas estranhas,
mas de grande impacto. E as situações beiram o absurdo. À certa altura eles
conseguem amarrar o herói, se aproveitando do fato dele ter levado um tiro de
raspão. Mas ele consegue usar o salto das botas para cortar as cordas que
prendem suas mãos e quando um dos vilões atira nele com um maçarico, ele
aproveita isso para soltar as pernas. “Chefia! É encrenca! Ele soltou as
pernas!”, grita um dos bandidos.
Ali era uma junção perfeita dos desenhos de Kirby com os diálogos
de Stan Lee em um personagem pra lá de carismático.
Hulk: no coração do átomo
Em 1970 o escritor de ficção científica Harlan Ellison
(responsável por um dos melhores, senão o melhor episódio da fase clássica de
Jornada nas estrelas) escreveu uma história em prosa do Hulk no qual o Golias
Esmeralda era encolhido e vivia aventuras em um mundo microscópico em que todos
os habitantes eram verdes como ele.
Roy Thomas percebeu que havia ali uma boa trama e a adaptou
para a revista em quadrinhos do personagem. O desenho ficou por conta de Herb
Trimpe e de Sam Grainger. Se Thomas soubesse a importância dessa história para
a cronologia do golias esmeralda, talvez tivesse escolhido uma equipe de maior
vulto.
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| Jarella surgiu no número 140 da revista do Hulk... |
Foi nessa história, com o título imenso de “A fera que
gritou amor no coração do átomo” que apareceu uma das personagens mais
carismáticas da série, a rainha Jarella, grande amor de Hulk. A reação foi tão
boa que o mundo de Jarella reapareceu diversas vezes na revista do Hulk, com as
equipes mais diversas.
Mas foi a entrada do desenhista Sal Buscema no título e,
posteriormente, do roteirista Bill Mantlo, que o personagem ganhou o tratamento
que merecia – e a saga de Jarella foi devidamente explorada.
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| ... e logo se tornou o amor da vida do golias esmeralda. |
Jarella mostrou que a revista do Hulk poderia mostrar amor
e, ao mesmo tempo drama. A paixão infantil do personagem logo se torna tragédia
e a obsessão do monstro por salvar sua amada nos dá alguns dos melhores
momentos do personagem – e a forma como a dupla fecha a trama, unindo drama e
lirismo está certamente entre os grandes momentos da Marvel da era de bronze.







































