domingo, fevereiro 18, 2007

Música de domingo


Pequeno Dicionário do Amor (Brega'n'bass do Amor)
Marco André


O amor flagela,o amor migalha,o amor congela,o amor navalha.

O amor desarma,o amor guerreia,o amor corre nas veias,o amor joga na vala.

O amor semeia,o amor desmata,o amor permeia,o amor te mata.

O amor é sacrilégio,o amor não tem colégio,o amor te sacaneia,o amor te desampara.

O amor, de amor austero,amor de amor perfeitinho,é amor de amor sem destino,é amor de amor sem elo.

O amor, de amor imperfeito,amor de amor paralelo,é amor de amor no peito,amor de muito carinho.

O amor supera o sonho,o amor, sonhando, embarca,o amor chuta a canela,o amor dá de trivela,o amor é farofeiro,o amor é magnata.

O amor come poeira,o amor rompe o silêncio,o amor é conseqüência,o amor é contra-senso.

O amor é indefeso,o amor sucumbe ileso,o amor começa e pára,o amor sobe à cabeça,o amor desce a porrada.

O amor, de amor austero, amor de amor perfeitinho, é amor de amor sem destino,é amor de amor sem elo.

O amor, de amor imperfeito, amor de amor paralelo,é amor de amor no peito,amor de muito carinho.

O amor é lindo,o amor é love, o amor é índio,o amor é rock.

O amor é black,o amor é blue, o amor é vinho,o amor é cool.

O amor é leveo amor é trash,o amor é sério,o amor é riso.

O amor é paraíso,o amor é infernal,o amor é impreciso,o amor é pontual.

O amor é night,o amor é dia, o amor noite, o amor é fria.

O amor é loucura,o amor é tesão,o amor é fissura,o amor é solidão.

O amor é luta livre,o amor é ioga,o amor tem sinusite,o amor advoga.

O amor é bicha,o amor é machista, o amor é futurista, o amor não marca hora.

O amor, de amor austero,amor de amor perfeitinho, é amor de amor sem destino,

é amor de amor sem elo.

O amor, de amor imperfeito,amor de amor paralelo, é amor de amor no peito,amor de muito carinho.
Recebi por e-mail e achei interessante compartilhar

DOMINIO PUBLICO
Convoco todos a lutar para impedirmos um desastre.Imaginem um lugar onde se pode ler gratuitamente, as obras de Machado deAssis, ou *A Divina Comédia *, ou ter acesso às melhores historinhasinfantis de todos os tempos. Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturasde Leonardo Da Vinci. Onde você pudesses escutar músicas em MP3 de altaqualidade. Pois esse lugar existe! O Ministério da Educação disponibilizatudo isso. Basta acessar o site: www.dominiopublico. gov.brSó de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em vias de perder tudoisso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso émuito pequeno. Vamos tentar reverter este absurdo, divulgando e incentivandoamigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta dedisseminação da cultura e do gosto pela leitura. Divulgue para o máximo depessoas, por favor.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

O caso do filho do encadernador


Li O caso do filho do encadernador, autobiografia de Marcos Rey (editora Atual). Li em tempo recorde, como costuma acostecer com texto desse autor paulista. Mas houve uma razão a mais: uma gripe, com garganta inflamada, que me convidava a ficar sentado em uma cadeira espreguiçadeira ou deitado em uma rede.
Marcos Rey é meu escritor brasileiro predileto, depois de Monteiro Lobato, e é muito interessante perceber como as suas vivências serviram de inspiração para os livros infantis. O juvenil O mistério do cinco estrelas, por exemplo, surgiu da admiração que o autor sentia pelos grandes hotéis cariocas e pela convivência com seus funcionários, numa hospedaria.
Interessante também perceber uma coincidência: nós dois consideramos seu melhor romance O último mamífero do Martinelli, no qual um refugiado político esconde-se em um abandonado edíficio paulista no período da ditadura militar (aqui neste blog há uma resenha desse livro, procurem aí, crianças!).
Algumas citações:
“O amor pelos quadrinhos tinha algo a ver com o que senti pelo atlas. Eles me levavam a regiões desconhecidas: florestas habitadas por feras perigosas, pantanais traiçoeiros, desertos percorridos por tribos sanguinárias, geleiras ameaçadoras, territórios vulcânicos eternamente em chamas, mares bravios, tragando embarcações e também Chicago com seus gangsteres empunhando metralhadoras”.
“Descobrir um grande escritor é sempre um estímulo para quem se inicia no ofício, e por Edgar Allan Poe nenhum aprendiz passa indiferente. E, se passar, jamais chegará a lugar algum”.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O caso do assassinato brutal do menino João Hélio faz por um lado, surgir uma grande revolta. A mãe implorou duas vezes para que a deixassem tirar o menino do carro, ao que o bandido retrucou: “Não, sua vagabunda, anda logo!!”. O menino foi arrastado por sete quilômetros. Quando um carro emparelhou com eles e perguntouo que era aquilo que estava sendo arrastado, um dos bandidos respondeu: “É um boneco de Judas!”.
Mas, junto com a indignação, surgem os deterministas sociais, dizendo: “Eles são só fruto do meio. Viraram bandidos por que viveram entre bandidos, coitados”. E tocá-lhe fazer passeatas pela paz, que provocam risadas por parte dos bandidos e aumentam o descaso do governo.
A ciência há muito tempo tem demonstrado que não existe determinismo social ou genético. Ninguém é condenado a virar bandido por viver em uma ambiente de criminalidade ou por ser filho de bandido. A possibilidade de escolha é real. Achar diferente seria uma ofensa aos milhões de pessoas que vivem em condições semelhantes e nem por isso viram bandidos.
As novas teorias e descobertas, como a teoria da complexidade, nos mostram que somos livres para escolher nossos caminhos, mas também somos responsáveis por nossas escolhas. Ninguém escolhe por nós.
Quem faz o que esses bandidos fizeram já chegou a um nível de total desprezo pela vida humana, um nível de psicopatia que dificilmente tem volta. São pessoas que matariam a própria mãe sem pestanejar. Se soltos, voltarão a matar quem se colocar entre eles e seus objetivos. Alguns inclusive voltarão a matar por prazer, incapazes de sentir remorso.
É o que acontecerá, provavelmente ao menor de idade. Ficará preso até completar 18 anos, depois se verá solto para voltar a matar. Um psicopata em potecial.
Se por um lado é importante medidas sociais que melhorem a vida dessa população em situação de risco, por outro lado, é necessária uma melhoria urgente do sistema prisional e uma modificação nas leis, de modo que se possa manter presos aqueles são perigos reais para a sociedade.
Se algo não for feito, em pouco tempo casos como esse se tornarão tão banais quanto as mortes por bala perdida, que nem são mais noticiadas pelos jornais.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007




Charges publicadas no Blog Caneta sem Fronteira, do publicitário Walter Jr. A morte morte do menino João Hélio chocou todos nós e mais chocante ainda é perceber que nunca parece ser o fundo do poço. Sempre parece haver um ponto mais abaixo para a barbárie humana e para a incompetência do Estado em manter a segurança dos cidadãos comuns. É numa hora dessas que a gente se pergunta: para que Estado? Para que as pessoas pagam tanto imposto? Quando o Estado vai finalmente tomar uma atitude.
Uma nova rádio está operando em caráter experimental em Macapá (a Fort Fm 99,9) e o assunto na cidade é a ótima seleção de músicas. Depois de meses, liguei o rádio para ouvir e gostei muito. Paralamas do Sucesso, Maria Rita, Rita Lee, Roberto Carlos... no tempo em que ouvi não repetiu uma única música. Mas todos sabem que isso vai durar pouco. Assim que a rádio começar a operar comercialmente, vai começar a ter os mesmos defeitos das outras: vai tocar no máximo 20 músicas, que são as mesmas que tocam em todas as emissora, os locutores não vão se conter e vão passar a maior parte do tempo falando sobre as músicas... e aí eu vou voltar a ouvir MP3. Seja no pen-drive, no notebook ou no som do carro, eu posso ouvir MP3 durante dias seguidos só com músicas selecionadas e sem voltar a ouvir uma só faixa.
É o MP3 que vai decretar a morte das rádios que estão aí. Por que passar horas ouvindo bobagem para conseguir ouvir uma música que preste se você pode colocar 200 músicas num só CD?
O mesmo vai acontecer com a TV. A matéria de capa da revista Superinteressante é sobre como o seriado Lost está decretando o fim da TV convencional (assunto que eu já tinha antecipado num texto aqui neste blog). Para exemplificar: na Internet já se pode conseguir episódios da terceira temporada de Lost. Enquanto isso a Globo ainda está passando (no pior horário possível) os primeiros episódios da velha segunda temporada. Chego a achar graça quando as chamadas da Globo falam em mistérios e novidades que todo mundo que curte o seriado já conhece há muito tempo. Dentro de alguns meses, já vai ser possível encontrar nas locadoras a terceira temporada inteira.
Em suma: as rádios e televisões convencionais estão com os dias contados. Chegamos à era em que o receptor pode fazer sua própria programação.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007


A jornalista Alcinea Cavalcante teve que passar uma tarde nas dependências da Polícia Federal, onde foi indiciada por causa de um comentário de um leitor, que dizia que certo político do Amapá fede. A Polícia Federal, aparentemente, não tem muito o que fazer no Amapá e anda muito preocupada com o uso ou não de perfumes por parte de políticos.
Quem mora em estados democráticos não tem idéia de como funciona a democracia no Amapá. Sabe-se, por exemplo, que o Dono do Amapá mandou proibir a exibição do desenho animado Os Simpsons por achar que um dos personagens era uma alusão a ele.
Depois dizem que sou pessimista quando digo que o progresso da sociedade tem sido o progresso das formas repressivas, mascaradas em uma suposta democracia, que deixa de sê-lo quando estão em jogo os interesses dos poderosos.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

É impressionante. Ano passado nós nos inscrevemos no pacote Internet Sem Limite (nome fantasia do pacote Internet Não Existe) da Telemar/Oi Internet. No começo o serviço era muito bom. A gente tinha que esperar alguns minutos para conectar, especialmente no horário de pico, mas não passava disso: minutos. Então, com o tempo, os minutos se tornaram horas. A gente ligava o computador, ia fazer outra coisa e deixava conectando. Quando parava de fazer barulho, a gente ia mexer na net. Em alguns horários, como de manhã bem cedo, era possível conectar em questões de minutos. Agora, nem isso. Hoje acordei seis da manhã e coloquei para conectar. Quando deu oito horas, desisti. E pensar que pago R$ 39,90 por esse plano Internet Não Existe. O pior é que todas as conexões discadas passam pela Telemar e os meus amigos que têm UOL fazem a mesma reclamação. Ah, uma concorrência faria bem, não é mesmo?

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Psicopatas: uma mente perversa


Você provavelmente não sabe, mas conhece pelo menos um psicopata. Especialistas acreditam que até 3% da população pode ser composta de pessoas com esse tipo de transtorno de personalidade. Isso significa que a cada trinta pessoas, uma é psicopata. E, o mais importante: é aquele que você menos desconfia.
A maioria das pessoas quando pensa num psicopata, pensa num louco assassino, de cabelos despenteados e cara de mau. Alguém de quem você certamente fugiria se encontrasse numa rua deserta à noite. As ilustrações de Jack, o estripador, refletem essa idéia. Ele geralmente é mostrado com os olhos esbugalhados, a boca distoricida, uma faca na mão e outra contraída em esgar de raiva e ódio. Na verdade, no caso de Jack e da grande maioria dos psicopatas, essa imagem é a mais distante possível da realidade. As prostitutas que foram vítimas de Jack sabiam dos outros assassinatos e não deixariam se aproximar qualquer pessoa suspeita. Além disso, a situação em que ocorreu os crimes demonstra que as vítimas confiavam no assassino. Uma delas até comeu uvas oferecidas por ele.
Quando a canadense Leslie Mahaffy chegou em casa depois de uma festa e descobriu que os pais tinham deixado a porta fechada, achou que estava com sorte ao encontrar um rapaz de boa aparência e educado, que se ofereceu para ajudá-la. Ela foi com ele até sua casa, onde acabou trancafiada e serviu de escrava sexual durante duas semanas antes de ser morta, esquartejada e colocada em blocos que concretos que seriam jogados em um lago.
A literatura criminal mostra que psicopatas são pessoas simpáticas, acima de qualquer suspeita, pois sabem que se revelarem sua verdadeira face, serão presos imediatamente. Assim, adotam uma máscara social.
A grande maioria dos psicopatas nunca vai matar, mas viverá de enganar e destruir a vida de outras pessoas. "Eles andam pela sociedade como predadores sociais, rachando famílias, se aproveitando de pessoas vulneráveis e deixando carteiras vazias por onde passam", diz o psicólogo canadense Robert Hare, uma das maiores autoridades mundiais no assunto.
Hare começou a se interessar pelo tema quando, recém-formado, arranjou um emprego no presídio de Vancouver. Sua função era atender presos com problemas psicológicos e montar perfis psicológicos para pedidos de condicional. Lá ele conheceu um preso chamado Ray. Era simpático, contava histórias envolventes e tinha um sorriso e que fazia qualquer um confiar nele. E o psicólogo confiou. Certo de que o preso estava dedicado a ter uma vida correta, ele o ajudou a passar para serviços melhores dentro da prisão, como a cozinha. Os dois ficaram amigos, até que Hare descobriu que Ray usava a cozinha para produzir bebidas alcoólicas e vender aos colegas. Os funcionários do presídio alertaram o psicólogo para o fato de que ele não foi o único a cair no golpe. Pouco tempo depois, o psicólogo viu a verdadeira face do psicopata: o gente boa Ray sabotou os freios de seu carro, o que quase provocou sua morte.
A maioria dos criminosos demonstra uma preocupação responsável por seus amigos e parentes. Os psicopatas não se importam com ninguém e não criam laços afetivos.
Henry Lee Lucas confessou que aos 13 anos estrangulou uma mulher que se recusou a fazer sexo com ele. Nos 32 anos seguintes, ele sufocou, apunhalou, baleou ou mutilou cerca de 360 pessoas, entre mulheres, homens e crianças. Nos últimos seis anos de seu reinado de terror ele se aliou a outro psicopata, Elwood Toole, que matou cerca de 50 pessoas que achava que não mereciam viver. Tudo acabou quando Lucas apunhalou e esquartejou a mulher de 15 com quem vivia, sobrinha de Toole.
Donald S. apresentava características desse distúrbio de personalidade desde muito jovem. Na escola, seu comportamento perto de um professor, ou de outra autoridade, era exemplar, mas quando estava longe dos olhos dos adultos, arranjava encrencas para si ou para os outros. Embora continuamente se suspeitasse que fosse ele, sua personalidade carismática fazia com que ele conseguisse se livrar facilmente das acusações. Quando criança, seu comportamento real incluía a mentira, roubos e mal-tratos a crianças menores.
Quando se tornou adulto, passou a viver bem usando uma combinação de charme, atração física e identidade falsa para se manter. Aos 17 anos, passou a falsificar o nome do pai em cheques e viajou pelo mundo. Aos 22 anos, casou-se com uma mulher de 41e esse passou a ser seu modus operandi: ele se casava, deixava que a mulher o sustentasse por meses e, quando se cansava dela, a abandonava para procurar outra vítima. Donald não sentia remorsos ou se preocupava com a dor de suas vítimas. Ele considerava seu comportamento prático e sensato.
O marechal de campo nazista Hermann Goering tinha vários traços de psicopatas. Buscando estimulação, ele se transformou em piloto de caça. Era impulsionado pela missão de exterminar judeus e comandou a morte de milhões deles nos campos de concentração, sem, no entanto, sentir remorso ou culpa. Apesar desse lado selvagem, a maioria das pessoas o considerava genial, generoso e de boa natureza.
Compre o livro Investigação criminal: suspense e ação para desvendar um crime macabro no Submarino.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007


O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do PFL, expulsou, aos berros e empurrões, um idoso que estava aguardando atendimento num hospital. Esse é o mesmo prefeito que contou piada sobre o desabamento do metrô... É assim que os políticos brasileiros tratam a população...
O Miguel Delalor, quadrinista paraense, atualmente morando e trabalhando na França, manda dizer que o Leo saiu do Brasil fugindo da ditadura militar e que, aparentemente, participou da resistência ao regime. Obrigado, Miguel! Ah, mande mais detalhes sobre a série de álbuns que você está publicando aí na Europa...
O projeto de lei 6581.2006, de autoria do deputado Simplício Mário, que estabalecia mecanismos de incentivos à produção, publicação e distrição de revistas em quadrinhos nacionais, foi arquivado.

Internet


Incrível! Passamos, eu e meu filho, o final de semana inteiro tentando conectar a internet, nos mais diversos horários. Não conseguimos. Antigamente no início da manhã era até possível conectar, agora, em qualquer horário é impossível. Meu filho, que precisava fazer uma pesquisa para a escola, teve que ir numa lan house...

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Antonio Éder não é só um dos meus melhores amigos. É também um grande desenhista e um quadrinista fantástico. Agora é também cineasta. Leia no Universo HQ sobre o desenho animado e a história em quadrinhos Brichos, que ele está lançando em parceria com o roteirista Paulo Munhoz.
Morreu Sidney Sheldon, o criador da série Jeannie é um Gênio. Leia aqui uma matéria sobre sua morte na qual ele diz que inspirou seu estilo literário nos roteiros para televisão, deixando o leitor sempre no suspense ao final de cada capítulo
Aí está a capa do meu livro. Confesso que gosto muito de escrever para esse público jovem e escrever esse foi muito divertido, pois Robin Hood, eu acabei descobrindo, é um personagem bonachão. A capa ficou bem legal, hein?
Uma coisa interessante em Aldebaran é o contexto político. Como se sabe, o autor, Leo, é brasileiro. Pelas fotos, deve ter pouco mais de 40 anos, o que significa que ele viveu o finalzinho da ditadura militar. Essa experiência reflete na HQ. Aldebaran é dominada por uma ditadura de militares, que se preocupam apenas com interesses próprios. As prisões cheias de presos políticos, as mulheres prisioneiras sendo obrigadas a engravidar para aumentar a população do planeta... tudo isso é resultado das experiências políticas de um autor que vem de um país com pequena tradição democrática, e isso faz com que Aldebaran seja, de certa forma, algo diferente no quadrinho europeu. Embora no final da saga a ditadura seja substituída por uma democracia, esses planetas de terceiro mundo parecem estar destinados a regimes autoritários, tanto que em Betelgeuse, o próximo planeta colonizado pelos humanos, já começa a se esboçar um regime ditatorial. Na maioria dos quadrinhos europeus, regimes ditatoriais é algo contra o qual se deve lutar, mas que ainda não se realizou (como em XIII). Nos quadrinhos do brasileiro Leo, a ditadura já está instalada e é a chegada dos terranos que traz a democracia. Como se vê, mesmo numa história de ficção-científica, a experiência de vida (inclusive política) do autor aparece.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

XIII e Aldebaran



Ler álbuns europeus não é uma tarefa fácil, especialmente se forem álbuns inteligentes. Um leitor desatento pode deixar passar muita coisa. Percebi isso quando, depois de um mês, comprei o segundo volume da série XIII. Assim, decidi comprar mais alguns exemplares e ler na sequência, para não perder o fio da meada. Quanto a Aldebaran, só havia chegado um número em Macapá. Quando fui em Belém, comprei na Kaverna do Gibi o número 3 e tive que esperar o número dois para ler o três. Por sorte, o segundo número chegou em Macapá esta semana. Ou seja, esta duas semanas usei boa parte do tempo que tinha lendo HQ européia. Não foi tempo perdido.


XIII é um excelente triller, daqueles que te prendem na cadeira. Algo como um 24 horas de papel... e, como essa série, tinha um defeito: a mania de ficar colocando reviravoltas a todo momento. Isso era algo que incomodava nos primeiros números, mas, a partir da saga Alerta Vermelho máximo, os autores (Jean Van Hamme - roteiro - e William Vance - desenhos) acertaram a mão. Ou seja, precisou três histórias para eles realmente pegarem o ritmo da série e eliminarem todo o excesso. Uma lição para os editores que cancelam séries na segunda ou terceira edição porque ela ainda não deu retorno. Vale lembrar, por exemplo, dos Novos Titãs (de Marv Wolfman e George Peres), que deu prejuízo no primeiro número, mas virou um sucesso estrondoso no sexto número. A partir da saga supra-citada, XIII se transforma numa das melhores sagas que já li.


Já Aldebaran tinha sido objeto de vários elogios antes neste blog. A história continua boa nos álbuns dois e três, mas perde o pique em vários momentos. O legal na história é justamente nos vermos em um mundo desconhecido e as sequências de enormes diálogos entre os personagens parece não colaborar muito com a trama, mas também não acrescenta muito à carcaterização. Aliás, alguns personagens importantes simplesmente aparecem e desaparecem e nem conhecemos suas motivações. Também a saga dos ditadores de Aldebaran tem um final muito rápido. Havia história ali para pelo menos mais dois álbuns. Mas ainda assim, o roteiro de Leo é instigante e seu desenho é competente.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Nunca vi demorar tanto a chover em Macapá. Até há poucos anos, na época do natal já estava chovendo cântaros. Ano passado começou a chover em janeiro. Este ano, pelo jeito, só vai começar a chover em fevereiro. É o aquecimento global, meninos, o aquecimento global...

sexta-feira, janeiro 26, 2007


Não gosto tanto de Glória Peres como novelista, mas pelo jeito ela se dá bem em minisséries. Amazônia tem permanecido acima da média, com bons personagens, como o Padre e a benzedeira (muito bem interpretada por Regina Casé). Mas o que eu gostei mesmo foi da abertura, um nítido fractal: vemos o que parece ser uma panorâmica de uma floresta, mas quando a cena abre,percebemos que é apenas a casca de uma árvore. Os fractais têm essa característica de auto-semelhança em escalas, ou seja, quando você aproxima, o que forma é equivalente ao desenho maior. Ah, a autora tem um ótimo blog: o AMAZÔNIA, que fala de diversos fatos históricos relacionados ao Acre. Leitura obrigatória.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

O Digestivo Cultural publicou uma ótima resenha sobre o livro A Dança do Universo, de Marcelo Gleiser. Confira.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Tiras da Turma da Mônica retratam a crise dos aeroportos













Por Marcus Ramone (24/01/07)Mauricio de Sousa criou e disponibilizou no site da Turma da Mônica uma série de seis tiras em que seus personagens retratam, com muito humor, a crise pela qual passam os aeroportos brasileiros. Vale a pena conferir e se divertir com as boas sacadas, a maioria das quais protagonizadas pelo Anjinho.
Fonte: Universo HQ

Programação de cinema



CINE SHOPPING MACAPÁ
sala 1: UMA NOITE NO MUSEU às 16:30-19-21:20H
sala 2: A MENINA E O PORQUINHO às 16:40 e DIAMANTE DE SANGUE às 18:50 e 21:25H.

CINE SANTANA
sala 1: ERAGON às 16:30 - 19 - 21:20H
sala 2: POR ÁGUA ABAIXO às 15:30 e 17:10H e O AMOR NÃO TIRA FÉRIAS às 19 - 21:30H

Comentário: Fomos assistir Por água abaixo. É uma animação inteligente com ótimos bonecos. Soube que era para ter saído como stop motion, mas decidiram fazer em 3D para economizar tempo. Em todo caso, ficou parecendo stop motion. Eu recomendo.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Perdidos em 2006

Quando recebi o convite para participar mais uma vez do especial do Digestivo Cultural sobre os melhores do ano, acabei me vendo numa situação delicada: não conseguia me lembrar de nada realmente importante. Assim, convoquei uma reunião familiar.
Meu filho Alexandre sugeriu o filme do Superman, de Brian Singer.
De fato, foi um bom filme, com algo importante em um filme de super-heróis: tinha equilíbrio entre momentos introspectivos e cenas de ação. Mas talvez a maior contribuição do Brian Singer tenha sido nos levar a procurar nas locadoras o filme antigo.
Para meu prazer, redescobri que o primeiro filme, dirigido pelo Richard Donner, era de fato uma obra-prima. Tinha tudo que um bom filme de super-heróis deveria ter: ficção-científica (resgatando a origem do gênero), ótimas interpretações (Christopher Reeve era perfeitamente heróico como Super-homem e absolutamente paspalho como Clark Kent); ação; introspecção. E, para meu desprazer, redescobri o quanto Richard Lester estragou a franquia, primeira piorando o segundo filme da série, que já tinha sido iniciado por Donner, e finalmente colocando uma pedra de esquecimento sobre o terceiro filme, talvez a maior bomba de todos os tempos. Dentro do gênero, claro.
Mas era para falar dos melhores de 2006 e nós já estávamos discutindo sobre um filme da década de 1970.
Se no cinema não houve nada tão importante (pelo menos que tenha chegado em Macapá), que tal nos quadrinhos?
Aí lembrei dos lançamentos de quadrinho europeu da editora Panini. Uma obra-prima atrás da outra.
A mais inovadora delas é uma HQ escrita e desenhada por um brasileiro, Leo, que se cansou dos editores brasileiros e foi ser astro na Europa. Trata-se de Aldebaran. A história se passa em um planeta distante da terra, composto quase que só de água, cujos habitantes perderam há dezenas de anos contato com a Terra.
Algo começa a acontecer no mar, que ocupa quase toda a superfície do planeta. Animais gigantes começam a fugir da água preferindo morrer na praia a enfrentar um perigo desconhecido. Em alguns pontos a água se transforma numa espécie de gelatina viva capaz de sugar barcos e navios para o fundo do oceano. Os personagens principais, três jovens sobreviventes de uma vila destruída pelo fenômeno, precisam salvar suas vidas e ao mesmo tempo descobrir o que está acontecendo. Nisso se envolvem com cientistas perseguidos pelo Estado, com religiosos déspotas e com um simpático trambiqueiro.
Adelbaran é uma daquelas histórias que nos intrigam a cada página e nos deixam mais e mais curioso a cada quadrinho. Aquilo que, na linguagem dos roteiristas dos quadrinhos, chamamos de ganchos são sutis, ao contrário do quadrinho norte-americano, que costuma apresentar ganchos explícitos. Em uma seqüência, por exemplo, uma cientista é ferida e torna-se necessário amputar sua mão. Quando ela está fazendo o curativo, podemos observar que seus dedos estão renascendo. O leitor atencioso percebe e logo se indaga que mistério é aquele.
É através desses pequenos mistérios que Adelbaran vai se revelando aos leitores num roteiro que poucas vezes vi nos quadrinhos.
E a história é boa não só pelo roteiro, mas também pelo desenho competente de Leo, que consegue ser acadêmico e, ao mesmo tempo, criativo.
Para melhorar, a Panini lançou a história em um álbum relativamente barato (R$ 22,90, com duas histórias) e com ótima qualidade gráfica.
Entre os lançamentos da Panini também merece destaque Blueberry, de Charlier e Moebius. Não se trata exatamente de um debut nas terras tupiniquins. O famoso tenente já havia sido lançado no Brasil pelas editoras Vecchi e Abril, mas nunca com tanta qualidade editorial.
Charlier foi um dos melhores roteiristas europeus de todos os tempos e Blueberry é sua obra máxima. O personagem é um soldado beberrão e jogador inveterado vivendo aventuras em pleno velho oeste.
O roteirista sabe manejar como ninguém os diálogos, colocando-os a serviço de uma boa história (ao contrário de alguns autores mais recentes, como Brian Michael Bendis, que colocam os bons diálogos a serviço apenas de seus egos inflamados).
Nessa edição de estréia, Blueberry está na mesa de jogo. Passa a história toda assim, enquanto ao redor dele acontecem mil e uma coisas e diversos personagens secundários são explorados pelo roteiro. Uma história que se passa numa mesa de jogo pode parecer um pretexto para evitar uma trama bem elaborada, mas é justamente o oposto que ocorre. Mil e uma tramas desfilam pelas páginas e vão convergir para a tal mesa de jogo.
A Panini fez uma ótima opção editorial publicando a história em lombada quadrada e colorida (a Abril lançou a maior parte das história de Blueberry em preto e branco). O traço de Moebius (que na época assinava Giraud) ganha muito valor com a cor bem aplicada. Cada página é um quadro que pode ser observado e deleitado tanto pela bela cor quanto pelo detalhismo do desenho ou pela bela composição. Moebius é considerado o melhor desenhista da escola franco-belga e Charlier o roteirista mais eclético, rivalizando apenas com Goscinny (de Asterix). A união dos dois só poderia ser um delírio para os neurônios.
Mas será que apenas nos quadrinhos houve boas novidades? Voltamos à reunião familiar.
Então alguém veio com uma lembrança realmente importante. Se o cinema não teve grandes novidades, a televisão trouxe uma obra cujos efeitos irão repercutir por décadas: a série Lost.
Antes de mais nada, Lost mostrou que uma idéia ruim pode se tornar genial e só por isso já valia a pena. Uma série de TV sobre sobreviventes de um acidente aéreo tinha tudo para se tornar a coisa mais chata que a telinha já apresentou (sem falar que a trama acabaria no momento em que eles fossem resgatados), mas a idéia de transformar a ilha em uma miscelâneas de mistérios insolúveis salvou tudo.
Lost quebrou vários paradigmas. Entre eles o de que os flash backs não funcionam na televisão. Outro é de esse meio não suporta uma trama complexa.
Lost uniu bom roteiro com direção competente e atuações convincentes, mas o que realmente prendeu os expectadores na cadeira foram os muitos mistérios que deram origem às mais variadas teorias. Tentar descobrir o que está acontecendo na ilha é um belo exercício para os neurônios e me faz lembrar a época em que estava sendo lançado no Brasil a série em quadrinhos V de Vingança. A cada número aumentava a discussão sobre quem de fato era V. Ainda hoje na comunidade da HQ no Orkut esse assunto dá pano para manga.
O único defeito foi o horário em que a Globo apresentou a atração, em plena madrugada, um horário que parece ter sido escolhido para não dar audiência. Mas por outro lado, isso só mostrou o futuro no qual as televisão aberta já não tem tanto poder. Muita gente preferiu assistir em DVD ou baixar os episódios da internet. Como resultado, muita gente já assistiu até mesmo a segunda tempora, que ainda não foi exibida pela Globo.
Lost mostrou o quanto estavam equivocados os críticos dos meios de comunicação de massa que decretaram que a televisão era o meio mais pobre e que jamais poderia apresentar novidades ou obras de maior fôlego. É uma boa razão para olhar para trás e dizer: 2006 valeu a pena.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

O amigo Érico San Juan, grande fanzineiro e quadrinista, lançou seu blog de cartuns. Confira.
Tem dado muita discussão o fato da OAB nacional não ter recomendado nenhum curso de Direito no Amapá. Teve coordenador de curso de uma faculdade que foi para o jornal dizer que no Amapá não se pode cobrar o mesmo nível de qualidade dos outros estados (isso que dá contratar gente de outros estados, que vêm para cá cheios de preconceito e se achando os tais). O que na verdade se deve contestar é: qual o critério adotado pela OAB para essa não recomendação? E mais: como a OAB pode recomendar ou deixar de recomendar sem fazer uma avaliação na própria instituição. Nas duas faculdades em que trabalho, o que tenho ouvido dos coordenadores é que a OAB não passou por lá. Como fizeram essa avaliação então? Na base do olhômetro? Ou do chutômetro?

Teorias da comunicação


Uma ex-aluna deixou um recado pedindo para eu mandar para ela material sobre teorias da comunicação. Aí lembrei que tenho um livro sobre o assunto, disponbilizado gratuitamente na Virtual Books. O endereço é: http://virtualbooks.terra.com.br/osmelhoresautores/Teorias_da_Comunicacao.htm .

terça-feira, janeiro 16, 2007

Robin Hood

chegou às bancas de Macapá Robin Hood, a adaptação juvenil que escrevi para a editora Minuano. O livro, ilustrado por Luiz Saidenberg, faz parte da coleção Clássico da Literatura Juvenil (que irá lançar mais dois livros meus, Ben-Hur e Hércules) e custa apenas R$ 4,90.
O texto da contracapa diz:
"Este livro conta as emocionamentes aventuras deste virtuoso herói, na linguagem ágil da adaptação da Gian Danton. Pegue seu arco e sua flecha e venha para o mundo da fantasia de Sherwood viver o romance de humor e aventura desta divertida leitura que encantará toda a família".
Infelizmente o site da editora não disponibilizou a capa do livro ainda e estou sem scanner, de modo que fico devendo para vocês a imagem da capa...

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Autora de fanfiction de Harry Potter tem seu primeiro livro publicado

Por Ederli Fortunato15/1/2007

Uma escritora chilena que estreou na internet escrevendo sua versão das aventuras de Harry Potter acaba de lançar seu primeiro livro.
La Septima M (O Sétimo M) foi escrito por Francisca Solar, uma estudante de jornalismo de 23 anos. O livro - que segue uma série de suicídios misteriosos de jovens na cidade fictícia de Puerto Fake - foi lançado na Feira de Livros de Frankfurt pela editora Random House.
A moça fez sucesso na rede com Harry Potter e o Declínio dos Altos Elfos, uma versão de fã para o sexto volume da série criada por Joanne Rowling. Solar decidiu escrever sua versão depois de ficar desapontada com o quinto livro, Harry Potter e a Ordem da Fênix, que gerou controvérsia por mostrar o herói em uma séria crise emocional e dado a explosões de temperamento. A seqüência escrita por Francisca Solar atraiu 80 mil leitores e elogios de vários pontos do mundo. Leia mais

Comentário: eu também já me aventurei no gênero, escrevendo fanfics do Capitão América, do Doutor Estranho e da série de FC Perry Rhodan. Esses trabalhos podem ser encontrados na rede.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Links para alguns de meus livros virtuais



O Homem virgem e outras crônicas
http://virtualbooks.terra.com.br/novalexandria/gian3/gian3.htm

Teatro dos vampiros
http://virtualbooks.terra.com.br/osmelhoresautores/Teatro_dos_Vampiros.htm

Amores góticos
http://virtualbooks.terra.com.br/novalexandria/gian8/amores.htm

Monteiro Lobato
http://virtualbooks.terra.com.br/freebook/didaticos/Monteiro_Lobato_vida_e_obra.htm

Livro de resenhas
http://virtualbooks.terra.com.br/osmelhoresautores/Livro_de_Resenhas.htm

O portal das probabilidades http://virtualbooks.terra.com.br/freebook/infantis/o_portal_das_probabilidades.htm

Manticore
http://virtualbooks.terra.com.br/livros_online/nonaarte/manticore02.pdf

Spaceballs
http://virtualbooks.terra.com.br/osmelhoresautores/spaceballs.htm

Como escrever histórias em quadrinhos
http://virtualbooks.terra.com.br/novalexandria/gian6/gian6.htm

Homens impossíveis
http://virtualbooks.terra.com.br/novalexandria/gian5/gian5.htm

Cultura pop
http://virtualbooks.terra.com.br/novalexandria/gian4/gian4.htm

Censura

A Ditadura Militara, que começou envergonhada, tornou-se escancarada com a assinatura do Ato Institucional n. 5. O A1 5 instalou a censura na imprensa e tornou oficial a tortura dos porões. Intelectuais e artista passaram a ser perseguidos. Em 1968, durante uma apresentação da peça Roda Viva, de Chico Buarque e dirigida por José Celso Martinez Corrêa, o espetáculo foi atacado pelo Comando de Caça aos Comunistas que ameaçou de morte os atores.
Com a decretação do A15, Geraldo Vandré, compositor dos versos "Há soldados armados, amados ou não/quase todos perdidos de arma na mão" teve que se esconder na fazenda do escritor Guimarães Rosa antes de sair para o auto-exílio.
Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos, interrogados pelos militares e gentilmente "convidados" a deixar o país.
Raul Seixas e Paulo Coelho foram presos, torturados e extraditados.
Em 1973 a censura vetou a música "Uma vida só (pare de tomar a pílula)" porque o governo militar patrocinava uma campanha nacional de controle de natalidade e o sucesso da música incomodava. No ano seguinte, a censura vetaria a canção "Tortura de amor", de Waldick Soriano, por entender que era uma alusão à repressão. Até os filmes de Kung fu eram proibidos por supostamente conterem conteúdo maoísta.
Todas as classes artísticas, das mais intelectualizadas às populares foram vítimas da censura, mas a primeira forma de expressão a ser perseguida pelos militares foram os quadrinhos.
No início dos anos 1960, os desenhistas e roteiristas tinham apostado todas as suas fichas na dupla Jânio/Jango e haviam perdido.
O contato com o presidente Jânio Quadros começara meio que sem querer. O presidente eleito visitava a redação do jornal O Cruzeiro, pouco antes de sua posse, quando Ziraldo o viu passar perto de sua prancheta e o parou. O desenhista falou da dificuldade que os quadrinistas brasileiros tinham para publicar seus trabalhos e sugeriu que a única maneira de resolver a situação era garantir uma reserva de mercado para artistas brasileiros.
Jânio ouviu atentamente e fez uma anotação numa mesa próxima. Dias depois da posse, o desenhista Oku, funcionário do Ministério da Educação, telefonou para Ziraldo informando que o presidente o encarregara de discutir com os artista a lei de nacionalização das histórias em quadrinhos.
Com a renúncia de Jânio Quadros, os artistas voltaram suas atenções para João Goulart. Leonel Brizola, cunhado de Jango e na época governador do Rio Grande do Sul, incentivou a criação de uma cooperativa de quadrinhos no seu estado.
Em 23 de setembro de 1963, o presidente assinou o decreto-lei 52497, que nacionalizava as histórias em quadrinhos, reservando uma cota de 60% das publicações para material produzido no Brasil.
O decreto-lei, no entanto, dependia de regulamentação e, antes que isso fosse feito, os editores impetraram um mandado de segurança. Em 10 de outubro daquele ano, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Cândido de Mota filho, manifestou-se pela anulação do decreto-lei, alegando que o mesmo visava impedir que as editoras continuassem publicando quadrinhos. O STF só se pronunciou sobre o assunto, favoravelmente aos artistas, dois anos depois, mas aí já era tarde demais.
Em 31 de março de 1964, Jango foi deposto por um levante militar e os desenhistas e roteiristas passaram a ser perseguidos. "Não só Ziraldo como todos os artistas que lutaram pela lei de cotas passaram a ser vistos como suspeitos de comunismo e subversão. Muitos ficaram afastados dos quadrinhos por longos anos e até mudaram de profissão por absoluta falta de trabalho. Outros sobreviveram com dificuldade como colaboradores de pequenas editoras de São Paulo e com colaborações avulsas em livros didáticos e agências de publicidade. Júlio Shimamoto e Flávio Colin, por exemplo, só voltariam a fazer quadrinhos doze anos depois. Nesse meio tempo, sobreviveram na publicidade", conta Gonçalo Júnior no livro A Guerra dos Gibis.
O site da BBC publicou 60 fatos sobre David Bowie em homenagem ao cantor. Algumas curiosidades:

O cantor tocou quase todos os instrumentos do álbum Diamond Dogs, incluindo a famosa guitarra da música Rebel Rebel.

Bowie desenha, pinta, escreve e também é escultor em suas horas livres. Seus artistas prediletos são Tintoretto, John Bellany, Erich Heckel, Picasso e Michael Ray Charles.

Ele foi votado em quarto lugar em uma pesquisa recente do programa da BBC Culture Show, para descobrir qual o maior Ícone Vivo da Grã-Bretanha. Acima de Bowie ficaram David Attenborough, no primeiro lugar, Morrissey, em segundo, e Paul McCartney, em terceiro.

Em seu histórico escolar, Bowie tem apenas uma nota zero, em arte.

Dá ou não dá o que pensar sobre que tipo de escola temos hoje?

Programação de cinema em Macapá

CINE SHOPPING MACAPÁ
estréia hoje, 12, a comédia UMA NOITE NO MUSEU, com sessões às 16:30-19-21:20H e na sala 2 estréia a nova animação da Dreamsworks POR ÁGUA ABAIXO, com sessões às 15:30 e 17:10H e continua em cartaz ERAGON às 19 e 21:15H.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Música de hoje


A Estação
Roberto Carlos

Senti que alguma coisa ia me dizer
No tempo que restava antes de partir
Mas seu silêncio me dizia muito mais
Que todas as palavras que eu pudesse ouvir
No olhar uma tristeza disfarçava
No peito uma saudade antecipada
Então sua mão meu rosto acariciou
E com ternura meus cabelos afagou
E a sua voz se fez ouvir dizendo adeus
E eu fiquei perdido em pensamentos e recordações
Não sei por quanto tempo ali fiquei
E como pude controlar as emoções também não sei
Pra não me ver mais triste ainda ela sorriu
Me olhou nos olhos, me beijou, depois saiu
Caminhou com passos calmos e parou
Me acenou mais um adeus, depois seguiu
Lembrei de tudo como era antes
Sem despedida e vidas tão distantes
Parado ainda na estação ela me viu
Me acenou mais uma vez, depois partiu
E a sua mão mais uma vez me acenou
E eu fiquei perdido em pensamentos e recordações
Não sei por quanto tempo ali fiquei
E como pude controlar as emoções também não sei

A inquisição ibérica (envolvendo Portugal e Espanha) foi a mais cruel da Europa. Os inquisidores procuravam hereges, bruxas e judeus que continuassem professando sua fé. Um dos indícios que poderiam levar a pessoa à fogueira por judaismo era tomar banho pelo menos uma vez na semana (geralmente aos sábados). Na época havia quem passasse a vida inteira sem tomar banho e a Igreja Católica desestimulava os banhos, pois a água entrava em contato com locais em que não era pudico tocar...

quarta-feira, janeiro 10, 2007


Leia, de Jorge Luís Borges, Loteria da Babilônia, um intrigante conto sobre as vicissitudes da vida.

As revista da Turma da Mônica passaram para a editora Panini e os primeiros números já foram anunciados. Veja no Omelete a capa de um deles. Deu para perceber que vai haver uma melhoria de qualidade editorial e gráfica. A cor pelo menos está ótima.
Stardust, a ótima obra de fantasia de Neil Gaiman, virou filme e será lançado no Brasil. Saiba mais aqui.

Cemitério maldito


Nesse período comprei nas lojas Americanas (por 9,99) Cemitério Maldito, baseado na obra de Stephen King.
O livro é o que eu mais gostei de ler do King no gênero terror (eu realmente gostei muito de Corredor da morte - adaptado para o cinema como Á espera de um milagre - mas esse não é terror).
Em O cemitério, o autor depura sua técnica horripilante: mostrar pessoas normais em situações absolutamente normais até que você se acostuma com elas, começa a simpatizar com elas. Então o terror se instala em suas vidas. É uma técnica muito mais interessante do que deixar claro, desde o primeiro momento, que se trata de uma história de terror.
Assim, acompanhamos a família Creed se mudando para uma nova casa na beira de uma rodovia. Pitadas de horror aparecem aqui e ali, como quando o fantasma de um estudante morto aparece para avisar o dono da casa de algo terrível, mas fora isso a vida dos Creed parece aconchegantemente normal. Algo como uma coberta quente num dia de frio.
Então o gato de estimação morre e um vizinho o enterra em um cemitério índio, do qual o gato sai como uma espécie de morto-vivo malígno, embora isso não seja nem o começo do horror. O horror, ah, o horror!
Em Belém comprei um livro, Dissecado Stephen King, só com entrevistas com o autor. Numa delas ele diz que o terror é um gênero que tem como objetivo provocar uma catarse da qual saímos purificados. Sabemos que o que está acontecendo nas páginas do livro é algo terrível, mas sabemos também que isso não irá acontecer conosco. Nesse sentido, é quase como uma magia, como aquela história do Neil Gaiman em que um casal ganha de presente um livro escrito sobre eles. No livro, acontecem todas as desgraças possíveis: eles se traem um ao outro, os filhos envolvem-se com drogas e mais algumas delícias... No começo eles ficam ofendidos, mas depois percebem que aquilo tudo está acontecendo nas páginas do livro para que não aconteça com eles, como se o escritor tivesse conjurado uma poderosa magia que transportava para as páginas manuscritas todas as tristezas que poderiam acometer o casal.
O Cemitério é assim. Ao ler no começo nos assustamos, depois pensamos: isso está acontecendo com eles, com essa família, não conosco, e esse pensamento é reconfortador.
Mas falando do filme... bem, é uma verdadeira decepção. Os atores são sofríveis. Dale Midkiff, que interpreta Louis Creed é um daqueles atores que só têm uma expressão facial, geralmente sorrindo. Na verdade, só que convence são as crianças e o velho vizinho, interpretado por Fred Gwynne. E é muito mal dirigido. Fiquei imaginando que filme magnífico daria nas mãos de alguém competente, como M. Nigth Shyamallan.


Compre o livro Cemitério, de Stephen King, no Submarino.
Pessoal,

estive fora do ar alguns dias, mas foi por um bom motivo: estávamos de, digamos assim, férias, na ilha do Marajó. Praias lindas, um livro do Stephen King, e nenhuma preocupação por alguns dias. Mas quando voltamos, milhões de coisas para resolver. Até a geladeira inventou de enguiçar! Assim, vou voltar a blogar aos poucos. Gostaria de comentar alguns filmes que assisti nesse período...

Zé Carioca pode ser criação do brasileiro J. Carlos


Rio, 10 (AE) - Um papagaio que fuma charuto, veste colarinho e usa bengala faz as malas rumo a Hollywood. A legenda informa: "Walt Disney levou o papagaio." O macaco, um dos bichos que observam a cena, comenta: "Esse papagaio vai ser um sucesso de bilheteria; fotogênico, orador e, sobretudo: impróprio para menores..." O desenho de J. Carlos, considerado por muitos o maior cartunista brasileiro, foi capa da revista Careta em outubro de 1941, pouco depois de Disney ter feito um tour pela América do Sul.No ano seguinte, Zé Carioca, o papagaio malandro da Vila Xurupita, surgiria no cinema em "Alô Amigos", ciceroneando o Pato Donald no carnaval do Rio. Em 1944, voltaria às telas, mais uma vez ao lado de Donald, em "Você já Foi à Bahia'" Nos filmes, coincidentemente, o louro fuma charuto, veste colarinho e se apóia em um guarda-chuva. Claro, também usa chapéu de palhinha e gravata borboleta, além de paletó. O contato entre J. Carlos e Disney está documentado e é praticamente consenso entre pesquisadores que, de alguma forma, Zé Carioca foi inspirado pelo artista brasileiro, cujo primeiro nome também é José. Leia mais

Comentário: agora que descobriram isso. Todo mundo que é envolvido com quadrinhos já sabia dessa história há muito tempo...

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Experiêcias e livros






Monteiro Lobato já disse que um país se faz com homens e livros. Da mesma forma, um homem se faz de experiências e livros. Não há formação intelectual que não passe pela leitura.

Pensando em todos os livros que, de uma maneira ou de outra, influenciaram minha formação, lembro de um deles, parece-me, é pouco conhecido da geração atual. Mas fez as delícias de todos os jovens devoradores de livros da década de 80. Falo de Aventuras de Xisto, de Lúcia Machado de Almeida, publicado na época na coleção Vaga-lume.Esse foi o primeiro livro que li (não estou contando os pequenos livros infantis dos quais guardo poucas lembranças). Devia ter algo em torno de 10 anos. Pode parecer uma discrepância eu ler meu primeiro livro aos 10 anos, mas há de se considerar que eu cresci em uma família pobre, na qual livros eram um luxo supérfluo. Só consegui convencer minha avó a me dar o dinheiro para esse livro porque ele ia ser utilizado na escola. Na época vivíamos na pequena cidade de Mococa, no interior de São Paulo. Eu mesmo fui à livraria, no outro lado da cidade e comprei o livro. Antes que o dia terminasse eu já o tinha lido inteiro. No dia seguinte, dia de frio, coloquei uma cadeira no quintal e, enquanto tomava um sol, li pela segunda vez. Uma semana depois a professora iniciou a leitura em sala de aula, mas o rapaz responsável por ler o primeiro capítulo não havia nem mesmo aberto o livro. “Alguém já leu o livro?”, perguntou a professora. Eu levantei a mão: “Já li cinco vezes, professora”.

Aventuras de Xisto influenciou meu gosto pela história, especialmente pela história medieval. O clima sombrio e fantasioso também influenciou muito minha literutura. Minha novela O Anjo da Morte é uma espécie de Aventuras de Xisto para adultos. Gostaria de dar destaque também para as ilustrações do livro, de autoria de Mário Cafiero. Sempre imaginei ter uma história desenhada por ele. Depois disso, eu não tinha mais como convencer minha avó a comprar outros livros e só fui voltar a ler uns quatro anos depois, quando descobri a biblioteca pública e os sebos.

Foi época de conhecer Monteiro Lobato. Não houve um livro específico que tenha me influenciado. Nessa época lia tudo que me chegava às mãos do autor paulista. Curiosamente, li primeiro sua literatura adulta, depois a infantil. Na literatura adulta, Urupês é sem dúvida a obra-prima. Lobato estava menos preocupado em fazer literatura e mais em causar uma impressão no leitor. Lembro que a primeira vez que li me pareceu um livro de terror... Da literatura infantil, História do mundo para crianças é, certamente, a obra que li mais vezes. Lobato era uma dessas inteligências enciclopédicas, que escreviam sobre tudo e em tudo deixavam um gosto delicioso.

Mais ou menos por essa época, tinha um amigo que colecionava a revista Heróis da TV e descobri um sebo que as vendia por um preço irrisório. Eu comprava as revistas e as vendia pelo dobro do preço, e assim conseguia dinheiro para comprar minhas próprias revistas. Antes de vender as revistas, eu passava o final de semana lendo. Só muito tempo depois fui perceber o quanto essas leituras me influenciaram, especialmente as histórias do Mestre do Kung Fu, cujos autores são: Dough Moench (roteiro); Paul Gullacy e Mike Zeck (desenhos). Há coisa de um mês encontrei em um sebo as edições norte-americanas do personagem, da década de 70, e não hesitei em comprar.

1984, de George Orwell, foi a leitura que mais influenciou o período da universidade. Quando já estava no final do livro, fui comprar adubo para minha avó (que adora plantas). Como o troco demorasse, encostei no balcão e comecei a ler. Só sai de lá depois de ter lido a última palavra, para espanto dos balconistas. 1984 é um livro que deixa uma marca em quem o lê. É impossível sair dele o mesmo.

Também da época da Faculdade, O Nome da Rosa, de Umberto Eco foi um livro que prendeu minha atenção. Às vezes desconfio que só gostei tanto dele porque a ambientação era quase a mesma de Aventuras de Xisto. Em todo caso, li-o três vezes. Na primeira o que mais me chamou atenção foram os detalhes sobre a história da Idade Média. Na segunda, os aspectos relacionados às teorias da comunicação (especialmente semiótica e teoria da informação). Na terceira, eu já estava mais interessado em detectar as influencias de Jorge Luís Borges sobre a obra.

Chegamos a Borges. O que mais me marcou no autor argentino não foi um livro, mas um conto: "O Aleph". O texto parecia uma versão literária de meus estudos sobre teoria do caos. A partir daí comecei a devorar tudo que me caía as mãos sobre o autor portenho.

"O Aleph" me foi emprestado por um colega de redação na Folha de Londrina. Foi também ele quem me emprestou Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury. Eu já havia lido Farenheith 451, mas esse parecia uma versão menor de 1984, de Orwell. Crônicas Marcianas tinha vida própria e fez com que eu me interessasse pela literatura de ficção científica norte-americana. De Bradbury para Isaac Asimov foi um passo. Além das histórias de robôs, sempre me fascinaram seus textos de divulgação científica. Asimov produziu um verdadeiro tijolo, Cronologia das descobertas cientificas, que foi meu livro de cabeceira durante o mestrado.

Uma história em quadrinhos que mudou a minha forma de ver o mundo foi Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. Moore virou de cabeça para baixo os comics norte-americanos ao mostrar os super-heróis de uma perspectiva realista. Histórias de heróis cuja vestimenta é uma fantasia sexual se misturam com casos de personagens que deixaram escapar bandidos porque precisavam ir ao banheiro. Pode parecer humorístico, mas a perspectiva não era essa. Moore realizou uma obra profunda sobre a condição humana em meio ao caos. O subtexto baseado na teoria do caos e na geometria fractal passou despercebido pela maioria dos leitores e só se tornou corrente no Brasil após o meu trabalho de conclusão de curso.

Já que falamos em teoria do caos, Caos: a criação de uma nova ciência, de James Gleick, é outro livro que exerceu grande influência sobre mim ao me mostrar o poder desse novo paradigma para explicar fenômenos não deterministas. Fenômenos deterministas são aqueles que seguem um padrão fixo, como um relógio. Para a ciência clássica, todo o universo era determinista. A teoria do caos demonstrou que esse modelo do universo como um relógio não corresponde à realidade. A maioria dos fenômenos, por mais determinados que pareçam, podem mudar de comportamento de uma hora para outra em decorrência de pequenas alterações, chamadas de efeito borboleta.

A teoria do caos foi uma das bases da teoria de Edgar Morin. Esse autor francês produz tanto que é quase impossível destacar um livro mais importante. Ciência com consciência, Sete saberes necessários à educação do futuro e A Cabeça bem-feita são alguns dos mais famosos. Morin defende uma nova visão de mundo, diversa daquela inaugurada por René Descartes, segundo a qual, para conhecer algo, é necessário dividir esse algo em pequenas partes e estudá-las um a uma. Para Morin, as partes não podem ser vistas senão em sua relação com o todo.

A teoria do caos demonstrou que tudo está relacionado. Uma pequena borboleta batendo suas asas na China pode desencadear uma série de eventos que redundam em uma tempestade em Nova York.Morin critica a fragmentação dos saberes e defende uma ciência que vê as coisas em suas relações com outras coisas. Pensando bem, isso tem tudo a ver com a filosofia oriental que aparecia nas páginas das histórias em quadrinhos do Mestre do Kung Fu. Talvez tudo esteja mesmo interligado.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Contos de Natal dos super-heróis

Por Marcus Vinicius de Medeiros22/12/2006

Histórias de quadrinhos de Natal estreladas por super-heróis costumam ser um deleite para os fãs, independente de como eles vejam o feriado. Para alguns, é sobre enfeitar a casa, comprar e receber presentes. Outros, porém, ainda acreditam que esta pode ser a época de mudanças, de realizações e de fazer algo pelas pessoas que precisam, algo que vai totalmente ao encontro das histórias de super-heróis, nas quais indivíduos tentam melhorar o mundo de alguma forma. Destacamos aqui cinco histórias de Natal que transmitem justamente esse espírito. Leia mais
Hoje fui em um supermercado famoso na cidade e comprei veneno para barata, doce e uma escova de dente. No caixa, colocaram tudo junto no mesmo saco... Fiquei me perguntando: os embaladores não recebem treinamento? O treinamento é um item importante. Todo o esforço de marketing vai por água abaixo se os funcionários que vão ter contato com os clientes não estiverem preparados para isso...

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Programação de cinema

CINE SHOPPING MACAPÁ
sala 1: ERAGON sessões: 16:20-19-21:15h
sala 2: CASSINO ROYALE sessões: 16:00-18:50-21:30h

CINE SANTANA
sala 1: JOGOS MORTAIS 3 às 19 e 21:20H e DEU A LOUCA NA CHAPÉUZINHO às 17h
SALA 2: HAPPY FEET às 16:40 e 19h e INFILTRADOS às 21:10h.

300 terá estátuas colecionáveis - incluindo uma de Rodrigo Santoro

Por Marcelo Hessel27/12/2006

A NECA, fabricante de estatuetas e brinquedos para colecionadores, revelou as imagens dos itens baseados no filme 300, aguardadíssima adaptação para as telas da HQ de Frank Miller.
A semelhança com o que se verá tela é incrível. Confira abaixo duas peças espartanas da série um, o Rei Leônidas e o traidor Ephialtes:

A série um - que sai em abril - ainda terá um dos soldados imortais e a Rainha Gorgo, mulher de Leônidas. O persa Xerxes - o primeiro bonequinho colecionável da carreira do brasileiro Rodrigo Santoro - vem só na série dois, que não tem previsão de lançamento. A NECA prometeu mais imagens até lá.
300 estréia nos EUA em 9 de março de 2007 e no Brasil no dia 30 de março. No elenco estão Gerard Butler, Lena Headey, David Wenham, Vincent Regan e Dominic West .

Fonte: Omelete

domingo, dezembro 24, 2006


Sandman é uma das melhores histórias em quadrinhos já escritas. Seu autor, Neil Gaiman, provou que mulheres também poderiam gostar de gibis, desde que eles não fossem sobre homens musculosos com a cueca sobre a roupa e trocando sopapos. Suas histórias trouxeram novos temas para os quadrinhos norte-americanos e chegaram a ganhar diversos prêmios literários. Além disso, as belíssimas capas de Dave McKean eram tão boas que mereceram uma edição especial pela Opera Graphica (o texto da contra-capa é meu). As histórias estão sendo lançadas em edição de luxo pela Conrad e ficaram entre os 10 livros mais vendidos pelo site Submarino. Para quem não puder comprar, uma opção é baixar na internet. Aqui vai o endereço: http://www.box.net/public/25mjzypil0#main
Ontem não estava me sentido bem e ficamos em casa assistindo filmes. Assistimos um ótimo filme sobre Psicopatas, Assassinatos em série, que explora mais os aspectos psicológicos da trama do que os assassinatos em si. Baseado em um caso real, tem uma direção nervosa, com uma câmera que não pára um único instante.

Ando meio demorado para atualizar pela dificuldade de acessar a net, mas gostaria de desejar a todos os meus leitores um feliz natal. Como presente, deixo um natal desenhado pelo Norman Rockwell, o maior ilustrador norte-americano.

sábado, dezembro 23, 2006

História de natal

“Imagine there’s no countries
It isn?t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace”
Imagine - John Lennon

Estavam em guerra.
Durante anos a humanidade havia percorrido o universo em busca de outras civilizações, em busca da constatação de que não estamos sozinhos. Então encontraram os gafanhotos. Claro, eles não se chamavam gafanhotos. Mas as pernas e os braços compridos, além da pele na forma de couraça davam-lhe o aspecto de gafanhotos e era natural que os humanos os chamassem assim, por analogia.
No começo as relações foram bastante amistosas. Afinal, era a primeira forma de vida inteligente que o homem encontrava em seu caminho pelas estrelas.
Os problemas começaram a ocorrer quando as viagens de turismo ao planeta dos gafanhotos se tornaram freqüentes. Ficou claro, então, que havia séria diferenças culturais. Ocorre que todo o planeta era repleto de pequenos e incômodos insetos. Os turistas humanos usavam contra eles inseticidas e repelentes.
Entretanto, os gafanhotos consideravam os insetos sagrados, pois Deus os criara à Sua imagem e semelhança.
Os teólogos humanos acharam a idéia ridícula. Que tipo de Deus teria a aparência de um inseto? Afinal, a Bíblia deixava claro que Deus criara o homem à Sua imagem e semelhança. A religião dos gafanhotos foi considerada uma heresia.
O que era uma simples diferença teológica tornou-se um problema diplomático quando os gafanhotos começaram a matar humanos acusados de exterminar insetos.
Foi o início da guerra.
José lembrava-se de tudo isso enquanto olhava o céu repleto de estrelas. Uma estrela cadente fez com que ele atentasse para a data. Eram 24 de dezembro. Véspera de natal. Estavam tão preocupados com inimigo que nem ao menos haviam percebido.
O rapaz tentou lembrar o capitão, mas não conseguiu. Estavam todos ocupados demais com os preparativos para a batalha. Dizia-se que os gafanhotos preparavam um ataque surpresa e a ordem era contra-atacar com todas as forças.
José encostou a cabeça na parede da trincheira e dormiu. O cheiro de excrementos e dos cadáveres era tão forte que dominou seus sonhos. Acordou com um outro soldado empurrando-o.
- Acorde! O ataque vai começar!
José olhou para o relógio. Eram quase meia-noite.
De repente veio a ordem. O sargento berrava como um louco e empurrava os soldados para fora da trincheira.
- Atacar!
José avançou com os outros. Uma bomba explodiu, levantando uma densa cortina de fumaça e pó que desorientava os soldados.
Mísseis silvavam no ar, luminosos e terríveis, prestes a cair no campo de batalha. Eram máquinas de morte, ceifadora de vidas, incapazes de distinguir um amigo de um inimigo.
Mas não caíram. Algo aconteceu antes. Explodiram no ar, formando belos desenhos de luz. O som cessou. O barulho incessante das metralhadoras cessou. A respiração ofegante dos guerreiros. Tudo parou. Até mesmo o tempo. Uma forte luz branca tomou conta do campo de batalha, parecendo vir de todos os lugares e de lugar nenhum.
Então surgiu um menino. Surgiu no céu, e todos os olhares de voltaram para ele. Enquanto falava, os soldados largavam as armas e choravam.
- Hoje não haverá mortes. Não haverá guerras em meu nome. Nada de armas, sangue ou gritos de desespero. Paz. Apenas paz.
Do outro lado aconteceu algo semelhante, mas o que apareceu para os gafanhotos não foi um menino. Foi um inseto. Um ser de pernas e braços compridos e pele em forma de couraça. Ele falou com eles, da mesma forma que o menino falou com os humanos.
Depois disso inimigos se abraçaram.
O campo desapareceu e junto com ele os mortos, os ratos, as doenças e o cheiro pestilento. Humanos e gafanhotos não conseguiam entender porque estavam brigando antes e isso não interessava.
No dia seguinte o rádio guinchou dos dois lados, proferindo ordens de morte. Ninguém atendeu. E nem atenderia. Afinal, era natal...

quarta-feira, dezembro 20, 2006

As piores HQs de todos os tempos

1 – Yongblood, de Rob Liefield. Trabalho amador, que foi considerado durante muitos anos o top do mercado norte-americano. A grande maioria dos fanzineiros brasileiros desenha melhor que Liefield.
2 – Cavaleiro das trevas dois, de Frank Miller. Tão ruim quanto o primeiro foi bom.
3 – X-men da fase posterior à saída de John Byrne. Teve até alguns bons desenhistas, mas os roteiros eram um fiasco.
4 – Guerras Secretas, de Mike Zeck e (quem era mesmo o roteirista dessa bomba?). A história em si já era muito ruim. Tentaram fazer com o universo Marvel o que Crises havia feito na DC e o resultado foi catastrófico. Mas no Brasil a coisa foi pior ainda. Quando chegou no último capítulo, os editores brasileiros perceberam que o resto da cronologia dos personagens estava atrasada e resolveram refazer todo o último capítulo. E olhem que no capítulo anterior eles já tinham anunciado um pouco do que ia acontecer no último gibi!
5 – Beto Carrero. Sim, já houve HQ do Beto Carrero e, parece-me, era feita pelo Rodolfo Zalla. Eu já trabalhei com o Zalla e sei que ele era um cara que parou no tempo (ao contrário do Collonesse, que parece que melhora a cada história – quem dúvida dê uma olhada no Histórias de Guerra). O grande problema eram os roteiros. Sempre algum bandido atormentando uma cidadezinha, sempre chegava o Beto Carrero, vencia os bandidos e viviam felizes para sempre. Lembro que um leitor escreveu para lá reclamando que as histórias eram muito previsíveis. A resposta do editor é que, como a maioria das HQs eram imprevisíveis, com finais surpresa e reviravoltas, eles procuravam ser diferentes fazendo histórias previsíveis. Ah tá...
6 – A MORTE DO SUPER-HOMEM. Essa história mostrou a noção que a DC Comics tem de marketing: enganar o leitor. Marketing, na sua concepção original, é satisfazer as necessidades do consumidor, coisa que essa HQ passa longe de fazer. Um roteiro sem pé nem cabeça unido a um desenho fraco e uma morte que não era morte. Precisa de mais alguma coisa para entrar na lista?
7 – HERÓIS RENASCEM. Com o sucesso da Image, a Marvel resolveu reformular seus principais heróis, chamando os astros da Image. A versão do Capitão América por Rob Liefield foi tão ruim que eles tiveram que dar um pé na bunda no homem e chamar o brasileiro Bené Nacimento (Joe Bennett) e o inglês James Robinson para consertarem a lambança. Os dois fizeram histórias bem legais, considerando-se a situação.

sábado, dezembro 16, 2006

Conheci a Ceila Campos através de um artigo que escrevi para o Digestivo Cultural. Ela na época estava montando um site chamado Desabafo de Mãe. Por razões diversas, acabei não colaborando. Mas agora a Ceila me mandou um e-mail pedindo que indicasse alguma blogueira do Amapá que pudesse ser colaboradora do site. Se alguém quiser entrar nessa, deixe um recado.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Tese mostra papel dos quadrinhos na atividade cerebral

Há um ponto que une o Gazy Andraus desenhista com o Gazy Andraus pesquisador: a abordagem filosófica e mental dada aos quadrinhos. É papo cabeça, como se diz na gíria. Mas muito pertinente. Tão pertinente que virou tese na USP (Universidade de São Paulo), defendida nesta sexta-feira.

O agora doutor Gazy Andraus mostrou que o ensino acadêmico principalmente o universitário, coloca as imagens num segundo plano, toma como base um modelo estritamente racional.

Isso traria mudanças no comportamento cerebral. Desenvolveria mais o lado esquerdo do cérebro (mais lógico e racional) e menos o hemisfério direito (voltado à criação).

Segundo o pesquisador, os quadrinhos seriam o meio ideal para trazer um equilíbrio maior à atividade cerebral no meio científico, como sintetiza a ilustração ao lado.

"É por isso que as histórias em quadrinhos são o carro-chefe da minha tese", diz Gazy. "Se eu defendo que o ensino caduco tem que ser substituído por outro que abranja todas as funções das lateralidades cerebrais, os quadrinhos são, no mínimo, os ideais. Em cada história em quadrinhos há em geral uma junção entre os desenhos (ativando o hemisfério direito) e os textos contidos nos balões e nos recordatórios (que atiam o esquerdo). Há uma riqueza nessa fusão." Leia mais no Blog dos Quadrinhos.

Coincidências

Olha a coincidência. Sem querer, eu e a Alcinea Cavalcante acabamos fazendo uma blogagem coletiva. Eu publiquei um dicionário com expressões paraenses e a Alcinea publicou, no mesmo dia, um dicionário da linguagem amapaense.

Gonzo jornalismo


O nome mais importante do gonzo jornalismo é o norte-americano Hunter S. Thompson.
Na década de 70 ele foi mandado pela revista Rolling Stone para cobrir uma corrida de motos. Gastou todo o dinheiro que haviam lhe dado com drogas, carros, fez contas em hotéis e saiu sem pagar, arranjou problemas com a polícia e, para piorar, só chegou na corrida de motos quando esta já havia acabado. Ao invés de ser demitido, virou celebridade e acabou criando uma nova forma de fazer jornalismo: o gonzo. O batismo foi feito pelo repórter Bill Cardoso. Ao ver os textos de Hunter, ele comentou: Não sei o que está fazendo, mas você mudou tudo. Isso está totalmente gonzo.
Hunter continuou produzindo reportagens, sempre sob o lema: Quando as coisas ficam bizarras, os bizarros viram profissionais.
O gonzo, por suas próprias características, não é uma fórmula que possa ser aplicada a um texto. É muito mais uma atitude diante do mundo e do jornalismo.
É possível, no entanto, perceber algumas características no gonzo jornalismo.
A primeira delas é um ataque radical à teoria da objetividade jornalística.
Para os adeptos do gonzo, o discurso da objetividade quer criar confiança, convencer o leitor de que é isenta, livre de desejos, ideologias, medos e interesses de quem escreve.
Ou seja, a objetividade é um discurso de mascaramento da ideologia que permeia o jornalismo. Não interessa ao gonzo se essa ideologia é neo-liberal ou marxista. O importante é o princípio da objetividade serve para esconder o fato de que nenhuma linguagem é neutra.
O gonzo tira essa máscara e daí surge sua primeira característica formal: os textos são sempre escritos em primeira pessoa. O objetivo não é apenas narrar fatos, mas relatar a experiência de um determinado indivíduo com eles.
O fator de haver um mediador entre a experiência e o leitor é destacada, e não escondida.
O gonzo também quer ir contra a imagem que os jornalistas fazem de si mesmos, de sérios e respeitáveis (exemplo disso é o âncora da Record, Boris Casoy).
Tal imagem contribui para transformar o jornalismo em discurso autorizado. O jornal é a expressão da verdade, e não de uma verdade.
Em contraste, os gonzo-jornalistas não pretendem ser nem sérios nem respeitáveis.
A carta de princípios da irmandade Rauol Duke (pseudônimo utilizado por Hunter para evitar problemas com a polícia) nos diz que o repórter deve se envolver na história e alterar ao máximo os acontecimentos dentro da media do Impossível, de forma a transformá-la não em um mero RELATO do evento, mas sim em uma história ENGRAÇADA e CÁUSTICA.
Entretanto, a ficção pura e simples não serve ao gonzo. Ainda segundo a mesma carta, o conteúdo dos textos deve ser JORNALÍSTICO, ou seja: um fato precisa estar acontecendo necessariamente.
Para fazer jornalismo gonzo não é necessário procurar fatos bizarros. Aliás, o ideal é abordar fatos normais, banais, sob ponto de vista bizarro e pessoal.
Exemplos de jornalismo gonzo estão se tornando cada vez mais freqüentes na imprensa brasileira. Arthur Veríssimo, da revista Trip, foi o primeiro a celebrizar esse estilo no Brasil. Em uma de suas matérias mais antológicas, ele passou um dia como animador de festas infantis.
A revista Zero, lançada pelas editora Pool e Lester, também traz características gonzo.
O número de estréia trouxe uma matéria sobre as deusas-vivas do Nepal. O título e subtítulo deixam claro o distanciamento que a procura manter do jornalismo convencional: É DURO SER DEUSA - No Nepal, o dom divino já nasce com data de expiração. Luiz Cesar Pimentel passou uma tarde na casa de uma ex-deusa viva e mostra a realidade casca-grossa das divindades locais.
O texto é em primeira pessoa e não esconde o ponto de vista do repórter:
"Por mais que eu tenha me esforçado no parágrafo anterior para dar a real dimensão da discrepância de uma deusa dormir em um sofá-cama e possuir um vira-lata (que parece uma mistura de poodle com nada) como campainha, a cena para quem passa um período no país não é tão assombroso assim. No Nepal, todas as situações têm uma forte tendência ou a não funcionar ou a funcionar de um jeito totalmente estapafúrdio. E, como você deve imaginar, dá tudo certo no final. Ou quase".
Até mesmo a grande imprensa tem se rendido à bizarrice do jornalismo gonzo, embora de maneira mais comportada.
É na, até pouco tempo sisuda, revista Superinteressante que encontramos um exemplo típico de jornalismo gonzo.
Na matéria Puro Rock’n’roll, publicada na Superinteressante, número 8, ano 15 de agosto de 2001, o repórter Dagomir Marquezi se disfarçou de saxofonista do grupo Jota Quest e participou de show em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo. Como uma típica matéria gonzo, o jornalista também é personagem e o texto é em primeira pessoa:
"Não bastava tocar: um trio de metais que se preze também dança. Lembrava-me dos muitos shows de James Brown que assistira. Um passo para a direita, junta os pés. Um passo para a esquerda, junta os pés. Eu operava a coreografia e meus colegas de metais não se agüentavam de vontade de rir da minha picaretagem artística. O baixista PJ e o tecladista Márcio Buzelin, entre risadas disfarçadas, também faziam sinais de que estava me saindo bem".

Para ir além
CLARENC,Claudio A.. . Truman Capote: A sangre fría.
Disponível em: http://orbita.starmedia.com/~claudio157/Capote.htm
Truman Capote. In: Instituto Gutemberg.
Disponível em: http://www.igutenberg.org/newjorna.html
Bizarrice profissional: Ainda não entendeu o que é jornalismo gonzo?
Disponível em: http://www.eduf.com.br/gonzo.php?Tid=92
Desaforismos gonzológicos: Perguntas que você não teve a bobagem de fazer.
Disponível em: http://www.eduf.com.br/gonzo.php?Tid=37.
Ensaios de gonzologia: A ilusão de escrever em primeira pessoa.
Disponível em: http://www.eduf.com.br/gonzo.php?Tid=36
Gonzologia: Gonzo pode dar mais ao mundo do que somente jornalismo?
Disponível em: http://www.eduf.com.br/gonzo.php?Tid=35
O MANIFESTO GONZO.
Disponível em: http://planeta.terra.com.br/arte/familiadacoisa/IRD/filo.html

Compre livros sobre jornalismo no Submarino.

sábado, dezembro 09, 2006

Há algum tempo a professora Silvia Góes, da escola Prof. Thereza Siqueira Mendes, em Santa Fé do Sul, usou a série Mundo Dragão na aula de leitura com seus alunos. Eles ficaram tão empolgados com a história que acabaram criando seus próprios finais alternativos. Agora esses finais foram publicados pela Virtual Books. Confira o resultado.
Tenho observado as provas do ENAD, o antigo provão. As provas são feitas por especialistas do MEC nas diversas áreas das graduações. Em todas esssa provas, uma coisa em comum: o que se pede é uma visão ampla de mundo. Um aluno de administração deve saber de cinema, de literatura e até de quadrinhos. Eu já tinha falado sobre essa visão ampla de mundo quando comentei o programa O Aprendiz... a era dos especialistas, que sabiam apenas da sua área de atuação está no fim.
No meio do ano fui convidado a escrever um texto para o Digestivo Cultural sobre os 20 anos do disco Legião Urbana 2. Na época estava muito ocupado e acabei não colaborando, mas hoje me arrependo. Esse foi um dos discos que mais ouvi e algumas de minhas músicas prediletas, como Acrilic on canvas e Andrea Doria são desse disco. Para relembrar, coloco aqui a letra de Andrea Doria. Para quem não sabe, esse é o nome de um navio que naufragou. Uma metáfora interessante para falar de um relacionamento que acabou. Ah, fiquem atentos ao Digestivo. Em breve vai ao ar um artigo que escrevi sobre minha colaboração no site.

Andrea Doria
Composição: Renato Russo
Às vezes parecia que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo,
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro.
Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente,
Quase parecendo te ferir.
Não queria te ver assim -
Quero a tua força como era antes.
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada.
Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.
Eu sei - é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse
Contra mim.
Nada mais vai me ferir.
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui
E com a minha própria lei.
Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais,como sei que tens também...

quinta-feira, dezembro 07, 2006


Para quem gosta de literatura, uma dica: O museu Edgar Alan Poe, em homenagem ao melhor escritor de todos os tempos.
Uma boa dica para quem gosta de marketing: um texto sobre merchandising, com os conceitos básicos.
Ontem inaugurou o supermercado Favorito. Passamos por lá para ver rapidamente e fiquei impressionado com o belo trabalho de marketing. Para começo, é possível visualizar as placas do supermercado a quase um quilômetro, vindo pela Santos Dumond. Lá dentro, um trabalho excelente de merchandising... e, para completar, uma promoção de inauguração interessante: os clientes que compravam acima de 100 reais podiam tentar fazer um gol num trave especialmente preparada no estacionamento. Se conseguissem ganhavam uma cesta de produtos...

... enquanto isso, outro supermercado da cidade resolveu descontinuar seu cartão fidelidade. Vá entender!

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Morreu Joacy Jamys


Joacy Jamys era um dos grandes batalhadores da história em quadrinhos nacionais, um cara que se destacava não só pelo talento, mas também por sem bem visto pelos mais variados artistas. Certa vez fui no Maranhão, onde ele morava e acabei não me encontrando com ele. Desde então a gente vivia trocando e-mails e marcando algo (ele pensava até em vir a Macapá). Reproduzo abaixo um texto de um amigo dele:

"Um grande amigo nos deixou. Joacy Jamys, quadrinhista, referência no meio alternativo sofreu um Acidente Vascular Cerebral no dia 04 de outubro. Os médicos que o atenderam, confirmaram, hoje, morte cerebral. Estamos todos imensamente tristes, pois Jamys é amigo muito querido. Um dos maiores batalhadores pela profissionalização dos quadrinhos no Maranhão, nos incentivava a todos para produzir e ele próprio era, para nós, grande inspiração. Produzia continuamente, divulgava os trabalhos dos artistas locais e estava montando um livro com sua toda a sua obra. Uma imensa quantidade de tiras, charges, cartuns, hq’s poemas, capas de cd’s, de livros, publicidade.... enfim. O homem era uma máquina (no bom sentido). Carioca de nascimento, Jamys nasceu em 09 de outubro de 1971. Mudou-se para o Maranhão ainda adolescente e ficou, encantado com as histórias, praias e mulheres de São Luís, onde fez sua base de lançamento de quadrinhos e idéias.
Vá em paz, amigo. Iramir Araujo"

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Pequeno dicionário das expressões paraoaras


Belém, como toda a Amazônia, é rica em tudo. Em bio-diversidade, em minérios, e até em expressões e lendas. O caso das expressões é particular porque eu acabei participando, direta ou indiretamente, da criação de algumas que se tornaram célebres. O que apresento a seguir é uma amostra de palavras e expressões relacionadas por mim e por Alan Noronha (algumas definições são dele). Tal dicionário pode ser útil, caso você tenha a temerária idéia de visitar Belém. Saber que égua não é xingamento pode ser tão útil quanto saber que, em Curitiba, salsicha é vina...
Égua - essa é, depois de deveras, a única palavra brasileira que pode ser usada em qualquer situação. Você pode usar égua para expressar dor, tristeza, alegria, admiração, espanto e até mesmo enfado. Se, por exemplo, passar pela sua frente uma morena jeitosa, você pode exclamar deliciado: “Égua!”. E não se preocupe que ela não vai achar que você está chamando-a de eqüina. Se, por outro lado, descer um disco voador no seu quintal, não pense duas vezes. Grite: “Égua!”.
Pai d´égua - é uma derivação do égua. Significa legal, bacana. Se um paraense gostar de você, vai dizer que é um cara pai d´égua. Sinta-se orgulhoso, pois você acaba de receber um grande elogio
Já - é o primo pobre do égua. Também pode ser usado em qualquer situação, mas não tem autonomia para constituir uma frase. Geralmente é usado para dar ênfase à frase: “Mas quando, já?”; “Mas maninho, tu já bebe...”.
Mofino - entristecido, quieto. Geralmente boladas no saco, foras da namorada e ônibus que não param (muito comuns em Belém) deixam o indivíduo mofino.
Noiado - redução de paranóico que, com o tempo, ganhou outras significações. Usa-se para designar um indivíduo neurótico, problemático. Você, por exemplo, pode estar mofino porque é um indivíduo noiado. Mas a experiência tem demonstrado que, assim como chifre, nóia é coisa que botam na sua cabeça.
Rolar o mal - jogar sinuca. Diz a lenda que um metaleiro que jogava sinuca soltava a cada dois segundos: “Pô, cara, muito mal”. Assim que ele saiu, os outros começaram a usar a expressão, por sarro, até que a expressão acabou se aplicando ao próprio jogo. Esse é um termo que surgiu num grupo de amigos meus e acabou se alastrando assustadoramente pela cidade. Estar em mal significa estar em situação de sinuca. Em Belém você pode convidar um amigo para rolar o mal, ao que ele vai responder, indignado: “Eu não. Você só gosta de deixar a gente em mal”.
Ah se eu te pego, te requebro, na cabeça do meu prego - cantada sutil e malevolente. Deve ser empregada no tom de voz adequado.
Pariceiro - colega, amigo. Pejorativo muito usado pelas mães em referência aos amigos do filho.
Pano de bunda - trouxa, mala. Normalmente usado pelas mães que querem expulsar os filhos de casa. Exemplo: “Você só vive com esses seus pariceiros! Pega os seus panos de bunda e vai morar com eles!”.
Teba - grande. Geralmente usado para aquilo. Comum a expressão “Olha a teba!”, com gesto indicativo do tamanho da coisa em questão.
Miúdo - pequeno, de pouco valor.
Graúdo - grande. Certa vez fui assaltado e o e ladrão, depois de examinar minha carteira, perguntou enfurecido: “Cadê o dinheiro graúdo?”. Eu só tinha dinheiro miúdo...
Rolar o chocolate - fazer amor. Essa expressão surgiu depois que passou no cinema o filme Como Água para Chocolate e chegou a ter uma certa popularidade. Atualmente foi substituído por comparecer. Há também quem use conhecer, no sentido bíblico.
Tocar piano - é o que você faz quando está com uma garota, mas não pode rolar o chocolate. Foi inspirada no filme O Piano. Talvez por causa da origem nobre, não chegou a ter ampla repercussão, embora fosse a expressão predileta de alguns alunos meus. Provavelmente porque eles ainda não haviam chegado na idade de rolar o chocolate.
Hermético - fechado, difícil. Palavra recuperada do português formal, de uso corrente em alguns bairros.
Leso - doido, abobalhado. Se, por exemplo, você tem oportunidade de rolar o chocolate com uma gatíssima, mas acaba só tocando piano, então você corre o risco de ser chamado de leso.
Broca - comida. Comendo uma broca, você deixa de estar brocado.
Cachorro-quente - a expressão não é pitoresca, mas o que ela representa sim. Belém é, provavelmente, o único local do Brasil onde o cachorro-quente é feito com carne-moída (chamada de picadinho). Em cada esquina de Belém há uma banca de cachorro-quente e essa é, pasmem, a razão pela qual a McDonalds demorou tanto a se instalar na cidade...